31 de Maio – Dia das Misericórdias

A propósito do Dia das Misericórdias, assinalado no dia 31 de Maio, pelo papel insubstituível que detêm no trabalho social nas comunidades, no apoio às famílias, designadamente pela gestão de equipamentos sociais nas áreas da infância e juventude, população idosa e pessoas portadoras de deficiência.

Não subestimando nenhum agente de acção social, as Instituições Particulares de Solidariedade Social têm-se assumido como instrumentos directos de realização das necessidades das pessoas e das famílias, sobretudo dos que se encontram em situação de maior vulnerabilidade.

O envelhecimento, cuidados continuados de saúde, novos modelos organizacionais para as Misericórdias e a relação destas instituições com o poder local, têm sido temáticas actuais e motivos de debate e que pressupõe o envolvimento de todos os agentes de acção social e caritativa, dirigentes, técnicos, órgãos de tutela, voluntários, família. A acção conjunta de todos os agentes de solidariedade gera resultados muito superiores aos que seriam obtidos se cada um deles agisse isoladamente. O Estado e as Misericórdias Portuguesas devem ser, por excelência, incontornáveis parceiros no contexto social.

Uma cooperação capaz de ser incentivo ao aprofundamento ou renovação de uma cultura solidária, baseada na mobilização do voluntariado social, na valorização de relações de proximidade, na participação e no envolvimento comunitário. Não será por acaso que se tem ouvido falar do “Banco do Tempo”, onde cada um de nós é aliciado a dar um pouco do seu tempo, a favor de causas solidárias.

Apesar da já longa vida das Misericórdias em Portugal, dando cumprimento às catorze obras de misericórdia, corporais e espirituais, pela qual tem mantido à disposição de toda a população, independentemente da sua raça, cultura ou linguagem, equipamentos de promoção e acção social, não deixa de ser necessário promover e modernizar as Misericórdias. É preciso criar uma nova cultura de intervenção social que envolva e comprometa todos os cidadãos, procurando contribuir para uma mudança de mentalidades. A reorganização dos serviços e sua rentabilização, o investimento no mercado de trabalho de forma a acompanhar a competitividade com o objectivo de praticar a solidariedade social.

As necessidades sociais são cada vez maiores e são resultado do envelhecimento progressivo da população portuguesa; das mudanças verificadas no perfil das patologias, com aumento das doenças crónicas e degenerativas e das alterações sociológicas ocorridas, particularmente nas estruturas familiares e nas redes de apoio comunitário, daí também a urgência do desenvolvimento de uma rede de cuidados continuados.
Nestes tempos de mudança, a pobreza, a exclusão e a miséria não são fenómenos novos, mas são novos os contextos em que se desenvolvem. Diferentes grupos sociais são atingidos e as Misericórdias devem proporcionar uma oferta de serviços de qualidade, sendo promotoras de solidariedade, qualidade de vida e oportunidades.

O longo percurso das Misericórdias e a sua vasta história e experiência no campo assistencial, garante a confiança das pessoas e não menos importante, o reconhecimento do Estado. Considerando a crescente intervenção das Misericórdias na sociedade, como forma de execução de uma nova geração de políticas sociais, deve, pois, a cooperação entre estas e o Estado assentar na co-responsabilização da implementação de medidas que promovam a coesão e a justiça social, partilhando objectivos e interesses comuns.
Na defesa de princípios comuns de reforço da qualidade e segurança das respostas socais, é indispensável o aprofundamento da cooperação com as instituições do sector social, abrangendo a reorientação e avaliação das políticas sociais.

Falar de solidariedade é fácil, praticá-la é que se torna mais complicado. As pessoas devem ser intervenientes activos, comprometedores, devem assumir uma consciência social, a consciência de que é necessário humanizar. Não precisamos de inventar nada de novo, as estruturas foram instituídas há mais de quinhentos anos e muito devem à benevolência da Rainha D. Leonor, mas é preciso renovar os valores de partilha e espírito de entreajuda, pois só com eles se pode fazer solidariedade social, porque todos, sem excepção, têm direito a uma vida de qualidade e dignidade. Não sabemos quando somos nós a precisar de ajuda.

O empenho, o trabalho, a dedicação, a vontade de lutar e porque não, o sonho, têm feito das Misericórdias uma Obra ao serviço dos mais desfavorecidos, como promotoras e parceiras de projectos de índole social, e que se têm afirmado e destacado no panorama nacional.
As Misericórdias devem dar continuidade aos seus objectivos de solidariedade social, nomeadamente nos aspectos de promoção social dos mais carenciados; apoio à família, crianças e jovens; protecção na velhice e invalidez, promovendo a saúde; acolhimento aos sem-abrigo; educação e formação profissional; divulgação da Cultura, como forma de promoção e integração na comunidade.
A Solidariedade Social fica a dever-se a investimentos, sacrifício pessoal, grande espírito de disponibilidade e responsabilidade de todos nós, ao serviço de causas sociais.

* Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Chaves

 

Data de introdução: 2008-06-04



















editorial

Compromisso de Cooperação

As quatro organizações representativas do Sector  (União das Mutualidades, União das Misericórdias, Confecoop e CNIS) coordenaram-se entre si. Viram, ouviram e respeitaram. 

Não há inqueritos válidos.

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