GREVE DOS MOTORISTAS DE MATÉRIAS PERIGOSAS

E ao sétimo dia a greve terminou...

Depois de cerca de três horas de plenário com os trabalhadores, em Aveiras de Cima, o presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), Francisco São Bento, anunciou a decisão de terminar a greve que durava há sete dias.

Depois do Sindicato Independente dos Motoristas (SIMM) ter desconvocado o protesto a meio da semana, após um encontro com a Antram sob mediação do Governo, coube agora a vez do SNMMP pôr um ponto final na luta dos camionistas, com a garantia de fazerem negociações com a ANTRAM nesta terça-feira. 

Para já o sindicato vai advertindo que se houver "intransigência de posições" haverá novas jornadas de luta através de greve às horas extraordinárias e ao trabalho aos fins-de-semana e feriados.

A moção aprovada pelos trabalhadores no plenário de Aveiras deixa um conjunto de críticas ao Governo, como "a tentativa de restringir o direito à greve" com recurso a militares e o alinhamento com as posições da ANTRAM.

O presidente do sindicato, Francisco São Bento reconheceu, todavia, "estarem reunidas as condições" para voltar a negociar com a ANTRAM.

COMEÇAR DO ZERO

O porta-voz da ANTRAM, André Matias de Almeida, diz ao Expresso que a associação "saúda e congratula-se" com a decisão do plenário sindical deste domingo que pôs fim à greve. "É uma vitória do diálogo e a capacidade de negociação e não uma vitória de uma das partes", referiu o advogado. A ANTRAM manifesta "total abertura, lealdade e boa fé negocial".

Na terceira-feira "vamos retomar as negociações sob a mediação do governo, com total abertura de espírito, disponíveis para ouvir e respeitar os argumentos e posições do sindicato", acrescentou André Matias de Almeida.

Para a ANTRAM, "as negociações partem do zero, cabendo as duas parte apresentar soluções e defender os seus pontos de vista". A única condição que associação coloca era a das negociações "decorrerem em ambiente cordial, sem a ameaça de uma espada sobre a cabeça que a greve em curso representava".

NEGOCIAR DE BOA FÉ

O sindicato "vai negociar de boa fé e acredita que a disponibilidade manifestada pela ANTRAM é sincera e genuína", diz ao Expresso Pardal Henriques, o porta-voz do SNMMP. "Queremos ir para as negociações de mente aberta e sem uma espada sobre a nossa cabeça", acrescentou.

A "base de entendimento" que o sindicato vai procurar com a ANTRAM assenta em dois pontos: valorização salarial e horários de trabalho dos motoristas. Pardal Henriques declinou entrar em pormenores sobre estes dois pontos, mas realçou que na reunião de 10 horas no Ministério das Infraestruturas, os representantes do governo reconheceram que tal base "era um bom ponto de partida negocial".

A questão do horário de trabalho "é um ponto essencial porque leva "estes profissionais a fazerem um esforço excessivo e a correrem riscos sobre-humanos".

Na reunião de terça-feira "não vamos discutir propostas concretas, vamos sim procurar uma base negocial para depois se avançar". O sindicato não aceita que a ANTRAM se limite a apresentar o acordo que celebrou com os outros sindicatos. "Nem é isso que está em causa, não vamos avaliar propostas concretas", diz Pardal Henriques.

 

 

 

 

Data de introdução: 2019-08-18



















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