ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

AMÉRICA CENTRAL: Eleições e instabilidade social

Entre os anos setenta e noventa do século passado, a América Central, foi objecto de grande interesse por parte da opinião pública internacional. Pelo menos, alguns dos países situados no istmo que liga a América do Sul à América do Norte tiveram, nesse período de tempo, um acompanhamento mediático que traduzia uma preocupação generalizada por aquilo que ia acontecendo naquela região. Tudo porque ali se travava uma guerra, embora indirecta, entre as duas superpotências que então dominavam o mundo: os Estados Unidos e a União Soviética.

Entre as batalhas ideológicas que deram rosto a essa guerra, algumas mereceram uma preocupação muito particular, como foi o caso dos conflitos que se travaram na Nicarágua e na República de El Salvador. No entanto, um outro estado da América Central veio recentemente chamar a atenção dos Media, embora por razões que não atingiram a gravidade daquilo que ocorreu naqueles dois países. Trata-se da República das Honduras, um país cuja história subsequente à proclamação da sua independência, em 1821, ficou marcada pela instabilidade interna e pelas interferências externas, sobretudo pelas que tinham origem nos Estados Unidos.

Ainda recentemente, 2009, as Honduras conheceram uma crise política que foi protagonizada pelo então presidente da República, Manuel Zelaia, um homem que, originalmente tinha ligações à direita, mas que, paulatinamente, deu sinais de aproximação à esquerda dita bolivariana. O seu propósito de alterar a Constituição do país levou o Supremo Tribunal a decretar o seu afastamento do cargo e o seu exílio para a Costa Rica, numa decisão que teve o apoio das chefias militares. A crise foi aparentemente resolvida uns anos depois, com o seu regresso às Honduras, mas voltou à ribalta em 2017, a pretexto dos resultados das últimas eleições presidenciais.

Zelaia não concorreu directamente a este sufrágio, mas foi apoiante declarado de Salvador Nasralla, um candidato da oposição que terá perdido por uma pequena diferença para Juan Fernandez, o ainda presidente que se apresentava à reeleição. Desde então, ambos os dois concorrentes e os seu apoiantes reclamam o triunfo, e o país ficou suspenso do veredicto do Tribunal Eleitoral que acabou por confirmar a derrota de Nasralla e de Zelaia.

Apesar desse veredicto e da sua confirmação pela Organização dos Estados Americanos e pela União Europeia, os vencidos ainda não deram sinais de aceitação dos resultados, colocando o país num cenário que não será propício à paz e ao desenvolvimento. Mais uma prova de que, em certos países, o recurso a eleições pode constituir um factor de instabilidade social.   

 

Data de introdução: 2018-01-05



















editorial

Confiança e resiliência

(...) Além disso, há um Estado que muito exige das Instituições e facilmente se demite das suas obrigações. Um Estado Social não pode transferir responsabilidades para as Instituições e lavar as mãos quanto...

Não há inqueritos válidos.

opinião

José Leirião

A necessidade de um salário mínimo decente
Os salários, incluindo os salários mínimos são um elemento muito importante da economia social de mercado praticada na União Europeia. Importantes disparidades permanecem...

opinião

JOSÉ A. DA SILVA PENEDA

Muitos milhões de euros a caminho
O País tem andado a ouvir todo um conjunto de ideias com vista a serem aproveitados os muitos milhões de euros provenientes da Europa. Sobre o que é preciso fazer as coisas parecem...