SEMINÁRIO UDIPSS LISBOA

Para apanhar a onda da coesão e inclusão

O primeiro dia do seminário «Coesão e Inclusão – Apanha a Onda», a decorrer no Centro de Congressos do Estoril, em Cascais, foi dedicado à temática da Saúde.
Apesar de não ser um dos temas em debate nos quatro painéis que preencheram o primeiro dia de trabalhos a questão da separação institucional do que é da Saúde e do que é da Segurança Social acabou por ser falado em todos. É que muitas das IPSS da área da Saúde confrontam-se com problemas da área da ação social e vice-versa, sendo que o acompanhamento estatal não é o devido e peca sempre por defeito.
Na sessão de abertura, José Carlos Batalha, presidente da UDIPSS Lisboa, entidade organizadora do seminário, sublinhou que a iniciativa pretende criar uma onda que todos os agentes sociais devem apanhar.
“Esperemos que o trabalho das instituições sociais envolva todas as autarquias e mobilize todos os portugueses a apanharem esta onda”, referiu José Carlos Batalha, acrescentando: “Importa que as IPSS, com as autarquias, tenham uma voz ativa na construção das respostas sociais necessárias”.
Ainda antes de Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, dar as boas-vindas a todos os presentes e destacar o trabalho que a autarquia que lidera tem feito em prol do Setor Solidário, com o qual tem desenvolvido diversas ações, o presidente da CNIS, padre Lino Maia, após traçar um breve retrato da crise que Portugal tem vivido, recordou que “não houve IPSS que colapsasse”.
Depois, lembrou que existe “uma grande comunhão entre as instituições sociais” e que “o Estado reconheceu a importância das instituições e foi promovendo o seu trabalho em prol das pessoas”.
De seguida, o padre Lino Maia apontou alguns desafios que o Setor Social Solidário enfrenta e que passa pela parceria com as autarquias, pois ambas “têm as pessoas como desafio e futuro, pelo que é importante que deem as mãos”.
“É importante esta comunhão entre as entidades e, apesar de poder haver a tentação de erguer muros, é importante que tal não aconteça”, referiu o presidente da CNIS, acrescentando: “Ideias diferentes são bem-vindas, mas temos que estar sempre de mãos dadas. É na comunhão que melhor podemos resolver os problemas das pessoas”.
Seguiu-se o primeiro painel com a moderação de Filomena Barros, jornalista da Rádio Renascença, e a participação de António Leuschner, presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental, Manuel Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, e ainda Luís Gardete Correia, presidente da APDP – Associação Protetora da Diabetes Portuguesa, a maior IPSS da área da saúde em Portugal.
“O Estado devia encarar-nos como parceiros e não como entidades complementares”, afirmou Luís Gardete Correia, uma frase que resume bem muito do que foi dito neste primeiro painel.
Apesar de convidados, a maioria dos grupos parlamentares não se fez representar no segundo painel do seminário, tal como o ministro da Saúde, Paulo Macedo, que foi representado por Luís Pisco, vice-presidente da ARS Lisboa. Dos partidos com representação parlamentar apenas o PSD esteve presente pelo deputado Ricardo Batista Leite. Se o parlamentar baseou a sua intervenção no recente relatório emitido pela OCDE, já o representante do ministro preferiu o estudo elaborado pela Fundação Calouste Gulbenkian, lembrando que é necessário mudar o habitual discurso sobre hospitais e doenças para um que se centre nas pessoas e na saúde. A moderação esteve a cargo de Maria João Quintela, presidente da Associação Portuguesa de Psicogerontologia e membro da Direção da CNIS.
Da parte da tarde, Castro Caldas, diretor do Instituto das Ciências da Saúde, fez uma intervenção que foi uma verdadeira pedrada no charco. O também professor universitário defendeu que, “em termos neurológicos, o social é o tecido em que cada pessoa é uma célula”, sublinhando que “a relação com os outros é fundamental” e que “a vida é cognição”, pelo que “mais do que aplicações informáticas para ajudar as pessoas de idade é preciso arranjar-lhes um amigo”.
A fechar, Castro Caldas asseverou que “a formação é fundamental”, pois só assim quem trabalha nas instituições pode ajudar os utentes.
A fechar o primeiro dia de trabalhos, quatro instituições do concelho de Cascais – Associação Vitaminos, Associação Mundo a Sorrir, Associação Prevenir e Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos – apresentaram alguns dos projetos que têm no terreno, como exemplos de boias práticas na área da saúde.
Para descomprimir de um dia repleto de informação, o Coro ARIPSI – Associação de Reformados Idosos da Póvoa de Santa Iria, de Vila Franca de Xira, e a Orquestra de Jovens da Escola Frei Gonçalo de Azevedo protagonizaram um pequeno momento lúdico.

P.V.O.

 

Data de introdução: 2015-05-28



















editorial

IDENTIDADE E AUTONOMIA DAS IPSS

As IPSS constituem corpos intermédios na organização social, integram a economia social e são autónomas e independentes do Estado por determinação constitucional.

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Eleições Europeias são muito importantes
Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu foi escandaloso o nível de abstenção. O mesmo tem vindo a acontecer nos passados atos eleitorais europeus

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

Habitação duradoura – a resposta que falta aos sem abrigo
As pessoas em situação de sem-abrigo na Europa, em 2023 serão cerca de 900 mil, segundo a estimativa da FEANTSA (Federação Europeia das Associações...