FUNDAÇÃO PATRONATO DE SANTO ANTÓNIO, SABROSA

Futuro pode passar por um Centro de Noite

Fundada por António Monteiro, um benemérito de Sabrosa, em 1941, com objetivo organizar e sustentar uma associação de educação, instrução e recreio para crianças do sexo feminino, a fim de as retirar da rua e de as ensinar a serem boas donas de casa, como era tradicional na época, a Fundação Patronato de Santo António tem, hoje, uma missão bem diferente, pois se nasceu focada na área da infância, atualmente as valências são mais viradas para os seniores.
“Em janeiro de 1989, sob a presidência do padre José Gil, que esteve muitos anos na instituição, foram assinados os primeiros Acordos de Cooperação com a Segurança Social de Vila Real para as valências de CATL e também para SAD e Centro de Dia”, conta Conceição Lapa, diretora-técnica da instituição, que, com orgulho, acrescenta: “A Fundação foi a primeira instituição de Sabrosa a ter estas valências e é a única na vila que tem a resposta de Centro de Dia”
O braço que, após a mudança de missão, ainda mantinha na infância foi amputado em 2007, quando o Centro de Atividades de Tempos Livres foi encerrado, por via da implementação das AEC, que hoje são asseguradas pela Autarquia e por uma outra instituição local. “Na altura sofremos alguma pressão da Segurança Social para encerrar a resposta, pois anularam-nos os Acordos de Cooperação”, recorda Conceição Lapa.
Um ano depois, em 2008, o pároco mudou e, por decisão testamentária do fundador, o presidente da instituição também, ficando á frente da instituição o padre Óscar Mourão.
Promovendo o trabalho “em parceria com outras instituições em prol da comunidade”, a Fundação tem registado “cada vez mais procura para Centro de Dia, especialmente de idosos com demência cujas famílias não têm retaguarda para eles”, revela a diretora-técnica, acrescentando: “Cada vez nos aparecem mais pessoas pouco autónomas, cada vez mais dependentes, com as quais é muito mais complicado fazer atividades, que, no fundo, é o propósito da resposta de Centro de Dia, ou seja, manter os idosos autónomos e ativos”.
Apesar das dificuldades, a instituição tudo faz para promover um envelhecimento ativo e uma velhice digna aos utentes, como refere Conceição lapa: “Temos uma técnica que faz muita estimulação cognitiva com os utentes, especialmente com esses que sofrem de demências. Temos alguns já num estado muito avançado a quem prestamos um serviço essencialmente de bem-estar e outros com os quais ainda fazemos algumas atividades e eles vão cooperando”.
Atualmente, a instituição apoia 45 utentes em SAD e tem Acordo de Cooperação para 10 utentes em Centro de Dia, mas acolhe 14, sendo quatro deles também utentes do SAD, mas que por não terem retaguarda familiar durante o dia frequentam igualmente o Centro de Dia.
“Mesmo que quiséssemos aumentar a capacidade do Centro de Dia não poderemos ir além dos 15 utentes, porque as instalações não o permitem. O edifício neste momento não permite”, lamenta o padre Óscar Mourão.
Para os responsáveis da instituição transmontana, o grande problema são mesmo as demências.
“Tanto aqui como nas outras instituições do género do concelho, porque costumamos frequentar as mesmas formações e todas nos deparamos com a mesma realidade, ou seja, cada vez há mais utentes com demências”, constata a diretora-técnica, acrescentando: “Temos que estar cada vez mais preparados, mais formados profissionalmente para atender a essas necessidades, porque no futuro será ainda pior, pois cada vez mais nos aparecerão mais utentes com estes problemas. E nós temos que dar resposta, mas também dentro das nossas capacidades”.
Apesar de situada no Interior, o isolamento dos idosos ainda não é um problema grave.
“Não me parece que haja casos gritantes, uma vez que as instituições que existem no concelho vão conseguindo dar resposta. Há famílias cujos filhos estão fora, mas têm tido a preocupação para que os pais fiquem bem na sua ausência”, sustenta o pároco, que aponta a emigração como a principal causa da solidão dos mais velhos, “mas não há propriamente desinteresse por parte dos familiares, são é as circunstâncias da vida”.
O que verdadeiramente preocupa a instituição é o “isolamento durante a noite”, porque durante o dia a instituição vai dando resposta, mas alguns utentes estão sozinhos à noite e a Fundação acaba por perder alguns para a resposta de ERPI… que não tem.
