LAR FAMILIAR DA TRANQUILIDADE, SANTO TIRSO

Aposta no conforto dos utentes é a prioridade na Vila das Aves

Lar Familiar da Tranquilidade, na Vila das Aves, é daquelas instituições que faz jus ao nome. Para além de proporcionar um ambiente o mais confortável e familiar possível aos utentes, a instituição tem uma envolvente física em que a palavra de ordem é… tranquilidade. Na busca do melhor bem-estar para os seus utentes, a instituição acaba de inaugurar uma nova área na sala de convívio que vai proporcionar aos residentes e frequentadores do Centro de Dia um espaço, precisamente, mais tranquilo.
Uma vasta zona arborizada, rasgada por veredas e polvilhada com mesa e bancos de pedra, envolve a instituição e proporciona a todos os que ali estão e se deslocam um local tranquilo e sossegado. Apesar de para lá dos muros e portões existir uma escola do Ensino Básico e ainda o estádio de futebol do Grupo Desportivo das Aves, a tranquilidade no interior da instituição não é afetada e o espaço envolvente convida a momentos de reflexão, meditação e convívio, sendo que, em especial nos meses mais quentes, as copas das muitas árvores funcionarem como um autêntico toldo. Aliás, este é um espaço muito utilizado pela instituição para promover convívios entre os utentes, mas igualmente entre instituições, como é o caso da «mega sardinhada» que há vários anos organiza por altura dos santos populares.
E foi também para proporcionar um pouco mais de tranquilidade na sala de convívio que os responsáveis pelo Lar Familiar da Tranquilidade investiram no alargamento da mesma, criando um espaço mais onde os utentes podem estar mais tranquilos.
“A ampliação da sala de convívio é algo muito importante porque permitiu criar um espaço mais sossegado. Com os utentes a ficarem cada vez mais numa situação de maior dependência, quem está mais autónomo começava a ficar incomodado”, começa por dizer Tiago Vilaça, vice-presidente da instituição do concelho de Santo Tirso, acrescentando: “A sala de convívio serve o Lar e também o Centro de Dia e o aglomerado de pessoas começava a notar-se, daí a importância da ampliação. Por exemplo, agora é possível a um utente estar naquela área, mais sossegado, a ler um livro num ambiente muito tranquilo, com uma iluminação muito boa e virada para o jardim. A ideia é, no futuro, estender este espaço para uma área exterior, aproveitando o jardim”.
Tiago Vilaça considera mesmo esta intervenção no equipamento que conta 17 anos como “a obra mais importante” que a instituição realizou “nos últimos 10 anos”.
“Esta ampliação vem trazer muita qualidade ao tempo das pessoas que aqui estão. Se olharmos para um dia de um utente, é na sala de convívio que ele passa mais tempo”, sublinha.
Parecendo apenas um pequeno alargamento da sala de convívio, esta “foi uma obra considerável, porque mexeu com a estrutura do edifício”.
“Pode parecer uma pequena ampliação em termos de área, mas acrescenta muito mais do que aquilo que se vê, em termos de conforto e bem-estar dos utentes. A sala de convívio sofreu uma transformação muito positiva nesse aspeto”, frisa Tiago Vilaça, que lamenta apenas não poder empreender uma outra transformação no equipamento por falta de verbas.
“Gostaríamos de fazer uma obra de raiz que permitisse melhorar as condições térmicas do edifício, porque a nossa prioridade é o conforto dos utentes. Vem aí o Inverno e aqui faz muito frio. Esta era a intervenção que gostaríamos de fazer, mas é uma obra grande e com grandes custos”, afirma o «vice» da instituição, acrescentando: “Neste aspeto temos que navegar à vista mais pela questão dos custos. Temos que ter muita prudência com os custos, nunca dar um passo maior do que a perna e nunca comprometer a gestão futura. Não posso comprometer os mandatos futuros. Numa instituição em que os recursos são escassos, os investimentos têm que ser feitos com capacidade, não podem ser feitos no ar ou a contar com coisas que podem não acontecer. Temos que apostar em coisas controladas, como foi o caso da ampliação da sala de convívio”.
Não vivendo uma situação crítica, a instituição não tem disponibilidade financeira para grandes investimentos, apostando na prudência financeira. Por isso, Tiago Vilaça sustenta que a situação financeira da instituição é equilibrada.
“Fico muito contente quando analiso as contas anteriores e vejo uma redução no valor dos principais gastos em compras. Mas depois as coisas ficam mais ou menos iguais, porque há sempre um aumento com aquilo que são as custos com os trabalhadores ou outros gastos. Nós cumprimos na íntegra tudo o que foram os últimos aumentos em termos de recursos humanos, até porque isto é um trabalho pesado e é preciso ter consciência disso. É um trabalho que não é muito atrativo, tem que haver boa vontade em fazê-lo, portanto não é remunerado como gostaríamos, mas cumprimos com o que está em vigor”, refere, acrescentando: “Temos sentido um aumento da massa salarial, para não falar das contribuições fiscais, mas conseguimos, de alguma forma, manter a estrutura de custos porque do lado da despesa temos conseguido reduzir. Do lado da receita, sentimos uma pequena redução, mas podemos recorrer à Fábrica da Igreja sempre que é necessário, especialmente para investimentos. Para esta ampliação tivemos o apoio da Fábrica e depois de alguns beneméritos”.
