ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

Estados Unidos e Rússia: uma relação menos clara

Nos anos que mediaram entre o fim segunda guerra mundial e o desaparecimento da União Soviética, as relações entre a Rússia e os Estados Unidos foram sempre muito claras. Eram relações próprias de países inimigos, que buscavam a liderança do mundo à frente de dois blocos políticos e militares, a NATO e o Pacto de Varsóvia. Apesar disso, nunca chegaram a cortar relações, conseguindo mesmo superar crises circunstanciais problemáticas, como aconteceu na chamada crise dos mísseis. Eram inimigos que conheciam bem os perigos que poderiam advir do agravamento dessas relações. De tal modo que até acordaram na instalação de um “telefone vermelho” para usar em momentos maior tensão.

Com o desaparecimento da URSS e a consequente crise social, política e militar que se abateu sobre a Rússia, esta perdeu o estatuto de superpotência de que gozara ao longo quase cinquenta anos. Foi uma crise que durou até Vladimir Putin chegar ao poder e iniciar o processo de recuperação política, económica e militar do país. Para alegria e orgulho da maioria dos russos, Moscovo pôde, desde então, encarar Washington sem qualquer complexo de inferioridade. De qualquer modo, as relações com os Estados Unidos não voltaram propriamente ao tempo da chamada Guerra Fria, embora nos últimos dias do mandato de Barak Obama, se tenham agravado perigosamente. Na origem desta mudança estiveram as graves sanções que foram impostas à Rússia, por causa da Crimeia, e depois a alegada interferência de Moscovo na última campanha eleitoral para a presidência norte - americana.

Mesmo tendo um carácter nacional, qualquer eleição interessa sempre a outros países, sobretudo quando há o receio de os seus resultados significarem alterações que podem ser positivas ou negativas para esses mesmos países. De qualquer modo, esse interesse não chega, geralmente, ao ponto de levar a ingerências mais ou menos visíveis nos respectivos processos eleitorais. Ora, pelo menos aparentemente, a Rússia terá cometido essas ingerências na campanha que levou Donald Trump à Casa Branca.

Acrescente-se, no entanto, que esta acusação insistente dos responsáveis do partido democrata americano atinge mais o novo inquilino da Casa Branca do que propriamente o Kremlin. Tudo porque membros da sua equipa de campanha, e mesmo da sua família, são acusados agora de terem procurado ou, pelo menos, terem “aceite” essas alegadas ingerências. Pode assim dizer-se que após a chegada Donald Trump ao poder, as relações entre os Estados Unidos e a Rússia não ficaram piores nem melhores do que já eram. Ficaram, isso sim, mais confusas, como se pode concluir das diferentes reacções da Casa Branca e do Senado a um possível endurecimento das sanções norte-americanas contra a Rússia. E, nesta matéria, a confusão é sempre um perigo.  

 

Data de introdução: 2017-08-10



















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