CIGANOS

França quer acabar com acampamentos ilegais

O dirigente da Federação das Associações Ciganas de Portugal (FECALP) espera que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, seja "bem aconselhado" e volte atrás na decisão de acabar com metade dos acampamentos ilegais em França. O governo francês anunciou que vai encerrar, no prazo de três meses, "metade dos campos ilegais" de ciganos e nómadas no país, provocando a condenação da oposição. "Acho muito estranho que Sarkozy, que é um homem tão tolerante até com a sua vida particular - que nós não temos nada a ver com isso -, seja um homem que não está a respeitar os acordos de paz e de livre circulação e que esteja a condenar um povo que já está condenado há muitos anos", disse António Pinto Nunes, da Federação das Associações Ciganas de Portugal (FECALP).

O dirigente realçou que "a França foi um dos países que condenou a Itália quando a Itália teve atitudes racistas com os ciganos" e que o próprio presidente francês "foi um dos homens que recriminou o presidente iraniano quando fez umas declarações racistas contra Israel". "Creio que, se for bem aconselhado, ele vai voltar atrás [nesta decisão]", acrescentou, sublinhando que esta atitude "não contribui para o êxito daqueles que muito se comprometem a fazer e afirmam em assembleias e em todo o lugar que querem contribuir para a inclusão do cigano na sociedade maioritária".

Em reacção à decisão francesa, a Comissão Europeia clarificou que a expulsão de ciganos acampados ilegalmente em França é da exclusiva competência do Estado francês. "Eu até concordo com isto, mas não podemos generalizar, porque está a ocorrer uma estigmatização do povo cigano, porque por um cigano comer uma pera, nem todos os outros gostam de fruta", disse António Pinto Nunes.
O dirigente cigano realçou que Nicolas Sarkozy "está a mandar derrubar bairros ilegais, mas nestes bairros deve haver muita gente que está incluída na sociedade, que trabalha, que tem bons fundamentos e quer aprimorar o seu modo de vida". "O Sr. Sarcozy tem de verificar que nem tudo o que anda na rua é mulher da rua", considerou.

 

Data de introdução: 2010-08-05



















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