CENTRO DE ESTUDOS DA CNIS

Desemprego Diferente?

O desemprego não deixa de ser, hoje, o que sempre foi. No entanto, algumas características levam-nos a considerá-lo bastante diferente. Ele apresenta-se como sistémico, endémico, desqualificante, irreversível e transformador. Outras características se poderiam acrescentar, mas estas bastam para mostrar a sua gravidade actual.
O desemprego é sistémico, e até societal, porque brota do próprio sistema económico e social em que vivemos; este sistema demonstra, cada vez mais que precisa do desemprego para subsistir. O desemprego é endémico porque se apresenta como doença contagiosa difundida por toda a sociedade. É desqualificante, na medida em que: os desempregados vão perdendo qualificações, e estas, mesmo quando altas, passam a ser menosprezadas. O desemprego é também irreversível não só no sentido literal, devido à falta de expectativas de emprego mas também porque este vem perdendo algumas das suas características fundamentais; na verdade, em muitos casos, os empregos são precários, mal remunerados, por vezes nem são propriamente remunerados, não garantem horários aceitáveis, nem o cumprimento da legislação laboral...O desemprego é potencialmente transformador, tanto no sentido positivo como no negativo; ele pode suscitar mais realismo na formação e acção, mais empenho na procura de caminhos, a reorganização de actividades, uma concepção diferente da economia e da sociedade, uma reconfiguração do sistema económico e social...; mas também pode suscitar a exploração do trabalho humano, o retorno do esclavagismo, visível ou disfarçado, maior concentração de riqueza, rendimentos e poder, em prejuízo dos desempregados, a acumulação de frustrações e a propensão para o desespero, a intransigência e outros atitudes extremas...
O Centro de Estudos da CNIS vem reflectindo sobre estes e vários outros problemas, sempre com os objectivos do esclarecimento possível e da procura de soluções. Também se esforça por responder a dois conjuntos de questões relacionadas directamente com a CNIS: podem e devem as IPSS ocupar-se dos problemas de desemprego e outros semelhantes? E, na hipótese afirmativa, como deverão actuar?

Acácio F. Catarino, Membro do Centro de Estudos da CNIS

 

Data de introdução: 2012-06-21



















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