OCDE

Diminuiu número de estrangeiros a viver em Portugal

O número de estrangeiros a viver em Portugal passou dos 454.000 em 2009 para 401.320 em 2013, um recuo explicado pela recessão económica e pela subida do número de naturalizações, segundo dados da OCDE hoje divulgados.

De acordo com o relatório Perspetivas das Migrações Internacionais -- 2015", divulgado hoje, em Paris, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), "o número total de estrangeiros vivendo em Portugal passou de 454.000 em 2009 a 401.320 em 2013, uma queda de quase quatro por cento em relação ao ano anterior (2012)". "Este recuo é explicado pela recessão económica e pela subida no número de naturalizações", indicou ainda o relatório anual da OCDE. "À exceção dos cidadãos de países asiáticos e, mais recentemente, da América do Norte, o número de estrangeiros provenientes de todos os continentes diminuiu", indicou o estudo.

Segundo dados recolhidos junto do Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, "o número de trabalhadores estrangeiros situou-se em 114.000 em 2013, 4,5% dos trabalhadores abrangidos por esta fonte, dos quais se excluem os trabalhadores independentes e a maioria dos funcionários públicos".

As categorias "atividades de serviços administrativos e apoio" e "atividades de alojamento e restauração" representam cada uma 19% do emprego estrangeiro, vindo a seguir "comércio grossista e retalho", "reparação de veículos (14%) e "atividades transformadoras" (10%).

Segundo os serviços públicos de emprego, 27.800 estrangeiros foram registados como desempregados em 2014, a taxa mais baixa desde 2008, tendo sofrido uma queda de 20% em relação a 2013. "No total, um saldo migratório negativo de 36.200 pessoas foi registado em 2013", segundo o relatório da OCDE.

Após um ligeiro aumento em 2012, o número de vistos de longa duração recuou novamente em 2013, para os 14.400, essencialmente devido à queda do número de vistos de estudantes, que passaram de 8.700 em 2012 para 3.300 (23% do total) em 2013.

No entanto, o aumento do número de vistos de trabalho acelerou, situando-se em 5.000 (42% do total) em 2013, mais do que os 3.200 em 2012.

Mais de um quarto dos vistos de trabalho em 2013 foram para trabalhadores altamente qualificados e outros 2.700 vistos de longa duração (19% do total) foram passados por razões familiares.

Mais uma vez, o Brasil é o principal país de origem dos requerentes de vistos de longa duração, com 28% do total, embora a sua importância tenha diminuído, segundo o estudo.

Os países lusófonos representaram 4.400 vistos de longa duração em 2013, tendo cidadãos europeus obtido 1.200 vistos, incluindo os 480 requerentes da Europa de Leste.

A queda do número de novas autorizações de residência que começou em 2008 e continuou em 2013, caindo para 33.220 autorizações, um decréscimo de 54% ao longo deste período.

A composição dos detentores de autorizações de residência em 2013 modificou em relação ao ano precedente: os brasileiros são duas vezes menos (6.700), representando um quinto do total, enquanto o número de cidadãos da União Europeia fica relativamente estável (12.900 em 2013).

O número de autorizações emitidas aos nacionais de países que aderiram à UE aumentou ligeiramente. Os cidadãos de países asiáticos e da Oceania obtiveram 5.400 autorizações de residência (16% do total) em 2013, mil a mais do que em 2012.

O número de requerentes de asilo aumentou desde 2008, chegando a 510 em 2013, mas caiu em 2014, ficando nos 440 pedidos, mas que ainda é um número superior em relação à década anterior.

Se os pedidos de asilo da Síria, Guiné-Conacri, Nigéria e Senegal têm diminuído, o número de requerentes de asilo da Ucrânia tem aumentado significativamente, passando de dois em 2013 para 160 (36% do total) em 2014.

O número de naturalizações situou-se em 24.500 em 2013, um aumento de 12% em relação a 2012. Os países africanos lusófonos representam 38% do total e o Brasil 21%, em proporções semelhantes aos anos precedentes. "Um novo regime aplicável aos investidores imigrantes, previsto na lei sobre a migração de outubro de 2012 e que entrou em vigor em setembro de 2012, visa atrair imigrantes qualificados e aqueles que queiram investir no país", indicou o estudo, referindo-se aos chamados "vistos gold", explicando inclusive os investimentos necessários para o efeito: 500 mil euros para projetos imobiliários e um milhão de euros para a criação de uma empresa e pelo menos 10 postos de trabalho.

O relatório referiu ainda os mais de 2.000 vistos de residência emitidos nesta categoria até 2014. A maioria destes vistos é emitida para chineses, depois para russos e angolanos.

 

Data de introdução: 2015-09-22



















editorial

Voltar a casa

Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

O risco de retrocesso nos apoios à vida independente
O Orçamento de Estado para 2026 foi justamente elogiado por se abster dos clássicos “cavaleiros orçamentais”, designação pela qual são conhecidas as...

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Que espero do novo Presidente da República?
Está próxima a eleição do novo Alto Magistrado da Nação. Temos mais duas semanas para que os candidatos, de forma serena, com objetividade e no âmbito dos...