UNICEF

500 Milhões de crianças fora do radar dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Mais de 500 milhões de crianças estão fora do radar dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, alerta a UNICEF num relatório, no qual demonstra preocupação com a "alarmante falta de dados" em dezenas de países.

Segundo os dados divulgados em comunicado pela UNICEF, a agência das Nações Unidas dedicada à proteção das crianças, a "alarmante falta de dados" acontece em 64 países, e em 37 outros, onde os dados podem ser monitorizados, regista-se um "progresso insuficiente".

"O relatório da UNICEF, Progresso para as crianças na Era dos ODS ("Progress for Children in the SDG Era"), é o primeiro relatório temático que avalia o desempenho para atingir os objetivos globais dos ODS que dizem respeito a crianças e jovens. O relatório alerta que 520 milhões de crianças vivem em países que carecem completamente de dados em pelo menos dois terços dos indicadores dos ODS relacionados com as crianças, ou que não possuem dados suficientes para avaliar o seu progresso - tornando essas crianças efetivamente 'incontáveis'", lê-se no comunicado.

No sumário executivo do relatório, a UNICEF destaca o paradoxo entre duas regiões: África subsariana e Europa.

A primeira, em comparação com outras regiões, apresenta os dados mais completos em todos os indicadores avaliados no âmbito dos ODS, mas é também aquela, pela avaliação que esses mesmos dados permitem, que está mais distante de alcançar as metas estipuladas até 2030.

A Europa, que já atingiu ou está em vias de atingir as metas para uma boa parte dos indicadores, é a região com maior falta de informação em alguns indicadores, o que, explica o documento, se pode justificar com o facto de, por exemplo, alguns dos indicadores avaliados não terem expressão no continente europeu, como a mutilação genital feminina, ou existirem, mas não ser possível recolher dados abrangentes, como o casamento infantil.

"Onde estão disponíveis dados suficientes, a escala do desafio lançado pelos objetivos dos ODS continua a ser assustadora. O relatório alerta que 650 milhões de crianças vivem em países onde pelo menos dois terços dos ODS estão fora do alcance se não existir um progresso acelerado. Na verdade, nesses países, o número de crianças a enfrentar dificuldades poderá ser ainda maior até 2030 do que até agora", lê-se no comunicado.

Há 44 indicadores para avaliar o progresso dos ODS no que diz respeito às crianças, distribuídos por cinco áreas relativas aos seus direitos: saúde, aprendizagem, proteção contra a violência e exploração, um ambiente seguro e igualdade de oportunidades.

Entre as projeções mais preocupantes extraídas do relatório a UNICEF destaca que até 2030 "mais 10 milhões de crianças poderão morrer de causas evitáveis antes do seu quinto aniversário; mais 22 milhões de crianças poderão perder o ensino pré-primário; mais 150 milhões de raparigas casarão antes dos 18 anos de idade; mais 670 milhões de pessoas, muitas delas crianças, ainda não terão acesso a água potável básica".

No que diz respeito aos ODS para garantir a sobrevivência e saúde das crianças, o relatório destaca que é neste domínio que há mais objetivos já atingidos ou no bom caminho para serem alcançados, sendo também aquele com mais dados monitorizáveis disponíveis.

Aprendizagem, proteção e igualdade de oportunidades são os domínios que apresentam a maior percentagem de falta de informação ou informação insuficiente, com taxas combinadas superiores perto dos 80%.

No caso da igualdade de oportunidades a falta de informação e informação insuficiente combinadas representam uma taxa de 97%, com o sumário executivo a salientar que avaliar o progresso nesta área foi, até agora, "quase impossível".

"O relatório apela a esforços renovados para enfrentar a deficiência global de dados", refere o comunicado que reforça a ideia de necessidade de envolvimento da comunidade internacional para garantir que os ODS são alcançados.

 

Data de introdução: 2018-03-07



















editorial

COOPERAÇÃO (Conclusões do Encontro Nacional)

A rede capilar de serviços sociais prestados pelas IPSS em todo o País, a todos, mas preferencialmente aos mais desprotegidos, desde o litoral urbano às periferias despovoadas do interior, corresponde a um mandato e possui um fundamento constitucional.

Não há inqueritos válidos.

opinião

ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

A América Central de novo em foco
Há uns anos atrás, alguns países da América Central motivaram um grande interesse da opinião pública internacional. Tudo porque ali se travava uma guerra, embora...

opinião

PADRE JOSÉ MAIA

“PORTUGUESES: satisfeitos com o governo …insatisfeitos com a VIDA”!
Foi exatamente esta a mensagem que o jornal PÚBLICO adotou, recentemente, como título de primeira página.