Vivendo apenas das comparticipações dos utentes e da Segurança Social, Tiago Vilaça considera que a hipótese de aumentar a mensalidade familiar é inviável.
“Poderíamos pedir comparticipações maiores aos familiares dos utentes, até porque está legalmente previsto, mas as pessoas não têm capacidade”, afirma, lembrando que o facto de a freguesia ter muita indústria acarreta outro fenómeno, que é o “baixo rendimento das famílias”.
“Em termos de Lar, o que temos percebido é que o idoso enquanto dá pouco trabalho, os filhos tomam conta porque a pensão ajuda ao orçamento familiar. Temos muitos utentes cuja pensão média pouco ultrapassa os 200 euros. A esmagadora maioria eram trabalhadores do têxtil, com salários mínimos e, se calhar, com contribuições para a Segurança Social apenas a partir dos anos 1980, porque até lá não havia. Então, só quando as pessoas ficam completamente dependentes e os filhos veem que não têm capacidade para cuidar delas é que vêm ao Lar pedir um lugar”, conta, sublinhando: “Sentimos que o rendimento médio dos nossos utentes é muito baixo, o que traz uma dificuldade também para a instituição. Temos mensalidades baixas, o que releva a importância da gestão passada, em que se fez algum aforro, o que hoje não se consegue fazer”.
É por isso que Tiago Vilaça considera a gestão rigorosa e cuidada tem sido essencial na vida da instituição.
“Temos uma gestão, do lado dos recursos, muito eficiente. Nos últimos três exercícios temos conseguido baixar os custos com os fornecimentos e serviços externos e com os produtos consumíveis, sejam produtos alimentares ou outros, sem colocar em causa a qualidade. Isto é, temos feito uma gestão mais eficiente e mais cuidada do lado da compra e com uma negociação mais de perto. A diversidade de fornecedores implica uma negociação próxima e rigorosa”, assevera, destacando a importância da FAS2 em todo o processo de gestão da instituição.
“O FAS2, que não concluímos porque era uma despesa muito grande, ficando só a faltar a certificação, foi um processo muito importante. Teve grandes virtudes como foi o diagnóstico, ou seja, o levantamento das necessidades para colocar procedimentos em curso, tendo até surgido problemas que desconhecíamos. Depois, o conhecimento de quem vem fazer as auditorias é bom para a implementação de boas práticas. Este foi um processo muito importante para o trabalho da instituição”, defende o «vice», acrescentando: “Tem sido muito importante fazermos uma gestão profissional. Criámos um centro de custos, ou seja, um fiel de armazém, de onde é tratado todo o processo de aquisição de bens, acabando-se com a dispersão nas compras”.
O Lar Familiar da Tranquilidade surgiu por vontade do benemérito António Martins Ribeiro, falecido em 1966, e que em 1955 doou uma vasta quinta e a sua própria casa à Comissão Fabriqueira da Paroquia de S. Miguel das Aves.
No entanto, só em 1990, pela mão do ainda hoje pároco da Vila das Aves, padre Fernando Abreu, é que o sonho do benemérito tomou forma, com a instituição a receber os primeiros utentes (12 em Lar e 25 em Centro de Dia).
Quase três décadas volvidas, a instituição acolhe 50 utentes em ERPI, 20 em Centro de Dia e apoia 30 idosos da freguesia através do SAD.
Aproveitando a antiga casa do benemérito, a instituição transformou-a no Centro de Apoio António Martins Ribeiro, inaugurado em 2000, uma espaço equipado com piscina, ginásio, hidroterapia, jacuzzi, sauna e quatro quartos de casal e um individual para repouso temporário, que serve não apenas os utentes da instituição mas também a população em geral.
Quanto ao futuro, Tiago Vilaça considera que a capacidade da ERPI já não é suficiente para as necessidades da freguesia.
“Temos cerca de nove mil habitantes na freguesia e nos dias que correm sente-se mais a necessidade desta resposta. Nota-se que há uma alteração de comportamento das famílias. Dantes havia aquele espírito dos pais ficarem em casa dos filhos, mas hoje não. Os filhos procuram o seu rumo, a questão profissional também interfere, pois há muita gente que tem trabalho fora e já cá não vive, ficando os idosos sozinhos. Hoje temos uma terceira idade solitária”, considera, justificando a grande necessidade da resposta que a instituição dá: “Nos dias que correm esta estrutura é muito necessária e sempre que temos uma vaga temos vários pedidos. Por outro lado, nota-se que o negócio, ou seja, o privado, está a crescer. Há diversas entidades aqui em volta e com taxas de ocupação interessantes. Nota-se que as instituições estão a perder os utentes com alguma capacidade económica, que estão a ir para o privado, o que significa que a nossa resposta vai ser cada vez mais necessária, porque estamos no apoio a quem tem pouco e precisa muito”.
A terminar, Tiago Vilaça quis deixar uma palavra aos colaboradores: “Não tenho dúvida de que é um esforço grande, até porque todos os meses o Gabinete Técnico me diz que é preciso contratar mais gente. Os ordenados não são muito altos, mas temos uma equipa que veste a camisola e que se contagia entre si”.

 

Data de introdução: 2017-11-09



















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