LEI DO DIVÓRCIO

Nova lei é facilitadora e poderá aumentar número de divórcios

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, considerou que a nova lei do divórcio, promulgada pelo Presidente da República, é facilitadora e poderá levar ao aumento do número de divórcios em Portugal. "Estou convencido de que por detrás de toda esta lei do divórcio com certeza que acontecerão muitos mais divórcios, porque é tudo muito mais fácil", disse D. Jorge Ortiga, também Arcebispo de Braga.


D. Jorge Ortiga considerou que a legislaçäo última que tem saído nesta área, na "linha de facilitar, näo é normalmente o melhor caminho". "A lei devia apontar para caminhos, porventura, de alguma austeridade, mas que gerassem um verdadeiro bem-estar nas pessoas e nas famílias", sustentou à Lusa.

O Presidente da República promulgou hoje a nova lei do divórcio, mas deixou um alerta para as situaçöes de "profunda injustiça" a que este regime jurídico alegadamente irá conduzir na prática, sobretudo para os mais vulneráveis, "como é mais frequente, as mulheres de mais fracos recursos e os filhos menores".

Cavaco Silva salienta que esta é uma convicção "partilhada por diversos operadores judiciários, com realce para a Associação Sindical dos Juízes Portugueses, por juristas altamente qualificados no âmbito do Direito da Família e por entidades como a Associação Portuguesa das Mulheres Juristas".

D. Jorge Ortiga considerou "positiva" a atitude do Presidente da República ao aprovar a lei, mas "manifestando através de um comunicado o seu verdadeiro pensar".

O Presidente da República "fundamenta [a sua decisão] no parecer de bons juristas e isso dá-me uma certa tranquilidade", afirmou também à Lusa o prelado católico, sublinhando que a maneira de "agir e actuar" de Cavaco
Silva tem "simplesmente uma preocupação: defender os mais fracos". "Seja aqueles que têm menos posses, seja também, no caso concreto, muitas vezes dentro do matrimónio litigioso, as mulheres", especificou o presidente da CEP, considerando esta preocupação um "facto positivo e um elemento que devia ser devidamente pensado e equacionado na discussão parlamentar".

D. Jorge Ortiga afirmou ainda que, sendo "mais fácil" agora o divórcio, é de prever que, perante "uma pequena dificuldade que poderia, porventura, ser ultrapassada, não existirá diálogo, um esforço de compreensão, de aceitação mútua e envereda-se naturalmente por aquilo que parece resolver os problemas e nem sempre resolve".

21.10.2008

 

Data de introdução: 2008-10-22



















editorial

Voltar a casa

Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

O risco de retrocesso nos apoios à vida independente
O Orçamento de Estado para 2026 foi justamente elogiado por se abster dos clássicos “cavaleiros orçamentais”, designação pela qual são conhecidas as...

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Que espero do novo Presidente da República?
Está próxima a eleição do novo Alto Magistrado da Nação. Temos mais duas semanas para que os candidatos, de forma serena, com objetividade e no âmbito dos...