AS IPSS, O REGRESSO E A EVENTUAL SEGUNDA VAGA DE COVID-19

Carência de recursos humanos e cansaço dos trabalhadores são as grandes preocupações

Têm sido meses de desafio constante para as IPSS, desde que a Covid-19 chegou a Portugal. Desde o início no olho do furacão, as instituições estão agora melhor preparadas para combater a propagação do vírus, em especial nos lares residenciais, seja da área sénior, seja na área da deficiência. No entanto, há carências difíceis de ultrapassar. Se em março e abril não havia equipamentos de proteção individual, e os que haviam eram muito caros, agora a principal privação prende-se com os recursos humanos. Para além de tudo, as equipas estão cansadas fisicamente, desgastadas mentalmente e ainda com muitos medos e receios, pois têm perfeita noção dos males que o novo coronavírus pode fazer no interior das instituições. Ainda assim, as IPSS reiteram o seu compromisso em servir e apoiar quem delas precisa, tudo fazendo para as manter em segurança.
Como que trazido por um vento leste de mau presságio, o novo coronavírus entrava em força em Portugal eram meados de março. Entre estados de emergência e de contingência, quarentenas e confinamentos, um rebuliço imenso e as vidas de todos alteradas inesperada e abruptamente, o país vive há mais de seis meses algo inédito e muito exigente.
Esta situação tem sido especialmente vivida pelas IPSS, que tendo a seu cargo uma imensa população, da mais jovem á mais velha, sabendo-se que esta última está no topo da vulnerabilidade face à Covid-19.
E para esta população, com maior acuidade, a normas da DGS centram-se demasiado nos procedimentos para evitar aumento do contágio, negligenciando todas as outras necessidades médicas desta população, o que tem levado a um aumento da perda da autonomia dos idosos, com o crescimento do número de outras patologias, aparecimento de novos casos de demência e mortes por desistência de viver devido ao isolamento.
Aliás, desde o início da pandemia as instituições sociais, em especial as que têm resposta de Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI), têm estado no olho do furacão. Os casos e os surtos ativos que têm acontecido em diversas instituições com resposta residencial têm sido debelados da melhor forma possível, sem que, infelizmente, não tenha sido possível evitar mortes.
Têm acontecido algumas, muitas menos do que noutros países, mas isso não deve servir de consolação a ninguém. No entanto, a disponibilidade, o empenho, a flexibilidade, a abnegação e voluntarismo de dirigentes, e trabalhadores das IPSS tem colmatado muitas das falhas que surgiram perante uma realidade que de forma repentina se abateu sobre a sociedade, em geral, e as IPSS, em particular, e para a qual ninguém estava preparado.
Mesmo assim, a resposta das instituições foi pronta e tem-se adequado à mutante realidade de forma exemplar. Daí, à exceção de alguns casos com surtos ativos no momento, a situação é bastante mais calma, sem que esses casos gerem preocupação acrescida.
À hora de fecho desta edição, dia 5 de outubro, apenas as situações de Bragança (Santa Casa da Misericórdia), Vila Real (Centro Social de Salto) e Santarém (Centro Social da Serra do Alecrim e o Lar dos ferroviários do Entroncamento) requerem uma atenção especial, podendo-se dizer, segundo as informações recolhidas pelo SOLIDARIEDADE juntos das Uniões Distritais, o momento é calmo, não havendo situações de grande alarme a registar.
“A resposta ERPI no distrito de Santarém tem sido boa, pese embora terem ocorrido inicialmente alguns casos pontuais de infeções que foram prontamente debeladas. Recentemente ocorreu um surto, mais grave, na Associação dos Lares Ferroviários, no Entroncamento, e outro mais ligeiro no Centro Social da Serra do Alecrim, Alcanede”, indica Horácio Teixeira, presidente da UDIPSS Santarém, que reporta a grande dificuldade sentida, especialmente, pelas instituições apanhadas pelo vírus: “A situação mais preocupante é a escassez crónica de recursos humanos e nem mesmo através do IEFP se conseguem arranjar pessoas, designadamente Ajudantes de Ação Direta e pessoal de enfermagem. A dureza física e psicológica do trabalho, aliada a baixos salários explicam, em grande parte, a falta de procura. Neste momento há enorme dificuldade no regresso às equipas em espelho... muita gente de baixa, quarentena (porque se cruzaram com positivos) e baixas de longa duração”.
