OPINIÃO

O fim da primavera - Por A.J.Silva

O Egipto está a viver em clima de pré-guerra civil. Os militares, que assumiram o poder desde a deposição de Mohamed Morsi, no princípio do mês de Julho, tornaram público um ultimato dirigido aos seguidores da Irmandade Muçulmana para aceitarem a nova situação, sob pena de se sentirem obrigados a tomar medidas mais fortes. Mais ainda, apelaram aos anti-fundamentalistas a que viessem para a rua manifestar o seu apoio ao golpe das forças armadas.
A primeira reacção ao ultimato por parte dos responsáveis da Irmandade foi de rejeição total, e o choque entre manifestantes de um e de outro lado saldou-se em dezenas de mortos. De momento, parece que os irmãos muçulmanos não dispõem de qualquer estrutura militar, mas é legítimo temer que não se fiquem apenas pelas manifestações e que venham a recorrer às armas. A ser assim, bem se poderia dizer que a tão sonhada primavera árabe teria acabado num doloroso inverno. Pelo menos, no Egipto.
Para o povo egípcio, a única consequência positiva da queda da Osni Mubarak e do seu regime, em Fevereiro de 2011, foi a descoberta da liberdade e das suas sensações. As multidões saíram à rua para exprimir os seus sentimentos e encheram as praças mais emblemáticas do país com o seu entusiasmo, com os seus protestos e as suas exigências sociais e políticas. Eram os efeitos normais de uma revolução que abria perspectivas de uma mudança significativa na vida do povo, mudança que todos desejavam, mas que alguns temiam que não fosse para melhor.
Hoje, esses temores parecem totalmente justificados. A verdade é que houve eleições presidenciais e parlamentares e é certo que foi aprovada uma nova constituição, mas isso não chegou para garantir uma equilibrada convivência social e política no país. Os fundamentalistas acham que a constituição é ainda pouco islâmica e os outros entendem que ela reflecte em demasia a influência da Irmandade Muçulmana.
A economia do país entrou em derrapagem. Os cidadãos olham hoje o futuro com muito mais preocupação do que no passado recente, até porque a instabilidade social e política afectou gravemente o turismo que era uma das suas grandes fontes de receita. Às tensões de ordem cultural e ideológica juntam-se pois as preocupações económicas. Está criado o cenário propício a uma explosão social e esta pode degenerar numa guerra civil de consequências imprevisíveis. As preocupações da comunidade internacional são cada vez maiores, mas não se vê como é que elas poderão ser minoradas.


António José da Silva

 

Data de introdução: 2013-08-12



















editorial

XXII GOVERNO CONSTITUCIONAL

(...) Sendo o Sector Social e Solidário um importante pilar do Estado Social e o principal agente na proteção social direta, estranha-se o quase desconhecimento da cooperação no programa do Governo já que as anteriormente citadas e...

Não há inqueritos válidos.

opinião

JOSÉ A. DA SILVA PENEDA

Sobre um pensamento de JORGE DE SENA
Este ano comemora-se o centésimo aniversário de Jorge de Sena que nos deixou uma obra colossal. É da sua autoria a seguinte frase: “A verdadeira dimensão do humano...

opinião

ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

América Latina: de novo em foco
Houve tempos em que a América Latina constituía um tema importante e recorrente no espaço que os Meios de Comunicação dedicavam à vida política...