ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

Pandemia e tensões políticas

É hoje evidente que, para além das suas consequências sanitárias, o chamado novo coronavírus está a provocar, um pouco por toda a parte, inegáveis tensões de ordem política. Algumas delas podem ser de natureza interna, mas outras há que acabam por mexer com as relações internacionais. Entre estas, merece especial referência a que afecta particularmente as relações entre os Estados Unidos e a República Popular da China, de tal modo que já se fala mesmo numa nova guerra fria, protagonizada agora por estes dois países.

Apesar da insistência do presidente norte-americano nas suas acusações contra o regime de Pequim, a grande maioria da opinião pública internacional não acredita que o governo chinês tenha sido direta e conscientemente responsável pela criação e disseminação da Covid-19, mesmo que alguns aceitem que ele possa ser acusado de não ter feito o suficiente para alertar atempadamente o mundo para o que poderia vir a acontecer. Isto como resultado das experiências que vinham tendo lugar nos seus laboratórios da cidade de Wuang. De qualquer modo, parece que Donald Trump perdeu mais uma batalha, ele que já estava envolvido numa perigosa guerra comercial com a China.

Mas se Donald Trump parece ter perdido esta batalha, tudo indica que ele corre o risco de perder também outra guerra que para ele é muito mais importante: falamos das próximas eleições presidenciais americanas. Embora com enorme surpresa, tendo em conta que já era conhecida a sua personalidade humana e política, ele conseguiu, durante meses, uma posição de grande favorito à vitória que, apesar de chocante, aparecia como certa em todas as sondagens. Era uma vitória, alicerçada na aposta de uma política económica populista, mas que tinha a capacidade de seduzir uma grande parte dos eleitores americanos. Até que, inesperadamente, este cenário foi completamente alterado pela chegada da Covid-19. Primeiro, foi o número catastrófico das vítimas que já provocou e continua a provocar; depois, pelos seus efeitos devastadores na economia em geral e no desemprego em particular. O grande argumento para o triunfo eleitoral de Donald Trump esvaiu-se no curto espaço de dois meses. Pelo menos aparentemente.

Acrescente-se, no entanto, que as repercussões políticas da pandemia que atingiu o mundo de forma mais ou menos grave não se ficam por aqui. O país que maior interesse mediático provocou a nível internacional, e particularmente entre os portugueses por motivos bem conhecidos, é certamente o Brasil. E isto, graças a um presidente cujo comportamento e estilo de comunicação não deixam de surpreender e chocar todos aqueles que, diariamente, tentam acompanhar a vida social e política do mais populoso estado da América do Sul. As últimas notícias dão conta do agravamento cada vez mais perigoso da situação social e política daquele país que, por razões históricas bem conhecidas, nos é tão querido. 

 

Data de introdução: 2020-06-04



















editorial

Olhando o presente perspetivando o futuro

Nesta "estação de pandemia" parece estarmos em descensão, reconquistando, pouco a pouco, uma "nova normalidade". 

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