Mesmo assim, “a Covid-19 determinou repercussões muito profundas e imprevisíveis na atividade das instituições, diversas medidas foram, entretanto, acionadas para mitigar os efeitos adversos da crise e as ERPI, sem que tenha havido lugar qualquer disrupção nos serviços prestados aos nossos utentes, prosseguem agora um percurso muito difícil, a exigir uma grande capacidade de trabalho e resiliência”, sublinha Lacerda Pais, presidente da UDIPSS Aveiro.
E esse trabalho e resiliência têm persistido, porque “as direções e os colaboradores têm sido imensamente dedicados e empenhados para conseguirem o melhor para os seus utentes”, afirma o cónego Roberto Mariz, presidente da UDIPSS Braga.
Mas como é impossível fazer omeletas sem ovos, para o presidente da UDIPSS Guarda, Rui Reis, “a criação das Brigadas de Intervenção Rápida pode ser mais uma ajuda na dificuldade que todos apresentamos e para a substituição de recursos humanos nas instituições” sempre que necessários por obrigações de quarentena.
“O distrito de Viseu na presente data, relativamente à resposta ERPI, não têm qualquer surto ativo de Covid-19, devendo-se muito esta situação ao empenhamento de todos os responsáveis e trabalhadores”, corrobora José Costa, líder da União Distrital das IPSS viseense.
Já Horácio Santiago, presidente da UIPSS Coimbra, lembra que “as instituições, em face da pandemia Covid-19 têm estado a reerguer-se, a readaptar-se e a reorganizar-se, como aliás é seu apanágio” e, em Coimbra, a situação, apesar de “alguns percalços, como é próprio”, tem corrido “de forma muito satisfatória”.
Mais a sul, no distrito de Évora, “constata-se um clima de alguma inquietação por parte dos idosos muito motivado pelas várias privações a que estão sujeitos, sendo, por essa razão, necessária uma grande capacidade criativa e de reinvenção diária do quotidiano por parte das instituições para evitarem cair na monotonia ou em situações de degradação”, revela Tiago Abalroado, presidente da União Distrital eborense.
Por seu turno, Filomena Araújo, presidente da UDIPSS Viana do Castelo, falando do seu distrito, resume, de alguma forma, o panorama nacional: “O número de casos de lares com contágios está controlado e esperemos que não aumentem. Tem havido uma grande insistência no cumprimento rigoroso dos planos de contingência e na sua atualização com vista a diminuir os contágios”.
Ou seja, proatividade e cumprimento das orientações emanadas das autoridades sanitárias, aliadas ao emprenho e abnegação das instituições, têm oferecido um combate duro e robusto ao vírus, sem, no entanto, ter de chorar algumas baixas.
Também nas ilhas a situação está calma e controlada. Ainda assim, o responsável pela URIPSS Açores, João Canedo, sublinha uma preocupação das instituições, no que toca aos mais velhos: “Continuamos a não deixar os utentes das instituições sair e a ter apenas uma visita semanal, conforme o estipulado pela autoridade de saúde regional. Esta medida está a criar nos utentes seniores, a nível comportamental, um maior isolamento e um aumento da sintomatologia depressiva, mais tristeza e uma maior ansiedade. Acho que temos que abrir mais um pouco a interação com os familiares e amigos”.
Se a situação é calma e está controlada nas ERPI das associadas da CNIS, há já algumas queixas quantos à falta de Equipamento de Proteção Individual (EPI) e, claro, a falta de recursos humanos, que em situação normal já está no limite, piorando drasticamente quando uma instituição é invadida pelo vírus, colocando em quarentena grande número de trabalhadores.
Para além disso, como reporta o presidente da UDIPSS Santarém, as remunerações no sector Social Solidário não são atrativas.
“Também nos têm sido reportadas várias rescisões de contratos de trabalho, por parte das trabalhadoras, uma vez que sempre que os hospitais recrutam auxiliares, as trabalhadoras preferem trabalhar no hospital pois, apesar do perigo, pagam melhor do que as IPSS”.
Também Setúbal se queixa de falta de recursos humanos, com Fernando Sousa, presidente da União Distrital, a reportar a “necessidade de aumento de recursos humanos para as equipas espelho”, sendo que “as IPSS não têm capacidade financeira para o fazer”.

