PADRE JOSÉ MAIA

Tenham vergonha... Pede o Papa Francisco!

Tem sido uma tradição ver a comunicação social a acompanhar com interesse a Via Sacra celebrada pelos sucessivos Papas na semana santa em Roma, uma vez que a mensagem papal dessa noite costuma ter presentes os maiores dramas humanos e sociais da Comunidade Internacional!

O Papa Francisco, com a sua habitual frontalidade, na noite da última Sexta-Feira Santa, foi especialmente duro na sua mensagem, ao afirmar:

“É vergonhoso dar como herança ao futuro um mundo fraturado por divisões e guerras, um mundo dominado pelo egoísmo onde os jovens, os fracos, os doentes e os idosos são marginalizados…Sintam vergonha por terem perdido a vergonha”.

 

Eis o contexto em que o Papa pronunciou estas denúncias:

- extermínio na Síria e falta de respeito ao direito humanitário para permitir que a população local tenha acesso à ajuda;

- confrontos entre Israel e Palestina com muitos mortos e milhares de feridos;

- a situação vivida no Iémen, país devastado por três anos de guerra;

- Crise política e humanitária na Venezuela, que o Papa classifica como uma “terra estrangeira” no seu próprio país;

Apesar de não se ter referido à grave crise de muitos sintomas de “guerra fria” que está ameaçar a paz internacional, as situações desumanas anteriormente referidas são motivo bastante para o seu apelo aos governantes das nações para que redescubram a capacidade de sentir vergonha pelo seu papel em relação aos problemas do mundo!

E concluiu o Papa: “…a vergonha deve ser vista como uma graça, uma virtude”!

Em face desta original e pouco habitual catequese do Papa sobre a vergonha, confesso que dá para entender melhor expressões como “desavergonhados” muitas vezes aplicadas a pessoas que desconhecem o sentido da palavra VERGONHA em comportamentos individuais, familiares e sociais!

Com a devida vénia do Papa Francisco, permito-me incluir nesta crónica algumas faltas de vergonha que têm acontecido neste país à beira mar plantado, atentatórias do bem comum, da justiça, da equidade, com a complacência de quem, sendo Poder, se tem revelado forte com os fracos, mas muito fraco com os fortes!

Como explicar o abuso de aumentos permanentes de impostos e taxas, obrigando muitos, demasiados portugueses, a viver a experiência amarga de desigualdades sociais para, com o seu sacrifício, ajudar a “limpar” contabilidades manhosas do “poder económico e financeiro” (PPP e Sistema bancário) que têm sabido obter de sucessivos governos luz verde para “privatizar lucros” e “nacionalizar prejuízos”!

É uma VERGONHA! NÃO HÁ DIREITO!

 

Pe. José Maia

 

Data de introdução: 2018-04-05



















editorial

Confiança e resiliência

(...) Além disso, há um Estado que muito exige das Instituições e facilmente se demite das suas obrigações. Um Estado Social não pode transferir responsabilidades para as Instituições e lavar as mãos quanto...

Não há inqueritos válidos.

opinião

José Leirião

A necessidade de um salário mínimo decente
Os salários, incluindo os salários mínimos são um elemento muito importante da economia social de mercado praticada na União Europeia. Importantes disparidades permanecem...

opinião

JOSÉ A. DA SILVA PENEDA

Muitos milhões de euros a caminho
O País tem andado a ouvir todo um conjunto de ideias com vista a serem aproveitados os muitos milhões de euros provenientes da Europa. Sobre o que é preciso fazer as coisas parecem...