Apesar disso, o futuro próximo da instituição, segundo os dirigentes, não passa por criar redundância na resposta de Lar, mas por algo mais prático e de resposta mais eficaz à população.
“Um dos projetos futuros talvez passe por um Centro de Noite. Neste momento estamos a ponderar. Já falámos com outras duas instituições e estamos a ponderar, mas ainda de uma forma muito incipiente, a possibilidade de com o apoio da Câmara, que poderia ceder uma antiga escola, avançar com uma resposta de Centro de Noite. Teremos primeiro que falar com a Segurança Social para saber se depois teremos apoio para o funcionamento”, revela Conceição Lapa, ao que o presidente da instituição acrescenta: “Temos falado no assunto entre nós, mas ainda não é nada de consistente. Um lar está fora de hipótese. Aliás, já há resposta no concelho e isso iria criar uma competição desnecessária, pois iria espartilhar muito a ação das instituições já existentes”.
Isto apesar de, segundo a diretora-técnica, “a nível de Lar a resposta talvez não seja ainda suficiente, porque os lares não são apenas procurados por pessoas do concelho, as pessoas querem é uma vaga onde possam colocar o seu idoso”.
Não criar redundâncias que provoquem uma concorrência desenfreada entre instituições não está nos planos da Fundação, até porque no concelho existe solidariedade entre as instituições.
“Existe sim, por exemplo, fizemos um protocolo com a Segurança Social para uma Cantina Social em que nós é que temos a responsabilidade de servir as 68 refeições/dia protocoladas, mas para fazer chegar as refeições a mais pessoas estabelecemos parcerias com outras instituições. Apesar de o protocolo ser connosco, cada uma das instituições confeciona as refeições que distribui nas suas zonas de influência e posteriormente distribuímos a verba do Estado pelas diversas instituições com que trabalhamos. Há, de facto, uma boa relação entre as instituições”, defende Conceição Lapa.
Inserida num meio essencialmente rural, a instituição vive com baixas mensalidades dos utentes, mas tem uma situação financeira estável. Porém, nem sempre foi assim.
“Agora está mais equilibrada. Já esteve pior, talvez devido à gestão mais recuada no tempo, porque com os anos criou-se uma certa mentalidade que não era a melhor. Os colaboradores tomavam aqui o pequeno-almoço, havia uns certos hábitos que para as contas não eram os melhores. Houve, de facto, uma fase que foi complicada e agora talvez haja mais de rigor, mesmo na questão das compras aos fornecedores e da confeção das refeições, porque muitas vezes uma refeição dava para três pessoas. As pessoas pensavam que era melhor servir muito, mas acabava por ser desperdício”, afirma o padre Óscar Mourão.
“Andou-se, de facto, muitos anos com saldos negativos. Entretanto, em 2011 candidatámo-nos ao PRODER, Medida 3.2.2, porque esta casa estava a cair, precisava de manutenção, especialmente a nível do telhado. Não tínhamos condições para manter a qualidade de vida dos utentes. Fomos contemplados e fizemos obras de remodelação, adquirimos uma carrinha para o Apoio Domiciliário e mais algum equipamento, como marmitas e outro. Foi um investimento de cerca de 256 mil euros, em que o PRODER financiou 75% e nós gastámos aproximadamente 80 mil euros”, recorda Conceição Lapa, identificando um outro problema: “No decorrer do projeto foram surgindo outras necessidades e acabámos por gastar cerca de 20 mil euros a mais do que o inicialmente previsto. Claro que não ficámos muito bem financeiramente, mas também a partir daí começámos a tomar medidas para colmatar essas dificuldades”.
Uma das medidas tomadas foi a atualização das mensalidades dos utentes, “porque outra das razões dos saldos negativos as mensalidades eram mínimas, não era feito um cálculo”, refere a diretora-técnica, acrescentando: “Também não podemos seguir rigorosamente a fórmula da Segurança Social, porque senão não temos utentes. A fórmula exige muito e estamos num meio rural onde as reformas são baixas, mas, em 2007, quando para aqui vim, as mensalidades eram muito baixas”.
Apesar de ter abandonado as valências de infância, a Fundação ainda mantém, indiretamente, um pé nessa área, por via de um protocolo com a Autarquia de Sabrosa, que delega na instituição competências nas AAAF - Atividades de Animação e Apoio às Famílias, que são realizadas no Centro Escolar Fernão Magalhães, com o qual criou mais um posto de trabalho.

 

Data de introdução: 2016-06-28



















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