CENTROS DE DIA

Com o gradual levantamento das restrições ao normal funcionamento das instituições, veio também a possibilidade da reabertura gradual da resposta de Centro de Dia, muito reclamada pelas instituições e fortemente exigida pelos utentes.
No entanto, sendo uma resposta que acarreta perigos acrescidos, o regresso dos utentes aos Centros de Dia tem sido muito ténue e rodeado de especiais cuidados.
“A abertura plena e completa dos Centros de Dia não regista mais de 15 a 20% das situações. Apesar de um esforço enorme por parte das instituições, torna-se difícil conseguir acolher diariamente públicos que não possam ser controlados e monitorizados, se são ou não portadores de Covid-19”, começa por dizer Rui Reis, da UDIPSS Guarda, acrescentando que “continua a existir diariamente um esforço enorme por parte das colaboradoras na distribuição da alimentação e em permitir que nada falte aos utentes que se encontram em casa”, mas… “em distritos como a Guarda, que geograficamente tem uma população muito dispersa nas suas freguesias, o grau de exigência e gastos das instituições com o aumento das deslocações diárias torna-se em muitos casos incomportável”.
Também em Évora há uma grande preocupação com a população que frequenta esta resposta social, pois “o número de Centros de Dia abertos até ao momento no distrito é muito reduzido, existindo alguns cuja resposta funciona acoplada a outras e que aguardam autorização das entidades competentes para poderem reabrir”, refere Tiago Abalroado, adiantando: “Estamos muito expectantes em relação à concretização deste processo, uma vez que temos consciência da dificuldade que está a ser para muitos idosos terem de permanecer em casa, na grande maioria dos casos sem qualquer suporte familiar”.
Na generalidade das instituições nacionais a retoma dos Centros de Dia tem sido muito lenta. Tal como refere Paula Pimentel, presidente da UIPSSD Bragança, esta é a “resposta social mais difícil pelo receio de contágio”, explicando porquê: “Os familiares ainda receiam e mostram muito medo sobre a evolução epidemiológica. Como se tem verificado um aumento de casos positivos na comunidade existe muito receio de contágio”.
Por seu turno, Horácio Santiago, da UIPSS Coimbra, considera que esta “é, sem dúvida, uma resposta importantíssima, porém, colide com muitas outras respostas sociais, com cruzamentos difíceis de resolver em casa e nas instituições”, pelo que o regresso tem sido tímido e em muitos casos impossível.
No caso de Viseu a situação é mais difícil, no que toca a esta resposta social.
“Os Centros de Dia continuam quase na sua totalidade inativos, porque os espaços físicos assim como os recursos humanos são partilhados com outras valências e, por isso, corriam grandes riscos de transmissão do vírus entre utentes e trabalhadores. Esta situação tem sido compensada pelo apoio ao domicílio, embora reconhecendo-se que não é suficiente, pelo menos, em termos de socialização”, afirma José Costa.
E se em muitas regiões do país os Centros de Dia estão a abrir paulatinamente e ainda de forma residual, no Algarve “encontram-se ainda encerrados”, revela José Carreiro, presidente da URIPSS Algarve.
Em sentido contrário, nos Açores, “abriram mais cedo do que em Portugal Continental e estão todos em funcionamento”, avança João Canedo, acrescentando: “Foram criadas regras para a sua abertura e está a decorrer na normalidade possível, claro!”.
Também na Madeira a situação está a evoluir positivamente desde a reabertura dos Centros de Dia e Centros de Convívio no dia 8 de junho.
“As instituições têm, de acordo com os recursos humanos, materiais e equipamentos disponíveis e em colaboração com as famílias sempre que possível, funcionado bem, sem registo, até ao momento, de qualquer caso indiciador de preocupação acrescida”, revela Maria do Céu Carreira, vice-presidente da UIPSS Madeira.
Na generalidade, “os Centros de Dia estão a reabrir gradualmente”, como relata Filomena Araújo, da UDIPSS Viana do Castelo, tendo alguns só o feito no fim de setembro “devido a serem acoplados a outras respostas”.
“Houve a necessidade de adaptações de espaços que nem sempre foram fáceis. Temos também a indicação de que há idosos que não retornaram ao Centro de Dia, o que tem levantado preocupações com os mesmos”, acrescenta a dirigentes de Viana do Castelo.
Esta é a imagem global da situação desta importante resposta social para idosos que, ainda autónomos, necessitam de frequentar os Centros de Dia para que essa autonomia não se degrade.
Neste sentido, de Setúbal vem um alerta, como reporta Fernando Sousa: “É preciso reinventar os Centro de Dia, mas tal só é possível com mais pessoal e mais investimento em materiais de apoio às atividades, mobiliário adequado que proporcione distanciamento social mínimo e alteração física do espaço para separar circuitos de entrada e saída evitando cruzamentos”.
Em Santarém mais de metade dos Centros de Dia não reabriram. Para além dos constrangimentos diretos para a sua reabertura, Horácio Teixeira revela que “a resposta social perdeu muitos utentes, ou porque morreram, ou pelo longo período de confinamento, em que perderam faculdades psíquicas e motoras e passaram para ERPI, na maior parte dos casos para ERPI privadas ou ilegais, devido à falta de camas nas nossas instituições”.
Para o líder da UDIPSS escalabitana, “também esta resposta sente uma enorme falta de recursos humanos, não tão acentuada nos meios rurais”.
A realidade é desafiante e, por isso, “os Centros de Dia estão, agora, a reposicionar-se face ao «novo normal», argumenta Lacerda Pais, acrescentando: “O momento é pois de recomeço, havendo, contudo, instituições em que se regista um maior tempo de decisão e ponderação sobre a reabertura desta resposta”.
Assim, e usando a situação do distrito do Porto para traçar um retrato nacional, a reabertura tem sido gradual, mas ainda há muitas respostas fechadas e utentes em casa.
“Os Centros de Dia isolados reabriram e, até à data, não temos indicação de dificuldades na sua ação diária. Os Centros de Dia que estão acoplados a ERPI não reabriram por indicação da Direção-Geral de Saúde”, relata Rui Leite de Castro, presidente da UDIPSS Porto.

