ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

O êxodo do povo venezuelano

As imagens que vão chegando da fronteira entre a Venezuela e a Colômbia fazem-nos lembrar os dramas que acontecem diariamente noutras regiões do mundo, particularmente em África e no Médio Oriente. São imagens particularmente chocantes porque dizem respeito ao êxodo de milhares de pessoas que, neste caso, fogem de um país que é só um dos maiores produtores de petróleo do mundo e o mais rico em reservas do chamado ouro negro, um país para o qual migravam, até há poucos anos, milhares de pessoas em busca de um vida melhor, como foi o caso de muitos portugueses. Em pouco tempo, a Venezuela passou de um país de imigração para um país de emigração, e de emigração forçada.

Nos últimos tempos, a fuga de venezuelanos para a Colômbia assumiu características de um autêntico êxodo, e este êxodo transformou-se num problema humanitário a que a comunidade internacional não poderia ficar indiferente. E não ficou, como se depreende da posição assumida pela própria ONU, face à degradação do processo social e político que se desenrola naquele país. O governo da Colômbia viu-se confrontado repentinamente com um desafio para o qual não tinha capacidade de reposta total e imediata, mas decidiu aceitá-lo corajosamente, lembrando aos seus concidadãos que ainda não há muito, em tempos bem difíceis para o país, foram os colombianos a precisar do acolhimento e da ajuda dos venezuelanos. Um comportamento exemplar por parte do seu presidente, José Manuel Santos, neste tempo em que o drama dos refugiados motiva cada vez menos reacções de solidariedade.

Como é que um país potencialmente tão rico como a Venezuela chegou aos extremos que nós conhecemos, constitui, já há bastante tempo, matéria de análise política mais ou menos polémica e apaixonada, mas uma conclusão parece inquestionável: a crise que se abateu sobre o povo venezuelano é inseparável do fanatismo populista que contaminou a vida política do país desde que Hugo Chavez, o fundador e mentor da chamada revolução bolivariana chegou ao poder, uma revolução que Nicolas Maduro não tem cessado de aprofundar. Trata-se de um fanatismo ideológico pintado com as cores de um nacionalismo exacerbado que atribui a inimigos externos, principalmente aos Estados Unidos, a responsabilidade por todas as dificuldades - e estas são cada vez maiores - por que passam os venezuelanos. São dificuldades materiais gritantes, mas também dificuldades políticas graves, porque o chamado governo bolivariano já encontrou a estratégia para se perpetuar no poder. As próximas eleições presidenciais vão provar isso mesmo. Entretanto, o êxodo vai continuar…

 

 

Data de introdução: 2018-03-10



















editorial

As nossas diferenças potenciam a coesão e a união

Discurso do Presidente da Mesa da Assembleia Geral da CNIS, José Carlos Batalha, por ocasião da tomada de posse dos órgãos sociais para o mandato 2019-2022. 

inquérito

Que expectativa tem para o ano de 2019?

opinião

ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

Estados Unidos: a crise do orçamento e o muro
Que um governo norte-americano fique temporariamente inoperacional, por via da não aprovação do seu orçamento, não constitui propriamente uma novidade. Que uma crise...

opinião

PADRE JOSÉ MAIA

Obrigado, Padre Lino!
Ainda no rescaldo do sufrágio eleitoral na CNIS em que o Padre Lino Maia voltou a merecer, por voto secreto, a confiança das centenas de Instituições Particulares de...