OPINIÃO

O interminável sofrimento de um povo

Há países e povos, cuja história está marcada pelo sofrimento. A Somália é um desses países. Situada no extremo nordeste da África, no famoso corno de África, tem sido, desde a sua independência, em Julho de 1960, um território atingido sistematicamente pela guerra e pela fome. Se a guerra origina quase sempre a fome, hoje, há que juntar mais uma às causas desta tragédia: a seca.

Não se trata do único país africano a sofrer os trágicos efeitos da seca, mas, nos últimos tempos, tem sido aquele em que o clima tem provocado mais vítimas, se atendermos ao número de refugiados que fogem do país em busca de uma solução para as suas vidas. Só que os países vizinhos, não obstante as ajudas internacionais, estão muito longe de poderem dar resposta a tamanhas necessidades São quase todos tão pobres como a Somália.

Mas os problemas da Somália não têm apenas origem na meteorologia. Há que juntar-lhe a instabilidade política que caracteriza o país desde a sua independência, e que é responsável pelas guerras civis que têm servido para justificar interferências externas nos destinos do país. À ditadura do general Siad Barr, que se prolongou por vinte anos, seguiu-se um período de completa anarquia com a fragmentação do Estado e o aparecimento dos chamados “senhores da guerra” que governavam, por mais ou menos anos, pequenas ou grandes áreas do país.

No começo da década de noventa do século passado, a situação alimentar tornou-se verdadeiramente catastrófica. Estado Unidos e ONU conseguiram garantir, em parte, a distribuição de mantimentos, mas falharam no esforço em estabelecer um governo estável. Em 1995, as forças de manutenção de paz tiveram de abandonar o país.

No princípio deste século, a Somália entrou claramente nos planos da Al Qaeda. Houve mesmo quem entendesse que a Somália se transformaria no Iraque do “Corno de África” Através de uma estratégia de terror, grupos fundamentalistas, reunidos sob a bandeira dos chamados “tribunais islâmicos” chegaram a tomar o poder, embora provisoriamente, em Mogadíscio. As facções pró ocidentais acabaram por expulsá-los da capital, com a ajuda da Etiópia. mas nada garante que a situação tenha estabilizado. Agora, a fome regressou em força, e com a fome cresce, a cada dia, o número daqueles que tentam fugir do país.
Um sofrimento interminável.

 

António José da Silva

 

Data de introdução: 2011-08-05



















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