ESTUDO REVELA

Porto com o pior rácio nos médicos de família

Portugal tem 6,39 médicos de família por cada dez mil habitantes, mais do que a meta prevista para 2010 pelo Plano Nacional de Saúde. Mas as contas nacionais escondem desigualdades regionais: Porto, Braga e Aveiro são exemplos.

As contas constam do "Estudo do Acesso aos Cuidados de Saúde Primários do Serviço Nacional de Saúde" realizado pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), segundo o qual os distritos do Porto (5,42), Braga (5,48), Leiria (5,84), Aveiro (6,01), Santarém (6,15) e Viseu (6,22) revelam menos capacidade de oferta, em termos de médico de família por habitantes.

Mas a nível nacional, há 6,39 por cada dez mil pessoas, mais do que os seis traçados como meta para 2010 pelo Plano Nacional de Saúde (PNS) apontava. O estudo contraria, assim, a própria versão das autoridades oficiais, que continuam a falar em falta de clínicos para cobrir todos os utentes.

Os dados portugueses não ficam, assim, atrás das metas fixadas noutros países (5,57 no Reino Unido, seis a oito nos EUA). Mas estão aquém da realidade além-fronteiras. Segundo dados de 2004, há sete médicos de clínica geral por dez mil habitantes em Espanha e Reino Unido, nove em Itália, e 17 em França.

"Não é necessariamente verdade que faltem médicos", disse ao JN o presidente da ERS. Álvaro Almeida realça que "O estudo concluiu que 5% dos utentes não têm médico de família", o que não significa que sejam insuficientes. "Estão mal distribuídos, com muitos distritos abaixo do padrão do PNS". O texto, aliás, reconhece que "a capacidade potencial de resposta da rede de Centros de Saúde face à população residente é mais reduzida nos distritos urbanos do litoral, com excepção de Coimbra, Lisboa e Setúbal".

O coordenador da Missão para os Cuidados Primários, Luís Pisco, alerta para o risco de se olhar para médias nacionais. E também argumenta com a má distribuição de médicos. "Nos centros de Lisboa e do Porto, a perder população, se calhar há médicos a mais, mas nas periferias já não é assim".

Contudo, numa análise mais fina, a ERS avaliou a relação entre o número de médicos e a população que mais cuidados precisa: dos zero aos quatro e além dos 65 anos. E concluiu que as regiões com mais pessoas nestas idades são as que revelam maior rácio de médicos por habitantes.

Avaliando a oferta de cuidados no que toca à proximidade física, o estudo conclui que só 0,03% da população (35 localidades, metade delas em Viana do Castelo e Faro) vive a mais de 30 minutos de um centro ou extensão de saúde. E as regiões com mais população são as que mais unidades têm por cada cem km quadrados. Conjugando este dado com o número de médicos, constata-se que Braga, Bragança, Viseu e Portalegre são as subregiões de saúde com piores graus de acessibilidade.

Fonte: Jornal de Notícias

 

Data de introdução: 2009-02-18



















editorial

Plano interministerial e intersectorial para a Saúde e Longevidade da população (I)

O caminho da consciencialização pública e política sobre a necessidade de um Plano interministerial e intersectorial para a Saúde e Longevidade da população, cuidando do envelhecimento ao longo da vida, tem já um longo...

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Por uma democracia melhor
Vivemos num regime democrático. Este modelo de governação não é novo. Remonta aos tempos da Grécia Antiga. Não sendo, ainda, um modelo perfeito, é...

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

PSU: um regresso à inserção ainda por confirmar
Volto ao tema da Prestação Social Única, que tratei no artigo anterior. A simplificação dos apoios sociais é, em si mesma, uma boa ideia. O problema estava —...