PRESIDENTE DA CNIS E O COMBATE À COVID 19 NAS IPSS

Instituições estão atentas e atuantes mas 59 milhões de euros são insuficientes

O momento que o país atravessa exige, uma vez mais, que as IPSS sejam um agente proativo na luta contra a Covid 19, especialmente as instituições que têm respostas sociais à terceira idade, o grupo mais vulnerável à doença que grassa pelo mundo.
E se a situação das ERPI (Estrutura Residencial Para Idosos) e das UCCI (Unidade de Cuidados Continuados Integrados) estão no topo das preocupações, há que continuar a dar resposta aos utentes do Serviço de Apoio Domiciliário, mas também aos dos Centros de Dia e Centros de Convívio, que agora também estão nos seus domicílios.
A CNIS mostra-se ciente da situação e do desafio que as instituições têm pela frente e, por isso, considera que o pacote de 59 milhões de euros anunciado pelo Governo para apoiar o Sector Social Solidário é insuficiente, perante as necessidades que tendem a crescer.
“Considero importante a satisfação dos acordos de cooperação na totalidade acordada, independentemente das oscilações de frequência o que permite encarar com relativa esperança a manutenção dos postos de trabalho e a remuneração dos trabalhadores, mas considero manifestamente insuficiente os anunciados 59 milhões de euros”, afirma o presidente da CNIS, explicando: “Percentualmente, eles são distribuídos equitativamente por todos os acordos de cooperação e em todas as instituições há grandes constrangimentos financeiros e, particularmente nesta conjuntura de emergência, as valências para idosos têm um muito significativo aumento de despesa”.
E, taxativo, o padre Lino Maia faz um alerta: “Espero, melhor, exijo que esta situação seja apenas conjuntural e que oportuna e brevemente seja revista”.
Saudando o empenho e dedicação de todos os dirigentes e profissionais das instituições, o líder da CNIS garante que os postos de trabalho das valências encerradas não estão em risco e que a principal preocupação é a proteção dos utentes e dos próprios trabalhadores.
“Neste momento, o que pode prejudicar os postos de trabalho, os trabalhadores e os utentes é a falta de equipamentos de proteção individual (EPI). O trabalho nas IPSS, particularmente com os idosos, é muito «pessoa a pessoa». Por isso, o risco nos dois sentidos é elevado”, realça o presidente da CNIS, deixando uma garantia: “Claro que estando algumas valências com atividade suspensa, os postos de trabalho mantêm-se, até porque a suspensão das valências é temporária. E há a garantia da satisfação dos acordos de cooperação por parte do Estado independentemente de frequência ou encerramento das valências nesta conjuntura de emergência”.
Refira-se que para eventual reforço das equipas e, assim, manter um normal funcionamento das valências, já é possível recorrer às bolsas de voluntariado em todo o País.
No entanto, “a conjuntura de emergência ainda não ocasionou a falta de trabalhadores – em algumas zonas há falta de trabalhadores, mas por outras razões (o trabalho nas IPSS é duro e mal remunerado e outros sectores de atividade estão a atrair os trabalhadores)”, refere, deixando um lamento: “Entretanto, temo que os próximos tempos nos reservem muitas preocupações nesse sentido…”.
Perante as notícias vindas de Espanha, cujas mais recentes relatavam vários mortos nos lares de idosos, o padre Lino Maia tem uma atitude de tranquilidade, garantindo que as IPSS associadas estão alerta e proativas.
“As instituições de solidariedade estão atentas e atuantes. Para além dos seus Lares/ERPI em funcionamento pleno, estão a apoiar os utentes de Centro de Dia e de Centro de Convívio nas suas próprias casas e continuam a apoiar os utentes de Apoio Domiciliário. Neste momento, pelo menos cerca de 200.000 idosos em Portugal estão a ser acompanhados pelas IPSS”, assegura.
Mas para que este trabalho possa ser feito na maior segurança de todos são necessários EPI. A CNIS fez um levantamento das necessidades e as carências ainda existem.
“O levantamento das necessidades foi feito pela CNIS e comunicado ao Governo. São necessários muitos e muitos kits de segurança (máscaras, luvas, aventais, gel). Basta lembrar que temos em funcionamento quase 900 lares (só no Continente estão 843) com apoios que prestam também nos domicílios. São muitos utentes e são muitos trabalhadores. Ainda não há satisfação das necessidades. Espero que nestes dias comece a satisfação das necessidades de EPI, pelo menos de uma forma faseada por percentagem”, assevera o presidente da CNIS.
Estando muitos trabalhadores das IPSS em funções, inclusive funcionários de valências agora suspensas, coloca-se a questão dos filhos desses funcionários.
“Não gosto de falar do que faço ou desfaço, mas pessoalmente levantei a questão e providenciei no sentido de garantir que, para além das crianças, filhos dos trabalhadores da Saúde e da Segurança, também os filhos dos trabalhadores das IPSS em atividade, para além das escolas, pudessem frequentar creches e infantários que foram identificadas e disponibilizadas em todos os distritos do País (só não conseguimos ainda no distrito de Beja). É evidente que os trabalhadores das IPSS, particularmente das instituições com valências para idosos, são absolutamente necessários e têm de ter todas as garantias de apoio e proteção para se dedicarem como se dedicam aos que mais precisam”, sustenta o padre Lino Maia, em vésperas de ter mais uma reunião de trabalho com as entidades que lideram o combate à Covid 19.

 

Data de introdução: 2020-03-24



















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