MULHER

Mesmo as mais qualificadas ganham mal

As mulheres portuguesas com maior escolaridade e qualificação profissional ganham pouco mais de metade do que os homens nas mesmas circunstâncias, revela um estudo que aponta "desigualdades graves" entre os géneros. O estudo, do economista Eugénio Rosa, da CGTP, feito com base nos dados mais recentes do Ministério do Trabalho (referentes a 2002), conclui que "as desigualdades de remunerações entre homens e mulheres aumentam com o aumento do nível de escolaridade e de qualificação das mulheres".

"Para o nível de escolaridade mais baixo - inferior ao ensino básico - o ganho médio mensal das mulheres correspondia a 80,8 por cento do ganho médio mensal dos homens", mas para o "nível de escolaridade mais elevado - Licenciatura - o ganho médio mensal das mulheres correspondia apenas a 66,7 por cento" do dos homens.

O estudo revela também que quanto mais elevado é o nível de qualificação das mulheres maior é a desigualdade de remuneração: o ganho médio mensal das mulheres com qualificação mais baixa - praticantes e aprendizes - correspondia a 94,1 por cento do ganho dos homens na mesma área.

Já o ganho médio mensal das mulheres com maior qualificação - quadros superiores - correspondia a 70 por cento do ganho médio mensal dos homens do mesmo grupo de qualificação, aponta o estudo.

O estudo constata que a qualificação profissional das mulheres tem vindo a aumentar, tal como o nível de escolaridade, indicando que as mulheres empregadas têm uma média de 8,5 anos de estudos, enquanto os homens apresentam uma média de 7,7 anos.

Do total de homens empregados, 56,2 por cento possuíam apenas o ensino básico ou menos, ao passo que nas mulheres com a mesma formação a percentagem desce para 47,7 por cento. Em contrapartida, do total de mulheres empregadas, 22,1 por cento possuíam o secundário e 11,4 por cento nível de escolaridade superior, enquanto que entre os homens esses valores caem para 16,2 por cento e 8,4 por cento, respectivamente.

O estudo conclui que o peso das mulheres no total de empregados (homens e mulheres) é tanto maior quanto maior é o nível de escolaridade: as mulheres representam 35,8 por cento do grupo com o primeiro ciclo do ensino básico, mas já representam 48,2 por cento do grupo de licenciados.

Entre a população empregada, as mulheres são já maioritárias em 12 das 16 áreas do saber: Letras e Ciências Religiosas, Ciências da Educação, Belas Artes, Direito, Administração das Empresas, Técnicas Comerciais, Jornalismo e Informação, Ciências Exactas, Ciências Físicas, Matemáticas e Estatísticas, Ciências Médicas e Saúde, e Indústria Transformadora.

 

Data de introdução: 2005-05-24



















editorial

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Publica-se neste número do “Solidariedade” o texto do acordo com a FSUGT, na parte que contempla também os novos valores de remunerações acordado para vigorar a partir de 1 de janeiro de 2024.

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