Creches: Casa Cheia!

maia@paroquia-areosa.pt

É verdade! Foi notícia em toda a comunicação social escrita.
Por informação da insuspeita Deco, ficaram as famílias portuguesas a saber que as creches das IPSS estão completamente cheias, já com longas listas de espera.
É uma boa ou uma má notícia?- Porque terá sido notícia?

Sabendo-se que há falta de creches, esta notícia poderá ter como objectivo alertar o Governo para a necessidade de mais creches para dar resposta social a muitas famílias que se vêem impedidas de organizar a sua vida profissional e laboral sem resolver o problema das suas crianças mais pequeninas. Cá está uma boa explicação!

Mas também pode haver quem estranhe que, numa altura em que tantas famílias se candidatam desesperadamente a uma adopção, tantas crianças se vejam sem um colo e sem um lugar numa creche!

Entretanto, o "barco do aborto" anda por aí a passear no alto mar a acenar a muitas mulheres com um aborto facilitado, numa espécie de intervenção preventiva para se não verem nos braços com uma criança que não podem criar, por falta de condições!

Já agora, não haverá por aí outros movimentos que mandem para um aeroporto internacional cá por perto um avião/clínica para ajudar tantas famílias que bem desejariam ter um filho, mas por falta de condições monetárias, para fazer os adequados tratamentos, não podem ver realizado esse sonho?! Também são mulheres portuguesas, trabalhadoras, que sofrem e precisam de ajuda!

Em vez de se recorrer a soluções mediaticamente vistosas, não seria mais sério procurar na inteligência e no coração oportunidades para valorizar a vida de quem ainda a não tem e de quem, tendo-a, luta com tantas dificuldades para a viver com dignidade e alegria? 

Por outro lado, todos nós nos assustamos quando lemos o país demograficamente, por verificarmos a queda brusca de natalidade que ameaça o nosso presente e futuro colectivo.
Afinal, em que ficamos: queremos ou não queremos crianças?
Curiosamente, é no ventre de mães adolescentes que é gerada uma percentagem demasiado grande de crianças em Portugal.

Apesar da vergonha que tem constituído para o país o "caso Casa Pia" e outros muitos casos de abuso permanente de crianças menores, abusos que vão manchando as páginas dos jornais e as imagens das televisões, porque é que os portugueses ainda não saíram à rua a pedir JUSTIÇA e RESPEITO para as crianças de Portugal.
Não estaremos a precisar de uma MARCHA A SÉRIO que defenda a CRIANÇA como CRIANÇA, remetendo para a cadeia quem apenas se serve delas para fins inconfessáveis?
 
Agora que a palavra CRIANÇA até faz parte do nome de um Ministério, poderemos alimentar a esperança de que o Governo quer mesmo pensar numa "política de apoio à infância", dotando as famílias mais pobres de um maior apoio financeiro que lhes permita realizar o sonho de ver a sua casa alegrada com o sorriso e as traquinices dos filhos?

O novo Ministério da CRIANÇA estará na disposição de fomentar uma verdadeira "política de infância", designadamente através da recuperação dos "jardins-de-infância" (dos 0 aos 6 anos) em vez da chamada educação pré-escolar, que tem ficado muito aquém do que durante anos tantas IPSS fizeram através de "creche e jardim-de-infância", numa verdadeira politica sócio-educativa que tanto agradava às famílias? 

Neste caso, em vez de o Ministério andar entretido a ver se paga às famílias ou às Instituições aquilo que é preciso para se prestar um trabalho de justiça social nas remunerações dos trabalhadores envolvidos nestas respostas e de maior qualidade nos equipamentos e serviços prestados, promova com a CNIS três ou quatro reuniões a sério, e verá que é possível construir uma fórmula que permita ao Estado contar com as IPSS para a implementação de uma verdadeira "política de infância".

Solidariedade, Setembro de 2004

 

Data de introdução: 2004-10-07



















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