INFÂNCIA

Findas as férias, com o regresso ao trabalho pós-confinamento, retomada a atividade escolar presencial e o fim dos apoios estatais à família, iniciou-se a retoma das respostas sociais à infância em todas as instituições.
No entanto, são diversos os cenários ao longo do território nacional, registando-se alguma quebra nos números de frequência, tanto em creche como no pré-escolar.
“O reinício do ano tem decorrido com normalidade. As valências da infância abriram todas. Há uma grande frequência, existindo mesmo instituições muito perto dos 100% de ocupação. Os cuidados são muitos para que tudo possa correr bem. São conhecidos os receios e as preocupações que existem, mas tudo está a ser feito para dar confiança e serenidade às famílias e colaboradores”, sustenta o cónego Roberto Mariz, da UDIPSS Braga.
Como na generalidade do país, o regresso deu-se sem grandes temores, como também o comprova o distrito de Viseu.
“O regresso às valências de creche e pré-escolar decorreu de forma que podemos afirmar muito positiva, sendo de realçar a colaboração dos pais e a dedicação de todos que contactam com as crianças, o que originou uma elevada adesão”, destaca José Costa.
No entanto, locais há em que a frequência diminuiu, como relata o presidente da UDIPSS Porto: “Temos conhecimento de que tem havido diminuição da frequência por parte dos utentes”.
Se alguns pais até estão em casa por via do «lay off» ou até do desemprego, é muito ainda o receio de contágio que leva as famílias a não fazerem as suas crianças regressar à «escolinha».
“O regresso nas respostas sociais de creche e pré-escolar tem decorrido sem grandes problemas. Houve já algumas situações de contágio em pré-escolar que decorreram de contacto de famílias com pessoas infetadas, mas houve uma intervenção rápida do delegado de saúde que colocou as famílias em isolamento profilático, e a vida do pré-escolar não foi afetada”, revela José Carreiro sobre a situação no Algarve, algo que também já se registou, igualmente no distrito de Viana do Castelo.
“Temos tido pontualmente casos de contágio de crianças, mas que acontecem fora do contexto da creche e jardim-de-infância. As dúvidas das IPSS prendem-se com as atividades extracurriculares, pois não há orientações específicas, sendo estas mais um fator de risco”, relata Filomena Araújo.
O surgimento de alguns casos nestes contextos, deixa, compreensivelmente, os pais preocupados.
Na Guarda a retoma das valências de infância “tem decorrido com muita preocupação por parte dos dirigentes, dos colaboradores e com particular enlevo por parte dos pais”, realça Rui Reis, lembrando: “Julgamos que a preparação que foi realizada, com a adequação de espaços e o conjugar de equipamentos de proteção nas instituições, pode permitir que se acalente a esperança que foi realizado um trabalho responsável. O grande receio prende-se com a irreverência e comportamento de cada criança e jovem que possa permitir descuidos”.
Por isso mesmo, “prevalece alguma cautela por parte das famílias e é notório o esforço diário dos profissionais das instituições na área da infância, pois bem sabemos o quão é difícil assegurar a manutenção das medidas de distanciamento neste tipo de respostas sociais”, corrobora Tiago Abalroado, da UDIPSS Évora.
Igualmente nos arquipélagos dos Açores e da Madeira o regresso à creche e ao pré-escolar decorreu sem problemas de maior e com uma boa adesão.
“Tem decorrido bem no contexto das especificidades impostas pelos tempos e em respeito absoluto pelas normas de segurança”, afiança Maria do Céu Carreira, da UIPSS madeirense.
Nos Açores a retoma foi “tranquila”, mas João Canedo deixa um alerta: “Claro que as relações entre crianças, educadores e auxiliares não tem o contacto humano que tinham, uma vez que agora os funcionários são obrigados a utilizar a máscara e a manter as distâncias, o que não ajuda na interação nas creches e jardins-de-infância”.
Em resumo, com o advento do novo ano letivo, as respostas sociais para a infância têm retomado as suas atividades dentro do novo normal que vivemos, registando-se ainda algum receio dos pais, a quem as instituições pedem bom senso e responsabilidade no que toca aos cuidados a ter com a pandemia.

