COVID-19 - TESTEMUNHO UDIPSS LISBOA

Luz ao fundo do túnel?

Com o intuito de traçar um retrato da situação das IPSS a nível nacional perante a pandemia do novo coronavírus, fica o testemunho dos responsáveis pelas diversas estruturas intermédias da CNIS. Assim, aos dirigentes das Uniões Distritais e das federações da área da Deficiência que integram a CNIS foram colocadas duas questões sobre o momento atual.

CARLOS CÉSAR, UDIPSS Lisboa.

1 – Que balanço faz da pandemia nas IPSS do distrito?

"Em apenas sete semanas, desde que a OMS decretou pandemia, que a preparação de equipas e de meios nas respostas sociais tem sido um desafio permanente, superado pela maior parte das instituições do distrito de Lisboa. Muito tem sido noticiado pela situação tão extrema das ERPI e que nos lembra do que temos reclamado ao longo das últimas duas décadas, a começar pelo desligamento dos sucessivos Governos que não remuneram adequadamente estas respostas sociais e que não levam em linha de conta das necessidades de cuidados de saúde para esta população. Também em Lisboa observámos várias situações de infeção dos colaboradores e dos utentes, que obrigaram a acionar planos de contingência urgentes. Por outro lado, os dirigentes sentiram um enorme impacto nos rendimentos das suas instituições e consequentemente no delicado equilíbrio da sustentabilidade. Não se deve esquecer que o encerramento das respostas de infância, sem a adequada definição superior do que deveria ser alterado na comparticipação familiar, promoveu litígios e quebras de receita que deveriam ter sido evitados".

2 – Como perspetiva o futuro próximo?

"Os tempos que se avizinham vão trazer-nos outras preocupações e necessidades de ajuste no modus operandi de cada resposta social. Se por um lado é com enorme satisfação que iremos preparar o regresso dos nossos utentes, comos as crianças ou dos deficientes, surgem preocupações de vários níveis, que podemos agrupar em dois grupos. Um em medidas de combate à epidemia e outro em medidas de combate à crise económica. Assim, teremos de assegurar que nos nossos estabelecimentos não vão contribuir para o alastrar da pandemia. É crucial o desenvolvimento de manuais de atuação, bem como o acompanhamento célere de qualquer dúvida ou dificuldade por parte dos cuidadores. Por outro lado, as famílias dos utentes, que farão parte da população que voltará à sua atividade diária, estarão em situação de contágio iminente, tornando real o risco de transmissão societária da doença que entrará nas nossas portas.  Outro aspeto muito preocupante é a crise económica que já estamos a sentir na população que apoiamos, já bem evidente nos pedidos de apoio às mensalidades ou nos pedidos de apoio alimentar. De uma forma geral, as IPSS do distrito têm sentido apoio por parte das autarquias e este reconhecimento deverá ser feito pelo Sector Social. Mesmo sabendo que o Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas irá, nos próximos meses, duplicar o apoio no fornecimento de alimentos e acompanhamento às famílias, será importante definir outros programas que amenizem as preocupações das famílias. Por último, é essencial que a CNIS e as Uniões Distritais continuem a responder de pronto às solicitações e pedidos de esclarecimento das suas associadas, mas também que façam chegar aos dirigentes políticos as necessidades de medidas de combate ao contágio e à crise económica".

 

Data de introdução: 2020-05-07



















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