PADRE JOSé MAIA

O Estado da Nação

Por estes dias, fez-se na Assembleia da República, o debate sobre o estado da Nação. Coincidentemente (ou não!), o Presidente da República, consciente do delicado momento político que se vive no país, convocou também o Conselho de Estado, com “uma ordem de trabalhos muito aberta” onde pôde ser incluído tudo o que os Conselheiros entenderam! Quando se esperava que a saída da troika viesse “aliviar a pressão” a que o país tem estado sujeito nos últimos três anos, fomos confrontados com uma turbulência político/partidária que não estava prevista na “agenda mediática” e, talvez por isso, esteja a provocar no país “ondas de choque” que poderão provocar curtos-circuitos políticos de dimensões imprevisíveis! Tudo isto era bem escusado, numa altura em que TODOS não somos demais para reduzir tantos danos de muitas CRISES que afetam centenas de milhar de portugueses!

A título de exemplo, transcrevo esta notícia que foi primeira página de um dos nossos jornais diários: “cortes nos apoios sociais atingem 550 mil pessoas”. A fonte destes dados é insuspeita: a Segurança Social, que confirma: “412 mil desempregados sem subsídio, menos 38 mil crianças a receber abono de família e mais de 45 mil pessoas que perderam o rendimento social de inserção, para além dos 38 mil idosos que perderam o complemento solidário a que tinham direito e as 2.389 crianças e jovens que ficaram sem subsídio de educação especial. Todas estas “más” notícias atingem 535.389 pessoas que perderam prestações sociais do Estado! Apesar de ficar aquém do montante do título (550 mil), continua a ser muita gente! Mais: um estudo publicado nestes dias, da responsabilidade do Relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, confrontou a opinião pública com dados estatísticos que, pela sua fundamentação, devem ser considerados muito preocupantes! E que dizer do baixíssimo índice de natalidade, dos atrasos no atendimento em urgências hospitalares, das imensas e incompreensíveis filas de espera, à porta das lojas do cidadão? Ou seja: com a saúde em crise, a natalidade ameaçada, os idosos cada vez mais pobres e sós e o desemprego que teima em não baixar, teremos de concordar que o ESTADO DA NAÇÃO anda pelas ruas da amargura! Claro que há sinais de esperança protagonizados por bons empresários/empreendedores e por uma “designada” sociedade civil, que vai cultivando a sua resiliência e, apesar de tudo e contra todos, (incluindo o Estado) vai vivendo a sua cidadania participativa. Valha-nos isso! Mas os portugueses merecem mais e melhor.

 

Pe. José Maia

 

Data de introdução: 2014-07-10



















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