ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

Um problema insolúvel?

As últimas notícias referentes ao drama de todos aqueles que fogem dos seus países para a Europa, em busca de uma vida melhor, atingiram, durante o mês de Agosto, um dramatismo impossível de suportar. Em primeiro lugar, pelo número de vítimas provocadas pelas tentativas de fuga, por mar ou por terra, mas sobretudo por mar. O Mar Mediterrâneo transformou-se num grande cemitério onde jazem sepultados milhares de homens, mulheres e crianças que não chegaram a conhecer o “paraíso” que exploradores sem escrúpulos lhes prometeram, muitos deles oriundos de países distantes e obrigados a atravessar regiões tão perigosas como inóspitas. Em segundo lugar, pelas terríveis condições em que decorre essa fuga, mesmo quando esta se faz por terra. O que aconteceu há poucos dias na Áustria, num camião de carga, diz bem dos riscos a que se sujeitam esses fugitivos, mesmo por terra.

As notícias e as imagens dessas tragédias abalaram ainda mais os responsáveis políticos e a opinião pública internacional. Que isto não pode continuar, pensaram quase todos, e muitos deles o afirmaram, sobretudo na Europa. Mas como travar este processo, ao mesmo tempo irracional e desumano? Com mais uma Cimeira que se arrisca a ser tão ineficaz como a anterior? Afinal, a proposta de distribuição matemática dos refugiados pelos vários países europeus não saiu praticamente do papel. Com, o recurso a muros de arame ou de cimento a dificultar ou a impedir o salto para território europeu? Com a utilização de forças militares com se os refugiados fossem inimigos?

Nenhuma destas perguntas tem resposta fácil, sendo que as duas últimas são completamente impensáveis. A construção de muros e a utilização de forças militares para impedir a chegada de refugiados são incompatíveis com a imagem de uma Europa que se pretende fiel às suas origens e valores. Nesses aspecto, a resposta da chanceler alemã, Angela Merkel, aos movimentos extremistas que se têm vindo a fazer ouvir no seu país contra o acolhimento dos refugiados bem merece ser apontada como exemplo, mesmo que isso custe a quantos dela fizeram, mesmo em Portugal, o bode expiatório da crise por que passaram alguns países do sul da Europa.

É certo, no entanto, que a reacção da chanceler alemã não é suficiente, como não é suficiente, para responder ao desafio, o número de mais de oitocentos mil refugiados que a Alemanha se disponibiliza para receber.

É por estas e outras razões, que não falta quem pense que estamos perante um problema insolúvel

António José da Silva

 

Data de introdução: 2015-09-14



















editorial

Autonomia das IPSS

Um provedor para zelar pela autonomia de todas as IPSS só seria admissível se fosse escolhido pelo conjunto de todas as IPSS, de todas as suas origens, de todas as afinidades e de todas as Entidades Representativas. 

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Estado e Sociedade - complementaridade e cooperação
As relações entre o Estado e as diferentes Organizações da sociedade civil têm sido alvo de muitos debates, mas permanecem em muitas mentes algumas...

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

Creche gratuita: o compromisso cumpre-se com vagas
A gratuitidade das creches é um compromisso político forte com as famílias e, para muitas delas, uma esperança concreta. Mas só é real quando se traduz numa vaga...