FUTURO PRÓXIMO

A pandemia leva mais de seis meses em Portugal e avizinha-se uma segunda vaga da doença, quando as instituições ainda se estão a (tentar) refazer da primeira. Mais e melhor preparadas, as instituições dizem-se prontas para o combate, mas, entre os dirigentes, há uma grande preocupação.
Tal como foi referido no início deste texto, os recursos humanos das instituições estão no vermelho e há uma enorme carência de trabalhadores, especialmente quando o vírus consegue penetrar nas instituições.
E se na primeira vaga o estoicismo dos trabalhadores foi extraordinário, os dirigentes temem pelo cansaço instalado entre as equipas.
Recorde-se que a assistência aos utentes e o funcionamento das IPSS foram assegurados, em muitos casos, por equipas reduzidíssimas, com fortes implicações na condição física e mental desses trabalhadores.
“Os trabalhadores estão cansados, com medo de que esta, eventual, segunda vaga possa ser ainda mais desgastante e complicada. As pessoas sabem agora, muito bem, ao que vão e não existe já muita disponibilidade para a formação de equipas em espelho”, resume Horácio Teixeira, alertando: “Os trabalhadores estão desmotivados. Os últimos seis meses foram de uma enorme dureza e desgaste e sem aumentos salariais há cada vez menos motivação”.
No entanto, como refere José Costa, da UDIPSS Viseu, “todos os responsáveis e trabalhadores estão preparados para minimizar qualquer eventual situação que possa surgir em termos pandémicos”, até porque “pela experiência adquirida com o decorrer da primeira vaga foram aperfeiçoados e adaptados os planos de contingência que todas as instituições construíram de acordo com a sua realidade”.
Auscultada a maioria dos presidentes das Uniões Distritais de IPSS, fica a ideia de que as instituições estão melhor preparadas para enfrentar uma segunda vaga do novo coronavírus, há grande empenho de dirigentes e trabalhadores para que, caso aconteça, possa ser ultrapassada sem grandes danos, mas precisam de ajuda, em especial em termos de recursos humanos.
E quando pode estar a surgir novo combate pela vida dos utentes das instituições, um toque a reunir…
“Em todo este processo, destaca-se a nossa cultura humanista no modo como se trabalha e lida com as pessoas. As instituições mantiveram o objetivo de proteger o que é essencial – a segurança de todos –, permanecendo ao lado dos nossos utentes e das suas famílias. Dar o melhor de nós é o compromisso que assumimos perante os nossos utentes e que nos move a cada dia. Mesmo nos mais difíceis, como são os de hoje. O tempo é de enorme responsabilidade e pede de todos compromisso e trabalho. Esta é a nossa promessa de solidariedade”, lembra Lacerda Pais.
O SOLIDARIEDADE lamenta não ter podido contar com os contributos das UDIPSS de Beja, Castelo Branco, Leiria, Portalegre e Vila Real, que, por diversas razões, não conseguiram participar.

Pedro Vasco Oliveira

 

Data de introdução: 2020-10-08



















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