Quem não aparece... esquece!

A comunicação social não decide o que se deve pensar, mas determina os temas sobre os quais a opinião pública deve reflectir. Esta é a base da teoria do agendamento, ou agenda-setting em inglês, formulada por Maxwell McCombs e Donald Shaw na década de 1970.

Ora, se a comunicação social destaca os temas para a agenda pública, também esconde outros que poderiam ter visto a luz do dia das notícias. A diferença entre a existência mediática e o aborto das informações necessárias, ideias relevantes, conhecimentos fundamentais, denúncias urgentes, temáticas esclarecedoras, debates interessantes pode ser o esforço que se faz para colocar os assuntos na agenda do interesse público.

Por isso, verificou-se a proliferação de empresas de fontes de informação, agências, gabinetes, profissionais, especialistas e entendidos no sistema de comunicação social que, percebendo os critérios com que se preenche a agenda, intermedeiam as relações entre o mundo real e o mundo que aparece nas notícias.

A CNIS, Confederação das Instituições de Solidariedade Social, tem feito um esforço próprio e consistente para existir nesse mundo social. O jornal Solidariedade é um veículo tradicional, de periodicidade mensal, em papel que ainda suja as mãos, que tem uma distribuição nacional pelos protagonistas da solidariedade, decisores políticos e parceiros. É uma forma de comunicação interinstitucional que tem também a dupla função de, por um lado, expor o universo solidário ao país e, por outro, levar o país (político, económico, legislativo, autárquico, religioso…) até às IPSS.

O primeiro número do jornal Solidariedade, segunda série, saiu no mês de Maio de 2004 com uma grande entrevista dada pelo então ministro Bagão Félix. D. Manuel Martins, Fernando Ruas, Carvalho da Silva, D. Jorge Ortiga, Marques Mendes, Francisco Louça, Vieira da Silva, Daniel Sampaio… enfim, muitos foram os convidados que passaram pelo jornal. Foram publicados estudos, contratos colectivos, acordos de cooperação, entrevistas aos dirigentes das UDIPSS de todo o país, reportagem com inúmeras IPSS, congressos e assembleias-gerais, festa da solidariedade…

O Solidariedade online foi apresentado em Setembro de 2004. Para além das matérias comuns ao jornal, apresenta uma actualização diária. Em três anos teve 1 milhão e 200 mil visitas. O Portal da CNIS, lançado em Julho de 2007, congrega os assuntos e as temáticas instrumentais para os associados e conta até ao momento com cerca de 25 mil visitas. Outras vertentes deste esforço de visibilidade estão na forja.
As posições da CNIS sobre as diferentes temáticas – como no recente caso do ATL – têm tido acolhimento na comunicação social. Isto é, voltando ao início, o esforço honesto, persistente e consistente da confederação garante-lhe o espaço na agenda pública.

Conhecendo bem o funcionamento da máquina mediática é possível reservar espaço nessa agenda pública de forma espectacular e espampanante. Mas uma instituição, organismo, projecto, empresa que queira existir sempre com relevância e credibilidade pública não pode cingir-se apenas a um funcionamento condicionado e dependente das necessidades mediáticas. Tem que existir, de facto. A opinião pública pensa nos temas que a comunicação social lhe serve. Mas não significa que pense sempre da maneira mais conveniente…

 

Data de introdução: 2007-12-08



















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