EUGÉNIO FONSECA

Por uma democracia melhor

Vivemos num regime democrático. Este modelo de governação não é novo. Remonta aos tempos da Grécia Antiga. Não sendo, ainda, um modelo perfeito, é aquele que melhor assegura, entre outros, dois princípios fundamentais para que os cidadãos, individual e/ou coletivamente, vejam respeitada a sua dignidade como pessoas. Refiro-me à liberdade e à participação. Como sabemos, a própria etimologia da palavra “democracia” aponta para o cumprimento destes dois princípios. Ela associa duas palavras gregas: “demos” (povo) e “kratos” (poder). Quer significar o poder do povo que se exprime no direito que tem de eleger quem quer que governe e de participar nas tomadas de decisão. Quando não se criam condições motivadoras, conscientes e responsáveis para a prática destes direitos, a democracia fica ameaçada. Este perigo expressa-se na progressiva abstenção do povo quando é chamado a escolher os governantes, assim como na falta de interesse por criar e manter as Organizações que têm a finalidade de cooperar com o Estado no desenvolvimento e concretização das políticas que visam o bem-estar de todos. A liberdade e a participação constrói-se na medida em que o povo e as instâncias que os representam sintam que a fundamental preocupação dos governantes é a construção do bem comum e não a defesa de interesses corporativos, por mais poderosos que sejam eles de qualquer natureza. A democracia constrói-se sempre que são fortalecidos os poderes legislativo, governativo e judicial. Mas para que tal aconteça é indispensável o contributo do poder local e dos órgãos intermédios, pois através deles melhor se concretiza outro dos princípios fundamentais para a vivência democrática que é a subsidiariedade. Trata-se de um procedimento que, antes de mais, responsabiliza o povo, porque aponta para o dever de corresponsabilidade que todos têm, na cooperação em tudo o que a todos diga respeito.

Aquilo que podem fazer os cidadãos e as suas organizações, não deve ser exigido ao poder local nem ao governo nacional que o faça. É no cumprimento deste princípio, com o qual estão relacionados a liberdade e a participação, que se fundamenta o direito de associação. Para uma melhor organização da sociedade, também é esperado que todos respeitem as leis e normas justas e denunciem as que desrespeitem o princípio da equidade. Espera-se também que o poder judicial faça cumprir estas determinações com critérios que se apliquem a todos, independentemente do estatuto económico e social.
Ao Estado pede-se a criação de políticas públicas que providenciem outros dois princípios fundamentais que são a justiça social e a solidariedade, para que ninguém fique excluído das oportunidades que conduzem a melhores condições de vida. Por outro lado, o Estado deve criar condições para que não se permita a concentração da riqueza nas mãos de poucos, em detrimento da maioria. Para uma melhor concretização destes atributos o governo central deve partilhar o seu poder com as autarquias e as organizações da sociedade civil, através da celebração de acordos transparentes, sérios, seguros e sem dualidade de critérios. Os que exercem a política ativa assumam essa nobre forma de cidadania como um serviço e não uma profissão, alicerçados em fundamentos éticos que prestigiem os seus comportamentos. Sejam, ainda capazes de secundarizarem as suas ideologias, sempre que estiver em causa a resolução de problemas que atentem contra a dignidade dos cidadãos e a defesa e proteção dos animais e do ambiente. Nas suas relações políticas deem exemplo de urbanidade.
Quanto melhor for a democracia maior será a corresponsabilidade de todos e se caminhará para que haja mais “amizade social”.

 

Data de introdução: 2026-08-12



















editorial

Plano interministerial e intersectorial para a Saúde e Longevidade da população (I)

O caminho da consciencialização pública e política sobre a necessidade de um Plano interministerial e intersectorial para a Saúde e Longevidade da população, cuidando do envelhecimento ao longo da vida, tem já um longo...

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Por uma democracia melhor
Vivemos num regime democrático. Este modelo de governação não é novo. Remonta aos tempos da Grécia Antiga. Não sendo, ainda, um modelo perfeito, é...

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

PSU: um regresso à inserção ainda por confirmar
Volto ao tema da Prestação Social Única, que tratei no artigo anterior. A simplificação dos apoios sociais é, em si mesma, uma boa ideia. O problema estava —...