PADRE JOSÉ MAIA

Indicadores de confiança (?)

Decididamente, esta é uma frase que anda na moda, escrita e falada em tudo quanto é sítio, papagueada, dia noite, por todos os comentadores da nossa praça.

Afinal, de que confiança falamos?

O Primeiro-Ministro, ao apresentar os seus argumentos para poder formar Governo e conduzir o país na senda do crescimento económico como forma de contrariar a austeridade, com apoio dos partidos à sua esquerda, prometeu para 2016 um crescimento económico de 2,6%. Formou-se o Governo e começaram de imediato as medidas para atingir esta meta. Entretanto, passados poucos meses, acontece que, a correr bem, em vez dos 2,6%, o tal crescimento não passa dos 0,9% Agora dizem-nos que está a crescer menos, mas ainda assim estes dados devem ser considerados como indicadores de confiança!

Com horizontes de confiança nestes termos e percentagens, considerando-os um sinal de confiança, estamos conversados!

É certo que há indicadores efetivos de retoma de outra confiança que começa a querer regressar ao país, após os duros anos de austeridade dos últimos anos, provocados pela necessidade de obrigar os portugueses a pagar os desmandos de sucessivos Governos que nos levaram à necessidade de recorrer à troika! E o anterior Governo, ao querer andar depressa demais…exagerou na dose!

E esta confiança que dá provas de querer regressar às nossas vidas pessoais, familiares e até nacionais, qual sol após violentas tempestades, curiosamente, fica a dever-se às glórias desportivas da nossa seleção nacional de futebol, de hóquei patins e outras. O canto do hino nacional, acompanhado do içar da nossa bandeira, dentro e fora do país, são expressões reveladoras de que, para além de governos que nos desgovernam, há um povo que ainda é nobre e uma nação que será sempre imortal!

Goste-se ou não…o fenómeno de popularidade do Presidente Marcelo aí está para demonstrar que se podem desempenhar altas funções de Estado com afeto e respeito pelo povo, merecendo a sua confiança.

Mas, para isso, o mesmo povo a quem disseram que é ele que ordena, deve reclamar o direito de ser ele a poder eleger quem o respeita e a negar-se a colocar cruzinhas em boletins de voto onde os partidos colocam pessoas que ninguém conhece e a quem, na hora da verdade, nunca podem pedir contas do que fazem e não fazem!

Depois, temos ainda indicadores de abuso de confiança, como é o caso da “ditadura fiscal”, que anda a lançar impostos sobre tudo o que mexe (ou até não mexe, como é o caso do IMI), comportando-se como uma “espremedeira vinícola” que vai apertando os contribuintes até que eles entendam que vivem para assegurar a sobrevivência do Estado e todos os seus desmandos (as “reversões” são bonitas, até poderão ser justas…mas são pagas à custa de quem)?

Por fim: indicadores de confiança, mesmo, são o retorno da natalidade, com alguma consistência e o turismo que, graças ao bom tempo e à hospitalidade dos portugueses, nos vai trazendo atividade económica a sério, daquela que nós precisamos. É que, sem atividade económica que não crie receitas, não se torna possível, como pretendem certos aprendizes de política e de sindicatos, garantir empregos com salários justos… a não ser que sejam eles a criar tais postos de trabalho, mas não à pala do Estado, que terão de ser sempre os nossos impostos a pagar! Porque é que os sindicatos não desenvolvem eles mesmos (e não à pala do Estado) atividades económicas, assumindo-se como patrões, e mostrando como as suas teses reivindicativas sobre os outros afinal são podem ser viáveis?

 

Pe. José Maia

 

 

Data de introdução: 2016-09-08



















editorial

Qualidade e Qualificação

O que quer que se faça nas Instituições de Solidariedade, seja ao nível dos processos de gestão, seja ao nível dos recursos humanos ou doutros recursos, não constitui um fim em si mesmo, mas sim instrumentos para atingir o fim...

Não há inqueritos válidos.

opinião

PADRE JOSÉ MAIA

Dignidade e Direitos Humanos
Vivemos tempos conturbados em que a supremacia do poder económico e financeiro sobre o poder político se vai impondo, atirando para as periferias da pobreza e das várias...

opinião

ANTÓNIO JOSÉ DA SILVA

Estados Unidos e Rússia: uma relação menos clara
Nos anos que mediaram entre o fim segunda guerra mundial e o desaparecimento da União Soviética, as relações entre a Rússia e os Estados Unidos foram sempre muito claras....