CSP S. ROMÃO DE CARNAXIDE, OEIRAS

Uma escola de cuidadores para atrasar institucionalização

No ano que atinge a maioridade, o Centro Social e Paroquial de S. Romão de Carnaxide, em Oeiras, prossegue a reestruturação interna no sentido de conferir à gestão da instituição uma maior eficácia e, assim, poder melhor garantir a sua sustentabilidade.
Inicialmente, apenas com o Centro de Dia e o Serviço de Apoio Domiciliário, as coisas até não estavam muito desequilibradas, mas a partir do momento em que passou a explorar o Lar Nª Sª do Amparo, por solicitação da Câmara Municipal de Oeiras, a vida da instituição complicou-se.
“O Lar tem constituído um problema de primeira ordem para o Centro, porque, quando ainda estava a ser construído, a nova legislação obrigou a um redimensionamento das áreas. Isso levou a que a construção pensada para um determinado número de camas fosse reduzida. Então, o Lar começou a funcionar com 30 utentes e isto, já nesse tempo, era considerado um número insuficiente para assegurar a sustentabilidade financeira do equipamento. Desde essa altura, portanto há 10 anos, que o lar funciona com um défice”, explica António Pechirra, vice-presidente da instituição, revelando algumas das medidas já tomadas, em sintonia com a autarquia, para pôr cobro à situação: “No ano passado houve a possibilidade de rever alguns aspectos na arquitectura do Lar e conseguimos mais seis lugares, o que veio dar uma pequena ajuda. Temos procurado ver a solução do nosso problema financeiro ao mesmo tempo que encontramos uma solução de resposta social. Em média temos uma lista de espera de 80 utentes, ou seja, temos que encontrar uma solução, ou em Lar ou noutras soluções laterais, que já estão a ser equacionadas, mas em termos de Lar terá que ser pelo aumento da capacidade. E ao encontrarmos esta resposta, em termos de aumentar o número de utentes em Lar, encontramos também uma orientação para uma economia de escala que nos vai permitir eliminar o défice, cujo principal factor é a conta de exploração do Lar. Nesse sentido com uma cajadada matamos dois coelhos, ou seja, procurando elevar o actual número de 36 para 66 camas em Lar, aumentamos a receita num valor significativo, sem que isso vá proporcionalmente aumentar a despesa”.
Para a Direcção do Centro S. Romão de Carnaxide, como refere António Pechirra, “este é o grande desafio”, que não é colocado “como um sonho, mas como uma necessidade urgente”.
A intenção é ampliar a actual estrutura com mais um piso, algo em que a instituição já está a trabalhar.
Cientes das problemáticas da sociedade actual, em que o envelhecimento da população é crescente e o aumento de casos de demência entre os mais velhos é igualmente uma realidade evolutiva, os dirigentes do Centro pretendem não só dar resposta às necessidades, mas pensar o futuro.
“A área da terceira idade é a que mais necessidades nos coloca. Basta ver que não temos capacidade para responder a metade da lista de espera para Lar. Mas a problemática do envelhecimento levam-nos a reflectir sobre estratégias que possam ser mais adequadas a uma população como a de Carnaxide. Por um lado, todo o concelho tem uma tendência de envelhecimento, mas ainda está bem, agora a próxima década vai colocar-nos problemas que o Estado não vai conseguir dar resposta e nós temos que estar preparados”, sustenta o vice-presidente.
Nesse sentido, a instituição, apesar das limitações físicas, quer dar resposta ao máximo possível de necessidades e necessitados de cuidados especiais e, para tal, pretende avançar com um projecto que visa reduzir o número de pessoas a precisarem de recorrer aos serviços de acção social.
“É um projecto que, apesar de ainda estar muito no início e numa fase de preparação, passa pela criação de uma escola de cuidadores. Pretende-se que, por um lado, seja como uma escola de formação dos nossos funcionários e, por outro, que vise preparar e dar formação a outras pessoas, sejam voluntários, sejam pessoas que em casa possam acolher e cuidar de idosos dependentes”, revela António Pechirra, acrescentando: “A ideia é preparar pessoas, dando-lhes competências – o ideal era até terem uma certificação –, para que possam atrasar a institucionalização os idosos. Manter as pessoas no seu habitat natural e dar às famílias essa preparação. E esta ideia não tem apenas que ver com o patamar dos idosos, porque há muitas pessoas que em idade adulta necessitam de cuidados especiais. Ter as famílias preparadas para tratarem essas pessoas em casa é uma mais-valia para uma estratégia de resposta aos problemas do envelhecimento, e não só”.
