FORJÃES

Jornadas Culturais da ACARF

Dando continuidade ao trabalho iniciado no ano 2000, no seguimento de uma nova preocupação da associação, a cultura, a ACARF (Associação Cultural Artística Recreativa de Forjães) levou a efeito as “6.as Jornadas Culturais”, que decorreram no dia 25 de Março, assinalando, desta forma, o seu 23º aniversário.

As Jornadas iniciaram por volta das 17h, com a cerimónia de inauguração das obras de remodelação e ampliação da sede, na qual estiveram presentes o pároco da freguesia, P.e António Laranjeira, que procedeu à benção, o vice-presidente e a vereadora da cultura da Câmara Municipal de Esposende, respectivamente o Dr. Jorge Cardoso e a Dr.ª Emília Vilarinho, um representante do Centro Distrital de Segurança Social, a Dr.ª Cristina Sanches, o director do Centro de Emprego de Barcelos, Sr. José Carlos Gomes, o presidente da Junta de Freguesia de Forjães, Sílvio Abreu, para além de outras individualidades.
Depois da Benção, foi descerrada uma placa comemorativa, seguindo-se uma visita às remodeladas e ampliadas instalações, terminando com uma exibição das equipas do gira-vólei, no renovado pavilhão.
A segunda parte das jornadas teve lugar no Centro Cultural de Forjães, pelas 21h, consistindo numa conferência subordinada ao tema “Terceira Idade: Ontem, Hoje e Amanhã”.
O evento teve início com um momento musical, a cargo do Grupo de Fados da Associação “A velha Guarda”, de Braga, que encantaram e contagiaram o auditório presente.
Seguiu-se um momento de homenagem à ACARF, com a entrega do prémio “Clube de mérito 2005”, do Instituto do Desporto, em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pela associação durante o ano transacto, com especial destaque para a orientação, com uma atleta a sagrar-se campeã nacional na sua categoria. O prémio foi entregue pelo responsável da modalidade, José Henrique Brito, que tinha estado na cerimónia oficial em representação do presidente.
Na sessão de abertura, o presidente da ACARF, Eng. José Salvador Ribeiro, começou por chamar os elementos integrantes da mesa, o Dr. Jorge Cardoso, na qualidade de presidente da mesa, a Dr.ª Emília Vilarinho, moderadora, e os conferencistas. De seguida, fez referência à inauguração da tarde, reforçando que as obras tornarão possível um melhor serviço aos utentes, anunciando mesmo a próxima aquisição de uma viatura equipada com plataforma elevatória, que possibilitará o transporte de utentes com dificuldades de locomoção. Seguidamente, enquadrou estas jornadas no programa cultural da associação e explicou a razão do tema escolhido, salientando que também a associação está preocupada com os idosos, tentando ir de encontro a uma problemática actual, pois os idosos são cada vez em maior número devido ao aumento da esperança média de vida.
Depois de dar as boas-vindas a todos os presentes e agradecer aos elementos da mesa, a moderadora congratulou-se com a escolha do tema, devido à sua actualidade e pertinência, passando de imediato a palavra aos conferencistas, que foi apresentando conforme iam intervindo.
Reflectindo sobre “As Políticas para a terceira idade”, a Doutora Esmeraldina Veloso, do I.E Psicologia, da Universidade do Minho, historiou a forma como têm sido tratados os idosos e apresentou alguns desafios actuais.
Referiu que durante o século XIX e até à década de 70 a questão dos idosos era tratada na esfera doméstica, e que só quando não existia este suporte eles eram levados para os asilos., não havendo qualquer política específica para a terceira idade. Alguma mudança ter-se-á verificado com o Estado Novo, com o início das reformas, mas estas não englobavam todos os cidadãos.
Na década de 70, a partir do 25 de Abril, verificaram-se profundas mudanças. Para além de a protecção social (reformas) começar a ser um direito de todos os cidadãos, começa a haver uma política específica para esta faixa etária, a partir de 1976, o que levou ao surgimento de Centros de Dia, apoio domiciliário, mantendo o idoso dentro do seu núcleo familiar, ao contrário da visão “asilar”.
Salientou, contudo, a existência de um grande problema, que ainda persiste e a que urge dar resposta: não há uma política global, que englobe também os domínios da saúde e da habitação. Por isso, afirmou, “”é necessária uma maior responsabilização do estado, estabelecendo parcerias com as instituições”, o que constitui um desafio às IPSS, no sentido de aumentarem e melhorarem os seus serviços.
Tomando a palavra, a Dr.ª Cristina Sanches, do Centro Distrital de Segurança Social de Braga, abordou a temática d`O Envelhecimento e As Novas Respostas Sociais”.
Começou por apresentar uma panorâmica da situação actual, com indicadores demográficos que apontam para o aumento da esperança média de vida, graças aos progressos da medicina, exigindo-se, por isso, novas respostas, desde os Centros de Convívio, apoio domiciliário, cuidados continuados, unidades de convalescença, de média e longa duração, cuidados paliativos, afirmando que o estado deve ter um papel mais interventivo, fomentando a interacção entre políticas e apoiando a criação dos novos serviços.
Terminou dizendo que é importante reconhecer o valor do idoso e deixar cair o “mito do jovem”, rematando com a citação de Gabriel García Marquez: “A vida de uma pessoa não é o que lhe aconteceu, mas o que ela recorda e como o recorda”.
Aos professores Rui Pereira e Tadeu Santamarinha coube a tarefa de apresentar as “Actividades Desenvolvidas no Concelho de Esposende”. O primeiro, administrador da empresa municipal Esposende 2000, depois de realçar que os primeiros passos se deviam a um forjanense, o professor Domingos Carvalho, apresentou o projecto “Desporto não tem idade”, que tem por base o lema “”Dar Vida aos anos”(Bento: 1991), assente em três áreas: hidroginástica, com 70 participantes, Capoeira, com 120 participantes, e Ginásio, com 40 participantes, tendo como objectivo para o ano 2010 chegar aos 200 participantes em cada modalidade.
O professor Tadeu Santamarinha apresentou mais em pormenor a valência do ginásio, salientando que o exercício físico é o melhor instrumento da saúde, pois, “reduz 50% o risco de doenças cardíacas”, afirmando que 80% dos cancros estão relacionados com causas ambientais e a inactividade, segundo dados do INC.
Depois destas intervenções, a moderadora fez uma síntese das mesmas e abriu o debate, passando a palavra ao público.
As questões centraram-se nas perspectivas para as políticas de apoio à 3.ª idade face ao “estado de falência” da Segurança Social e nalguns estigmas sociais relativamente aos lares, a que a Dr.ª Cristina Sanches respondeu afirmando a não falência, embora reconhecendo as dificuldades e o problema de sustentabilidade, que exigem um maior controlo dos apoios e acordos. Relativamente aos estigmas afirmou-se a necessidade de uma maior informação e abertura dos lares à população.
Houve ainda questões mais práticas, em especial o facto de alguns médicos de família não autorizarem a participação no projecto da Esposende 2000. Como resposta, os professores Rui Pereira e Tadeu Santamarinha afirmaram a necessidade de uma melhor divulgação do projecto, em especial da sensibilização junto dos profissionais de saúde, ficando este aspecto como um desafio para o próximo ano.
Para terminar as jornadas usou da palavra o presidente da Mesa, que destacou alguns pontos das intervenções e salientou a importância de políticas integradas que mantenham os idosos nas suas famílias e os respeitem na sua autonomia e heterogeneidade

José Reis

29.03.2006

 

Data de introdução: 2006-04-06



















editorial

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