CRECHES REABREM DIA 18 DE MAIO

IPSS demonstram capacidade e vontade de reiniciar atividades

A CNIS realizou uma sondagem junto das 1.059 IPSS associadas com a resposta social de creche, no sentido de avaliar a situação e as condições para a reabertura e o reinício das atividades, uma pesquisa que pode conhecer AQUI.
Deste universo de instituições responderam 441, o que corresponde a uma taxa de resposta de 41,6%, que tem representação nacional, não apenas em número de IPSS, mas igualmente em representação territorial.
Uma análise simplista dos dados permite concluir que apenas 14,1% considera que não haverá adesão dos encarregados de educação para a integração da sua criança na creche aquando da reabertura a 18 de maio.
Dos 85,9% que considera que haverá adesão dos encarregados de educação, metade destes considera que essa adesão corresponderá a 50% dos pais, sendo que apenas 6,1% refere que essa adesão não será superior a 24%.
Outra matéria abordada na sondagem é a existência de outras salas disponíveis na instituição para poderem ser utilizadas, permitindo, assim, o distanciamento entre as crianças. Cerca de metade (51,3%) confirma essa possibilidade. Já das 215 (48,8%) instituições que referem não dispor de mais salas para assegurar o distanciamento social, dividindo os grupos existentes, 179 (62,4%) desenvolve a resposta de educação pré-escolar e 120 (41,8%) de CATL – Centro de Atividades de Tempos Livres.
Não fora a reabertura a 1 de junho destas respostas sociais e esta dificuldade poderia ser melhor resolvida. Das salas disponíveis, 31,9% não estão afetas nem a pré-escolar, nem a CATL.
Relativamente às equipas de trabalhadores, 81,3% das respostas das IPSS refere que estão disponíveis e em condições entrar em funções.
Por outro lado, algumas IPSS, respondendo ao questionário, manifestaram alguma preocupação e a necessidade de terem acesso, tão breve quanto possível, a orientações.
Foi a 16 de março que as creches encerraram em Portugal, deixando as instituições com várias crianças nos braços (leia-se, problemas).
Dois meses volvidos, é hora de reabrir, mas as incertezas e as dúvidas são ainda muitas.
É por exemplo o sentimento no Centro Social e Paroquial de Paderne, em Albufeira, como refere David Cabrita, diretor de serviços da instituição algarvia: “Para a abertura ainda estamos sem orientações e esclarecimentos superiores. São, no total, 178 crianças e precisamos de esclarecimentos. Ainda não sabemos quem voltará, mas sabemos já que vamos ter algumas rescisões, porque há pais a ficar desempregados e que ficarão com as crianças em casa. Depois, há famílias que estão sem condições financeiras e a isto junta-se o receio dos pais em trazerem as crianças para a creche”.
A situação económica e financeira das famílias está a deteriorar-se novamente e as instituições começam a sentir, “pois já temos uma grande quantidade de pedidos de apoio alimentar”.
Nas três creches do Centro Social e Paroquial de Paderne, mais de 50% do pessoal está em casa em assistência aos filhos e as educadoras em lay-off.
E aqui entronca o grande problema que David Cabrita identifica nesta reabertura de atividade nas creches: “Cerca de 50% das funcionárias da creche tem filhos no 1º Ciclo e que, por isso, estarão em casa. Este é o grande senão, pois não temos pessoal para abrir”.
Este não é um obstáculo para o Centro Social Paroquial de São Bernardo, onde a componente das respostas à Infância é predominante.
Quando encerraram portas a 16 de março, “alguns trabalhadores foram para lay-off, outros foram destacados para o lar e há ainda uma percentagem em casa a dar assistência a familiares”, refere Isabel Mónica, diretora de serviços da instituição aveirense.
Para a abertura a 18 de maio, a instituição já começou “a contactar os pais para saber do interesse em trazer as crianças, mas sabemos que muitos não virão para já”.
Já em termos de pessoal, “não haverá problema para retomar as atividades”, sustenta Isabel Mónica.
Com uma creche apenas para 12 crianças, a Associação de Beneficência «Amigos da Terrugem, concelho de Elvas, que há muito vem sentido a diminuição de crianças na freguesia, em princípio não abrirá a 18 de maio.
“Quando fechámos as nossas três trabalhadoras não quiseram entrar em lay-off e quiseram ajudar e passaram para o lar de idosos. A educadora ficou responsável pelos contactos dos idosos com os familiares por videochamada e as duas auxiliares ajudam no que é necessário”, explica João Pataca, diretor de serviços, acrescentando: “Ainda antes de se saber da abertura das creches a 18 de maio, chegámos a acordo com elas para gozarem as férias de Agosto agora no mês de maio, uma vez que a creche estará aberta nesse mês este verão, face às circunstâncias. Elas compreenderam a situação que a pandemia está a implicar na vida de todos e deram uma demonstração de solidariedade”.
Enfrentando mais uma vez grandes desafios, as instituições têm dado mostras de grande vitalidade, reinventando-se e buscando soluções para os muitos problemas que se lhe deparam.
“Apesar dos receios próprios, acredito que as instituições vão conseguir a retoma da confiança dos pais e organizar a resposta cumprindo as regras de segurança e de distanciamento”, sublinha o padre Lino Maia, presidente da CNIS.

 

Data de introdução: 2020-05-06



















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