EDITORIAL

PESSOAS COM DOENÇA DE ALZHEIMER

1. A 21 de setembro assinala-se o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer, data que pretende sensibilizar para uma doença degenerativa que afeta cada vez mais indivíduos.
Atualmente, cerca de 36 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de Alzheimer e, segundo as estimativas, a doença ultrapassará os 115 milhões de pacientes em 2050. De acordo com a associação Alzheimer Portugal, existem em solo luso cerca de 154 mil pessoas com demência, sendo que mais de metade padecem da doença.
Trata-se de uma doença que incide essencialmente nas pessoas idosas, com mais de 65 anos, e que numa primeira fase é de difícil diagnóstico, em consequência da sua associação às queixas relacionadas com o envelhecimento e à sintomatologia depressiva.
É uma doença que provoca uma deterioração progressiva do funcionamento cognitivo, suficientemente grave para ter repercussões na vida social, profissional, familiar e no comportamento. Os sintomas iniciais incluem perda de memória, desorientação espacial e temporal, confusão e problemas de raciocínio e pensamento, provocando alterações no comportamento, na personalidade e na capacidade funcional da pessoa, dificultando a realização das suas atividades de vida diária. Neste contexto, surgem alterações da memória, da linguagem, do humor, da personalidade, das atividades básicas e instrumentais da vida diária, da interação social e da autonomia, para as quais é necessário encontrar respostas.
Ao afetar as funções cognitivas da pessoa, a Doença de Alzheimer dificulta o acesso aos acontecimentos do quotidiano, o que, por si só, lhe retira uma parte substancial da vida, associada à diminuição da intencionalidade e do significado das ações, ou seja, impede-o de atribuir «valor» à interação com o seu contexto, diminuindo-lhe, de forma progressiva, a capacidade de conhecer os outros, a capacidade de conhecer o mundo, a capacidade de se reconhecer, e, inclusive, de ter acesso a todo o reportório de vida que o caracterizava.
Trata-se de uma enfermidade que tem como modo de ação extinguir a «conexão» que liga a pessoa à vida. A fonte que alimenta o pensamento (memória) vai secando, alterando de forma progressiva a capacidade de comunicação da pessoa.

2. Cuidar de uma pessoa portadora de Doença de Alzheimer é difícil, muito difícil. Requer disponibilidade, amor, conhecimentos, dedicação, paciência, solidariedade e, sobretudo, capacidade para cuidar de acordo com as necessidades de cada doente. A pessoa vítima da doença não é culpada pelo seu aparecimento nem pelas implicações da mesma nos diferentes domínios.
O envolvimento e o suporte às famílias é fundamental para a manutenção do conforto e da dignidade da pessoa com Doença de Alzheimer, visto que os cuidados geram grande desgaste físico e emocional para aqueles que lidam diretamente com o familiar doente.
Todos os esforços, individuais e coletivos que possam ser implementados para minimizar as consequências da doença são da maior importância.
Em Portugal, no Sector Solidário, para além de associações de familiares e amigos, há também outras Instituições particularmente vocacionadas para apoiar diretamente os portadores desta doença e indiretamente as suas famílias, nomeadamente com Centros de Dia (6) e Lares (7).
Porém, quase todas as outras Instituições com valências de apoio a idosos vão-se confrontando cada vez mais com pessoas com a doença de Alzheimer entre os seus utentes.

3. Celebrar o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer é oportunidade para prestar atenção a um problema de saúde que não pode cair no esquecimento:
- Alertando para a importância do diagnóstico precoce e para a necessidade de implementação de programas de estimulação cognitiva e funcional em estados precoces, com o objetivo de retardar o aparecimento de determinados sintomas, diminuir a sua gravidade e aumentar o número de anos com maior autonomia e funcionalidade;
- Estimulando a comunidade científica para continuar a investir em «ferramentas» que facilitem o diagnóstico e em modalidades de tratamento capazes de atenuar as repercussões da doença;
- Mentalizando a sociedade para este grave problema e para a necessidade de existirem respostas, capazes de manter a dignidade, o conforto e bem-estar das pessoas com Doença de Alzheimer;
- Prestando homenagem a todos os cuidadores que, de forma heroica, cuidam de pessoas com a Doença de Alzheimer;
- Realçando a necessidade de estabelecer um programa nacional de saúde mental e de criar um plano específico para as pessoas com demência e, no caso concreto, para as pessoas com Doença de Alzheimer, que contemple as condições básicas das instituições, a formação específica dos profissionais de saúde, as orientações de intervenção (normas de boa prática / padrões de qualidade) e descreva os direitos / deveres dos doentes e familiares;
- Sensibilizando a população em geral para a importância de promover um envelhecimento ativo, com estimulação da cognição e adotando estilos de vida saudáveis, como estratégia de prevenção e uma «via de eleição» para atenuar o impacto da Doença de Alzheimer, em termos individuais, familiares, sociais e comunitários.
Todos os esforços, individuais e coletivos que possam ser implementados para favorecer a saúde mental e minimizar as consequências da doença são da maior importância.

Lino Maia

 

 

Data de introdução: 2014-09-05



















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