MISERICÓRDIAS

Problemas financeiros graves

Mais de metade das Misericórdias do país diz ter problemas financeiros e duas em cada três (76 por cento) queixam-se de falta de pessoal ou pouca formação, indica um estudo do Observatório de Idosos e Grandes Dependentes.

O estudo intitulado "As Misericórdias Portuguesas na Assistência aos Idosos", da União das Misericórdias Portuguesas resultou de um inquérito enviado às 390 "Santas Casas" existentes em Portugal, ao qual responderam 216.

Do total de respostas recebidas à questão "Considera que esta Santa Casa enfrenta dificuldades?", 96 por cento dos provedores afirmaram enfrentar dificuldades aos mais diversos níveis. Segundo o estudo, 76,7 por cento (duas em cada três) debate-se com problemas ao nível dos recursos humanos e 55 por cento com dificuldades a nível económico.

Pelo menos um terço (36 por cento) queixa-se de falta de pessoal, enquanto 41 por cento aborda a necessidade de mais formação do pessoal da instituição. A falta de recursos materiais foi apontada por 31,3 por cento dos inquiridos.

No entanto, acrescenta o estudo, a maior dificuldade sentida pelas Misericórdias prende-se com a relação entre a capacidade do estabelecimento e as listas de espera.

Cerca de 63 por cento enfrentam o problema da falta de capacidade dos estabelecimentos para fazer face ao elevado número de idosos que se encontra em lista de espera. Actualmente, há cerca de 15.000 idosos à espera de poderem ser institucionalizados.

"As misericórdias são cada vez mais o último recurso das famílias com maiores carências financeiras. Ao mesmo tempo, o encarecimento dos custos coloca crescentes dificuldades às misericórdias", impondo-se uma revisão do modo de financiamento das instituições pelo Estado, conclui o estudo.

O estudo, coordenado por Manuel de Lemos do Observatório de Idosos e Grandes Dependentes da UMP, revela ainda que "Portugal tem capacidade para prestar apoio social a cerca de 11 por cento da sua população idosa, ou seja, em cada 100 idosos, 11 poderão receber apoio social nestes tipos de valências".

Em 2001, o número de idosos em Portugal ultrapassava já o número de jovens (há mais 42.559 idosos do que jovens). Proporcionalmente, para cada 100 jovens, há já cerca de 103 idosos.

Se a tendência de envelhecimento se mantiver - segundo o Instituto Nacional de Estatística, o ritmo de crescimento da população idosa é quatro vezes superior ao da população jovem - nos próximos anos, esta proporção aumentará significativamente, até porque a maioria da população está concentrada na faixa etária imediatamente abaixo da faixa mais idosa (um cidadão é considerado idoso quando tem 65 anos ou mais), salienta o estudo.

Em comparação com 1991, aumentou o número de idosos a viverem sós, ao mesmo tempo que diminuiu o número de famílias compostas por idosos e as famílias sem idosos. 

 

Data de introdução: 2005-05-21



















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