MARIA DAS DORES MEIRA, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SETÚBAL

É um orgulho e uma alegria receber a Festa da Solidariedade

Setúbal foi a cidade escolhida para receber a edição 2018 da Festa da Solidariedade, que se realiza dia 9 de junho, na Praça José Afonso. Maria das Dores Meira, presidente da Câmara Municipal de Setúbal, dá conta, em entrevista ao SOLIDARIEDADE, da “satisfação” e “orgulho” pela escolha da CNIS, sublinhando o “papel insubstituível” das IPSS no concelho. Apelando à participação maciça das instituições de Setúbal e do distrito, a edil diz: “Ninguém caminha sozinho, por isso têm que estar juntas umas com as outras”.

SOLIDARIEDADE - Como vê o papel das IPSS no concelho de Setúbal?
MARIA DAS DORES MEIRA
- Um papel insubstituível em relação à proteção dos mais carenciados, a todos os níveis, desde o carenciado físico até ao carenciado psíquico, desde o que está só, e pode não ser por falta de dinheiro, até aos que tem carências a nível de alimentos, medicamentos ou outras questões. E são estas instituições, e as pessoas que lá trabalham, que entregam todo o seu saber e toda a sua forma de estar, de entrega e de resolução dos problemas dos outros que estão mais próximas. Normalmente, o Estado está longe e não sente estas necessidades e, por isso, era muito difícil a vida destas pessoas se não fossem as IPSS.

E um papel com história, porque como é sabido, há 30 anos, a Península de Setúbal passou por uma grave crise?
Já nessa altura, se não fossem as IPSS, os maus momentos que se passaram teriam sido bem piores. Foram as IPSS que, de facto, colmataram essa lacuna do Estado, não só a económica, mas também a política. A ausência de atenção que o Estado Central, esteja lá que partido estiver, tem dado ao distrito de Setúbal tem sido gritante desde o 25 de Abril. Tem sido uma atenção desigual em relação ao resto do país.

Como é a relação da Autarquia com as IPSS?
É excelente. É de uma grande proximidade e não pode ser de outra forma. As IPSS têm como principal mecenas o Poder Local, que tem essa responsabilidade. O Poder Local é que tem terrenos disponíveis para uma IPSS que quer fazer um centro de dia, uma creche ou um lar de idosos. E o Poder Local tem obrigação de ceder esse terreno, que não pertence ao Executivo que está em funções, mas é pertença de todos os setubalenses e azeitonenses. Nesse sentido, tem que ser disponibilizado àqueles que necessitam dele para satisfazer as necessidades das pessoas e assegurar que não é usado com fins lucrativos. O terreno é usado no proveito das pessoas e da comunidade, porque as pessoas são o nosso maior património. E nós temos que ter os nossos munícipes bem tratados e quem faz isso são as IPSS. Quando nos solicitam algo, só se não pudermos é que não acedemos.

E como vê a escolha da CNIS em eleger Setúbal como a cidade que vai acolher a XII Festa da Solidariedade?
Com muito orgulho e muita satisfação, porque somos uma cidade que sabe e gosta muito de receber. Portanto, ter Setúbal como centro do movimento solidário, recebendo todas as instituições e todas as pessoas que trabalham para os outros, é para nós uma grande festa e uma grande alegria. Nesse sentido, deixo um agradecimento à CNIS pela escolha.

Uma mensagem para a cidade em função da Festa?
A cidade tem que participar toda, porque temos muitas IPSS que fazem um excelente trabalho e, por isso, têm que vir para a rua festejar o facto de termos sido nós os escolhidos para acolher a Festa da Solidariedade, uma iniciativa de homenagem e honra ao trabalho das próprias instituições. É necessário que as instituições venham para a rua dar conta dessa alegria e satisfação e dizer que estão cá e que é com muito orgulho que fazem o trabalho que fazem. A mensagem é esta: Ninguém caminha sozinho, por isso têm que estar juntas umas com as outras.

Pedro Vasco Oliveira (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2018-05-25



















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