OPINIÃO

Ameaça confirmada - por A.J. Silva

Até há poucos dias, era visível a ameaça de uma guerra, cuja abrangência podia ser verdadeiramente assustadora. Hoje, essa ameaça parece ter perdido alguma força, para o que contribuiu decisivamente a recusa do parlamento britânico de uma intervenção militar na Síria. Apesar disso, o presidente Obama tornou oficial o anúncio de que os Estados Unidos vão atacar os pontos nevrálgicos do regime sírio.
Já lá vão mais de dois anos que o povo da Síria sofre os horrores de uma luta fratricida que já fez dezenas de milhares de mortos e provocou o êxodo de centenas de milhares de refugiados. As imagens de destruição que nos chegam de algumas cidades e dos campos de acolhimento de países vizinhos dão-nos uma ideia da tragédia que se abateu sobre um povo que tem uma história e uma cultura riquíssimas.
O mais surpreendente é que a reacção da comunidade internacional tem sido, pelo menos até agora, muito mais fraca do que foi por exemplo nos tempos que precederam guerra no Iraque. Basta recordar o clima de medo que atingiu a opinião pública de então perante a ameaça da “mãe de todas as guerras” como lhe chamava Sadam Husseim. Hoje, os avisos de Bashir al Assad sobre as consequências de uma intervenção internacional no seu país não provocaram ainda reacções muito visíveis nos países ocidentais, mas que, fatalmente, se farão sentir nos tempos mais próximos, logo após os primeiros bombardeamentos americanos.
Parece cada vez mais seguro, pesem embora todos os desmentidos de Assad, que o regime de Damasco terá ultrapassado a famosa linha vermelha que o presidente norte-americano se tinha imposto como limite para impedir uma intervenção militar: a utilização de armas químicas Tudo indicava pois pois que a Síria não escaparia a um castigo, mesmo que Obama não optasse por uma guerra terrestre.
Desta vez, e ao contrário do que sucedeu com George W Bush relativamente ao Iraque, o presidente norte-americano tem o apoio de todos os seus grandes aliados. Só que não pode contar com o voto do Conselho de Segurança, porque a Rússia e a China vetarão, em princípio, qualquer resolução que avalize uma operação militar contra a Síria. Mesmo assim, foi crescendo o sentimento de que, mesmo nesse caso, essa intervenção acabaria por se concretizar. O problema é que ninguém adivinha como ela poderá evoluir.
É difícil, pelo menos à primeira vista, entender os motivos que levam Moscovo a proteger tão claramente e tão pacientemente o regime da Damasco. Não se pode falar de solidariedade ideológica ou religiosa e não se podem invocar motivos económicos, como seria o caso de a Síria produzir matérias primas vitais para a Rússia. O que existe é “apenas” uma aliança que dura há umas dezenas de anos. Mas será isso suficiente para justificar um apoio que pode conduzir uma verdadeira guerra?

António José da Silva

 

Data de introdução: 2013-09-07



















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