A intenção inicial da CNIS era realizar, em 2026, duas Festas da Solidariedade, em Aveiro e em Leiria, chegando assim a todos os distritos e regiões autónomas neste ciclo de presidência do padre Lino Maia. Contudo, o «comboio de tempestades» que, no final de janeiro, assolou a região centro, muito em especial o distrito de Leiria, inviabilizou a realização da iniciativa neste distrito. A verdade é que há estragos que ainda não foram restaurados, sendo que as instituições estão a viver com dificuldades… financeiras.
Ainda assim, e com a colaboração da UDIPSS Leiria e das instituições de Leiria, a CNIS vai levar avante a passagem da Chama da Solidariedade por aquele território nos dois primeiros dias de outubro. Recorde-se que, face ao imprevisto, a XIX Festa da Solidariedade irá decorrer em Aveiro, no dia 9 de outubro, sendo que desde o dia 6 a Chama percorrerá o distrito e nos dias 7 e 8 realizar-se-á o VII Congresso da CNIS, subordinado ao tema «Pobreza e Proteção Social».
Para já, o que está previsto para o início de outubro é que a Chama da Solidariedade marque presença, no dia 1, nos concelhos de Castanheira de Pera e Alvaiázere e, no dia 2, pelo concelho de Leiria.
“Ainda estamos a fazer os contatos e convites à participação, mas até agora a recetividade tem sido boa”, afirma Carla Verdasca, presidente da UDIPS Leiria, sobre a adesão das instituições associadas à iniciativa.
Tendo as tempestades de janeiro causado bastantes estragos e custos acrescidos às IPSS, “o principal objetivo é transmitir às IPSS que, no meio de qualquer tempestade, quem trabalha e está no terreno a cuidar, merece reconhecimento e que deve continuar a acreditar na missão que tem em mãos”, defende Carla Verdasca, sublinhando a importância da passagem da Chama da Solidariedade pelo distrito, porque “é levar aos utentes um abraço de esperança e de luz”.
Por outro lado, a dirigente considera que a passagem da Chama pode servir de chamada de atenção para o que se passou em janeiro e para a situação das instituições afetadas.
“Sim, o objetivo também passa por ser um momento em que as IPSS afetadas pela tempestade possam manifestar as dificuldades ainda sentidas e as necessidades que apresentam”.
E sobre esta matéria, as novidades não são as melhores mais de seis meses passados.
“A recuperação dos danos causados tem sido lenta e preocupante. Continuamos com infraestruturas danificadas, sem previsão de arranjo, com dificuldades financeiras, com preços elevadíssimos de materiais e com escassez de mão de obra”, conta a presidente da UDIPSS Leiria.
Com as instituições a ficarem demasiado tempo sem fornecimento de energia elétrica foi necessário recorrer a geradores. A isto acresceu a conjuntura internacional que levou a um grande aumento do preço dos combustíveis, o que afetou muitos serviços que dependem de transporte, como o SAD. Entretanto, o Governo decretou um apoio extraordinário aos combustíveis de 600 euros por instituição.
“É insuficiente face aos gastos mensais de muitas IPSS em combustível”, atalha Carla Verdasca.
A pouco menos de dois meses da passagem da Chama da Solidariedade por Leiria, a líder da UDIPSS deixa uma mensagem às IPSS do distrito de Leiria.
“Quero aproveitar para agradecer a todos os que diariamente trabalham e lutam para que nada falte aos utentes das IPSS. Num momento de crise, como foi o da tempestade que tanto afetou o distrito de Leiria, houve união e solidariedade de colaboradores, voluntários, órgãos sociais, de todos. A Chama da Solidariedade será um momento de esperança, reconhecimento, de encontro entre pessoas, de estar, de partilha com quem está nas IPSS”, afirma, dirigindo-se às demais instituições do país: “As dificuldades e necessidades das IPSS são comuns. Diariamente chega-nos mais uma situação, mais uma preocupação, mas é isso que nos faz continuar e persistir. Quando olhamos para todas as respostas sociais e para a importâncias das mesmas, quando pensamos em todos os utentes, quando reconhecemos o trabalho de quem diariamente cuida, quando refletimos no papel dos órgãos sociais e quando analisamos os contextos das IPSS temos a certeza que são cruciais para a vida de tantos. Por isso, vamos continuar, vamos acreditar no dia de amanhã, vamos ter esperança no caminho”.
Não há inqueritos válidos.