OPINIÃO

A África e a China

Segundo uma notícia ainda recente, que não motivou nenhum título de relevo nos nossos meios de Comunicação Social, um alto responsável político da Nigéria tornou público o propósito de o seu governo não vender à China todas as toneladas de petróleo que o governo de Pequim se propunha comprar ao seu país, num negócio de milhares de milhões de dólares. Aparentemente, trata-se do primeiro governo africano a reagir, deste modo inesperado, àquilo que muitos já classificam como a ameaça do neocolonialismo chinês em África.

Tempos houve, e não vão assim tão longe, em que a China disputou com a então União Soviética a liderança ideológica dos movimentos de libertação que foram construindo a independência dos países do continente africano. Depois, no começo dos anos noventa, veio o colapso da União Soviética, a China renegou o maoismo, e substitui-o por uma nova e estranha ideologia que se pode chamar de comunismo capitalista ou de capitalismo comunista. O facto é que num tempo surpreendentemente curto, o antigo “império do meio” transformou-se numa superpotência económica, política e militar. E foi nessa nova condição que a China regressou a África, um continente que passou constituir um alvo prioritária da sua política externa.

O crescimento galopante do país, que nem mesmo a recente crise financeira e económica internacional conseguiu parar, precisa, urgentemente, de matérias primas indispensáveis, sobretudo de petróleo, que, apesar de possuir em abundância, não é, nem de longe nem de perto, suficiente para as suas necessidades. Sudão, Angola e Nigéria são pois alguns dos países africanos em que a China vê a garantia dessa suficiência. Mas o governo de Pequim tem necessidade ainda de outras matérias primas, sobretudo na área dos minerais, como a platina, o manganésio, o cobre e o ferro. Por todas estas razões, a África tornou-se, ao longo dos últimos tempos, destino de constantes deslocações dos líderes políticos chineses.

No seu começo, este regresso dos chineses a África foi recebido com entusiasmo pela maioria dos governos do continente. A troco das matérias primas que comprava, a China, além de pagar bem, oferecia ajuda económica e técnica e, sobretudo, não punha condições para o exercício da sua “generosidade” Ao contrário das capitais do ocidente, Pequim não fazia exigências relativas aos direitos humanos, nem ao Sudão, nem a Angola, nem a qualquer país com que tinha e tem de negociar, como aconteceu recentemente com a Guiné Equatorial. Só que, de há uns tempos a esta parte, começaram a ouvir-se vozes de alerta para os perigos de um novo colonialismo em África, desta vez protagonizado pela China. Desde os perigos da corrupção interna às ameaças ambientais. Essas denúncias têm partido de altos quadros da própria União Africana
Tudo indica, no entanto, que essas vozes não têm ainda força suficiente para impedir que a vaga chinesa se espalhe por toda a África. No imediato, o continente africano precisa tanto da China, como a China precisa da África.

Por António José Silva

 

Data de introdução: 2009-11-08



















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