OPINIÃO

Celebrações de quê? - por A. J. Silva

Terminou, pelo menos provisoriamente, o último conflito militar entre Israel e o Hamas, conflito a que alguns se referem como “guerra dos sete dias”, numa errada evocação da famosa guerra dos seis dias travada entre judeus e árabes, em Junho de 1967. Só que este último conflito de há três semanas, não se pode chamar uma guerra no sentido rigoroso do termo, pelo menos se tivermos em conta os meios envolvidos. Mas o facto é que, ao fim de sete dias, e independentemente da classificação, as duas partes em confronto aceitaram um cessar fogo, para alívio das grandes potências e para regozijo dos seguidores do Hamas, para quem o acordo constituiu uma grande vitória da resistência palestiniana. Daí, as manifestações que tiveram lugar no território de Gaza e que o mundo teve oportunidade de testemunhar.
É verdade que os palestinianos tinham alguns motivos para se regozijarem. O cessar fogo veio impedir a continuação dos bombardeamentos da aviação israelita que já tinham provocado mais de uma centena de mortos e um grande número de feridos entre a população, além de ter vindo suster o prosseguimento das destruições na cidade de Gaza. Só por isso, havia justificação para os palestinianos se manifestarem, embora seja difícil entender que tenham celebrado esse acordo como se se tratasse de uma vitória militar sobre Israel. Mas já se sabe que, num conflito deste género, a guerra psicológica é sempre necessária para manter a unidade e a confiança do povo. Só assim se compreende a festa dos palestinianos.
Os israelitas também não têm grandes motivos para festejar o cessar fogo, pelo menos de um modo muito efusivo. É certo que sofreram muito menos vítimas que os palestinianos, e é verdade que os mísseis inimigos não provocaram destruições comparáveis às que os seus aviões causaram em Gaza. Isso não obsta, no entanto, a que tenham experimentado, pela primeira vez, os efeitos do lançamento desses novos misseis na própria cidade de Telavive, o que veio aumentar o seu sentimento de insegurança e provar que, nos últimos tempos, os palestinianos reforçaram claramente a sua capacidade ofensiva. Se é um perfeito exagero o Hamas cantar vitória, também o governo israelita não pode reivindicar qualquer triunfo, nem no aspecto militar nem numa perspectiva política.
A conclusão é pois que esta guerra - chamemos-lhe assim – não serviu para nada, a não ser para provocar mais desgraças, e que a haver um vencedor, esse é, indiscutivelmente, o novo presidente do Egipto. Depois um primeiro tempo em que manifestou, de modo claro, a sua solidariedade para com o Hamas, levantado por isso graves preocupações no Ocidente, Mohamed Morsi empenhou-se, e com pleno êxito, na obtenção de um cessar fogo, alcançando assim um grande prestígio internacional, conseguindo mesmo agradar a americanos e palestinianos. Precisamente numa altura em que, no seu país, a conjuntura interna se complicava fortemente para ele e para o seu partido, o dos “irmãos muçulmanos”. Ele é pois o único a ter motivos para falar de vitória.

António José da Silva

 

Data de introdução: 2012-12-13



















editorial

Compromisso de Cooperação

As quatro organizações representativas do Sector  (União das Mutualidades, União das Misericórdias, Confecoop e CNIS) coordenaram-se entre si. Viram, ouviram e respeitaram. 

Não há inqueritos válidos.

opinião

JOSÉ A. DA SILVA PENEDA

Regionalização
O tema regionalização mexe com interesses. Por isso, não é pacífico. Do que se trata é de construir uma forma diferente de distribuição de poder e,...

opinião

ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

Primaveras que nunca chegaram
Morreu não há muito, em pleno tribunal onde iria ser julgado pela segunda vez, aquele que foi presidente egípcio entre 2012 e 2014, altura em foi deposto por um golpe militar...