PATRONATO – CENTRO PAROQUIAL E SOCIAL SANTA MAFALDA, AROUCA

ERPI visa dar resposta a uma necessidade dos arouquenses

O Patronato – Centro Paroquial e Social Santa Mafalda (CPSSM) foi fundado em 1949 pelo padre Adriano de Sousa Moreira, com a prestimosa colaboração da Dona Mafaldinha, cuja casa, décadas mais tarde, acabou por ser adquirida pela instituição aos herdeiros, criando aí o polo central das suas instalações.
Em época em que muitas famílias não conseguiam criar os seus filhos por carências económicas, o Patronato nasceu com uma resposta de acolhimento para as filhas de Arouca cujos pais não tinham condições para as ter.
“Naquele tempo do Estado Novo, era tempo de uma pobreza acentuada, comparando com os dias de hoje! As famílias tinham filhos e não tinham capacidade de os educar, de manter os próprios filhos, mas os pais nunca os abandonavam, pediam ajuda. E o Patronato nasceu dessa necessidade que havia em Arouca”, explica o padre Luís Mário, atual presidente da instituição.
Esse continua a ser o motor da instituição e daí, depois de 76 anos dedicada às áreas da infância e da deficiência, avançou para a construção de uma ERPI.
“A ERPI surge, agora, exatamente no mesmo espírito, porque a filosofia desta casa continua a ser a mesma”, sublinha, acrescentando: “O apoio à infância e juventude não será descurado, porque todas essas respostas vão continuar. Agora, o Patronato é uma instituição que está atenta às necessidades da sociedade, que é dinâmica e não é algo estático. Assim, o Patronato entende, por bem, não por querer simplesmente ter, mas por querer ir ao encontro da necessidade da população, criar esta resposta nova, porque sabemos que há um grande défice desta valência para a terceira idade. O Patronato tem esta obrigação moral de ir ao encontro das necessidades da população e essa é a única razão para estarmos a construir uma ERPI”.
A obra está orçada em 5,4 milhões de euros, com um financiamento de 3,4 milhões do PRR, e tinha como prazo de conclusão o dia 30 de junho. Porém, à semelhança de muitas das empreitadas do género e no âmbito do PRR, ainda não está concluída, “mas não é por falta de pagamento, os atrasos são com o empreiteiro”, ressalva o padre Luís Mário.
A projetada ERPI é para 80 utentes, “um projeto ambicioso”. “Sabemos que é exigente do ponto de vista financeiro e que o conforto financeiro do Patronato vai ser menor, por isso recorremos a um crédito bancário, porque a instituição não vai deixar de cumprir com os seus compromissos, seja com os colaboradores, seja com os fornecedores ou outras entidades, porque temos outros pequenos projetos, como o CACI, em execução, e ainda a aquisição de dois novos veículos”, revela o presidente do Patronato, salvaguardando que a instituição “não deixa de ter conforto financeiro, porque as contas são razoáveis”.
Com uma longa história de apoio à infância e juventude, mas também a pessoas com deficiência, o Patronato, no último ano letivo, cuidava de 84 bebés na creche, 100 no Pré-Escolar e 80 no CATL. Já na área da deficiência, presta apoio a 15 jovens, através de um CAO que está a ser transformado em CACI, que terá uma capacidade de 29 utentes.
“A transformação de CAO para CACI funciona apenas a nível protocolar. Existe uma lei que exige transformações físicas e estas estão a ser executadas através do PRR e só no final de tudo é que será feita”, explica o padre Luís Mário.
Já sobre a Creche Feliz, “é um projeto de nível nacional que espelha o próprio nome, porque é um projeto feliz”, começa por dizer, acrescentando: “Nós vemos quem tem os filhos e, por norma, são casais jovens, em início de vida e de aquisição de própria casa, e sabemos que a creche era mais uma despesa no orçamento familiar. E é um projeto feliz porque os pais deixam de ter esse encargo. Agora, financeiramente, o valor que está a ser pago às instituições é um valor médio nacional. Sabemos que as zonas mais urbanas e com mais população têm um valor de creche mais elevado e que as regiões do interior, e as mais do interior do que nós, praticavam valores mais abaixo, pelo que, esta média, para o Patronato não foi prejudicial”.
Sobre a resposta mãe da instituição arouquense, o padre Luís Mário começa por referir que, “nos anos 1940, não era um Lar de Infância e Juventude (LIJ) como hoje, não tem nada a ver uma coisa com a outra”, porque “não havia protocolos com ninguém e era a própria sociedade que ajudava”.
“Mas a sociedade não é estática e, ao longo dos anos, fez com que este tipo de resposta se transformasse em LIJ, se estabelecesse um protocolo com o Estado e, neste momento, já não vai de encontro às necessidades apenas dos arouquenses, mas da sociedade em geral”, destaca, enfatizando: “O Patronato orgulha-se de formar muitas jovens, com algumas a seguirem para a universidade. O Patronato adquiriu mesmo um apartamento no Porto para ser residência universitária das nossas jovens. Neste momento, não está a ser utilizado com esse fim porque, como as nossas jovens têm problemáticas diferentes, por exemplo, a nível de saúde mental, agora o foco passa muito pelos cursos profissionais. A casa não está parada, pelo que a temos alugada para dar rendimento à instituição”.
Relativamente às alterações exigidas na ‘nova’ resposta Casa de Acolhimento, o padre Luís Mário é perentório: “Ou adaptamos as regras ao edificado, e não o contrário, e as coisas funcionam ou, caso isso não seja possível, o Patronato deixará de ter essa resposta”.
“Esta é uma casa que tem uns anos e foi feita com as regras em vigor ao tempo. Agora, adaptar uma casa feita naquele tempo para as regras de hoje é muito complicado. O que queremos fazer, e já apresentámos uma contraproposta, é o que é possível fazer com este edificado. De todo, não vamos deitar o edificado abaixo para construir algo novo. Por isso, apelamos ao bom-senso”, afirma, lembrando que esta “é uma resposta deficitária face ao quadro de pessoal que é necessário ter e tudo o resto que é preciso para funcionar, como medicamentos, roupa e outras coisas”.
O dirigente aponta ainda uma falha ao sistema, que acaba por não beneficiar a jovem utente e por dificultar a vida à instituição: “E há uma regra com que, pessoalmente, não concordo, não pela regra, mas pelo contexto, que tem que ver com o abono de família. Este é dado aos pais para os ajudar a criar os filhos, mas porque é que isso não sucede com as instituições, que são quem as cria e educa? Esse valor não vai enriquecer as instituições”.
E como seria Arouca sem o Patronato?
“Seria mais pobre, mas também seria mais pobre sem as outras instituições, porque uma terra que não cuida dos seus não é uma boa terra”.

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2026-07-14



















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