Um outro projecto, que visa responder às necessidades crescentes dos tempos actuais, é aproveitar a construção do novo lar para “criar um Centro de Dia para pessoas com demência”. Com isto, a instituição pretende alargar aquilo que já faz, mas para um número ainda maior.
“Queremos ter condições físicas e de competência humana para garantir o acolhimento em Centro de Dia para umas 15 pessoas com demência. Isto insere-se numa estratégia fundamental nas IPSS, e na nossa em particular, que é a preparação dos funcionários, em termos de competências técnicas, porque é por aí que as coisas terão que passar. Temos que ser capazes de responder a mais com menos. Os dinheiros são cada vez mais escassos, as exigências maiores e este exercício de fazer mais com menos passa muito pela qualificação das pessoas e das estruturas. Neste contexto, temos feito uma aposta na formação dos recursos humanos a todos os níveis”, sublinha, indicando que foi essa uma das razões para a instituição avançar para a certificação de qualidade, pela norma ISO 9001/2001: “Podemos preparar melhor os nossos recursos humanos, mas a nossa instituição, à semelhança de outras, perante esta mudança que foi muito rápida e nos levanta novos problemas com urgência de resposta, tem que olhar para isto na perspectiva de adoptar modelos de gestão mais avançados sem perder de vista a nossa missão. É necessário dar resposta aos problemas sociais, em primeiro lugar, mas a instituição tem que encontrar um modelo de gestão mais eficiente e esse passa pela certificação da qualidade. Há cerca de um ano qua andamos nesse processo, que é fundamental, porque nos obriga a rever todos os procedimentos e até para colher outros frutos laterais. Internamente, o funcionamento foi revisto e posto em causa e temos procurado as melhores soluções. A estrutura, numa óptica daquilo que é a política de qualidade interna, melhora também a capacidade de resposta e melhora a eficácia e a eficiência dos recursos”.
Todo este trabalho que tem vindo a ser realizado na reformulação e requalificação da estrutura do Centro, leva a que os dirigentes olhem “com alguma tranquilidade o futuro, porque a tendência tem sido encontrar o ponto de equilíbrio que permita fazer o que tem que ser feito sem que com isso tenha constrangimento financeiro”.
E não é apenas a resolução do problema presente que concentra os dirigentes do Centro S. Romão de Carnaxide, pois, como refere António Pechirra, “a instituição tem que olhar a sua estratégia financeira de forma a não ficar sujeita só àquilo que o Estado lhe propõe”.
Conseguir outras fontes de financiamento é fundamental para encarar o futuro com optimismo: “O Estado pede, dá e vai tirando e nós é que ficamos sempre com o ónus de responsabilidade perante o utente. Então, temos que encarar uma estratégia de colher benefícios de benfeitores que nos possam ser úteis. Ou seja, não podemos ir aceitando a ideia de que a caridade e a disponibilidade dos benfeitores é apenas um valor residual. Não, tem que ser tido em conta com estratégias mais adequadas. Não é apenas o peditório, mas evoluir para a capacidade de acolher fundos que existem e de alguma forma introduzir uma política de angariação de fundos que estejam fora do que é habitual do Estado e que saiam da linha do residual”.
E se, numa primeira fase, aumentar as receitas não é muito viável, há que encontrar outras soluções, como as parcerias.
“Criar sinergias com outras instituições, e nós já temos dois protocolos com instituições congéneres do concelho, para criar uma rede de partilha é o caminho. As empresas já o fazem, através das joint-ventures! Isto é estratégico e já está a ser implementado por nós com esses dois protocolos. Também estabelecemos um protocolo com a Alzheimer Portugal para o nosso pessoal receber formação, mas também para a disponibilização dos nossos serviços aos sócios deles. Eles sabem, nós temos, então, há que partilhar.
Desde que não se perca a matriz que fundamenta as instituições, encontrar soluções de parceria é o caminho”.
Actualmente, o Centro Social e Paroquial de S. Romão de Carnaxide oferece as seguintes respostas na área da terceira idade: Lar Nª Sª do Amparo (36 utentes), Centro de Dia (39) e SAD (37). Na área da infância e juventude, o Centro tem o ATL «Os Traquinas» (43 crianças) e ainda o Musicentro, um local onde os cerca de 198 jovens podem aprender música, ioga, karaté, desenho e teatro. A instituição apoia ainda 746 pessoas no RSI e atende 138 pessoas no CAD (Centro de apoia a Dependentes). Para todas as respostas a instituição conta com um quadro de pessoal de 57 funcionários.

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2014-09-09



















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