OPINIãO

Poder e insegurança - por A. J. Silva

O atentado cometido no final da maratona de Boston provocou uma intensa emoção nos Estados Unidos e teve uma grande repercussão em todo o mundo. Antes de mais, pelo número de mortos e feridos que causou. Depois, porque os seus autores escolheram como palco privilegiado para o seu acto de terror e ódio um acontecimento desportivo de grande impacto e participação, como é sempre uma maratona. Finalmente, porque está ainda viva, sobretudo entre os americanos, a memória do 11 de Setembro.
Desta vez, as diversas forças policiais foram rápidas na descoberta dos autores do atentado e na sua neutralização. O presidente Obama fez questão de elogiar publicamente o trabalho de todos os agentes, e o povo que se juntou nas imediações do local onde se tinha refugiado o segundo dos irmãos Tsarnaev saudou efusivamente a sua captura, não faltando mesmo muitas bandeiras do país a festejar uma “vitória contra o terrorismo”.
Embora satisfeito com o êxito do trabalho policial, Barak Obama lembrou que há ainda questões em aberto e para as quais é precioso encontrar resposta. Nomeadamente as que dizem respeito aos motivos que podem levar dois jovens chechenos oriundos do Daguestão e acolhidos nos Estados Unidos, onde aparentemente levavam uma vida normal, a prepararem e executarem um atentado terrorista desta dimensão.
O presidente teve o cuidado de não apontar de imediato para a pista islâmica, que é sempre a mais comum e da mais fácil aceitação, até porque que os dois irmãos eram muçulmanos. E fez bem em não ir por aí, até porque alguns dos episódios mais violentos que abalaram a América nos últimos anos tiveram como autores cidadãos nascidos e criados no país.. Basta recordar a matança do liceu de Columbine, no Colorado, que ocorreu precisamente no dia 20 de Abril de 1999, ou a tragédia de Waco, no Texas, também em Abril, mas de 1993.
Uma coisa parece certa: apesar de todo o seu poder tecnológico e militar, os Estados Unidos nunca poderão garantir a segurança total dos seus cidadãos. Nem os Estados Unidos, nem qualquer outra potência. Uma panela de pressão, umas dezenas de pregos e um telemóvel foram suficientes para estragar irremediavelmente um grande acontecimento desportivo. E, mais grave ainda, foram suficientes para ressuscitar o medo colectivo.
Uma boa dose de conhecimentos rudimentares e, sobretudo, ódio quanto baste chegam para abalar a segurança de uma potência.


A.J.Silva

 

Data de introdução: 2013-05-13



















editorial

PILAR DO ESTADO SOCIAL

(...)O orçamento do Estado para este ano incluía uma despesa global para a Educação de 6.173 milhões de euros enquanto a despesa total consolidada do Programa da Saúde prevista e inscrita no mesmo orçamento é de 10.289,5...

Não há inqueritos válidos.

opinião

PADRE JOSÉ MAIA

“ HÁ UM TEMPO PARA TUDO…” (Eclesiastes 3. 1-22)
Ora cá está uma mensagem bíblica capaz de inspirar mudanças significativas nos estilos de projetos de vida de pessoas, famílias e da própria comunidade...

opinião

ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

Democracia: das escolhas ao arrependimento
Aquilo que caracteriza imediatamente um regime democrático é a possibilidade de os cidadãos escolherem os seus representantes nos órgãos do poder, o que normalmente...