ESTUDO CNIS

Cada euro nas IPSS vale 2,46 euros

“Este estudo que é sobre quatro concelhos do País e confirma aquilo de que já havia impressão, que as instituições de solidariedade têm uma enorme importância no sentido da promoção de atividades económicas”, comentou, ao SOLIDARIEDADE, o padre Lino Maia no final da apresentação do estudo, que decorreu no Centro Cultural Raiano.
Especificando, o presidente da CNIS explicou que as atividades económicas devem ser entendidas “no verdadeiro sentido de economia, que é a promoção, o governo, a ajuda à pessoa e não propriamente a criação de mercado”.
Neste particular, o presidente da CNIS foi muito assertivo, sublinhando o papel das IPSS ao longo do território nacional: “A economia visa as pessoas e não o lucro. Aqui as instituições sociais têm uma importância determinante, porque não visando o lucro, mas o apoio às pessoas, ajudam as pessoas a viver com mais qualidade e mais esperança”.
Ciente da dimensão do estudo, o padre Lino Maia referiu a necessidade de se promover um estudo à escala nacional para, “de algum modo” também dar ao País a ideia de que o futuro está em darmos um sentido novo à economia, ou seja, a economia ao serviço das pessoas e não as pessoas ao serviço do mercado”.
O estudo «Impactes Económico e Social das IPSS», realizado pelo IPI Consulting Network, foi apresentado pelo seu coordenador Carlos Medeiros que, depois de explicar o âmbito e a metodologia adotados, revelou os principais resultados da investigação que incidiu sobre quatro concelhos: Idanha-a-Nova, Macedo de Cavaleiros, Peniche e Montijo.
“São quatro estudos de caso dos impactes económico e social das IPSS e uma proposta de estratégia de atuação para a sua maximização”, explicou Carlos Medeiros, concretizando: “Trata-se de um estudo pioneiro, que permitiu quantificar os impactes económicos diretos, indiretos e induzidos das instituições da Economia Social nos quatro concelhos, assim como o seu impacte social, ter um cenário quantificado do papel das IPSS ao nível do concelho e compreender como as IPSS são fundamentais para a economia dos municípios, em especial os mais envelhecidos e desertificados”.
O estudo é um retrato ao nível micro do papel fundamental da Economia Social na sociedade portuguesa, cujos resultados não podem deixar de ser tidos em conta.
Versando dois concelhos do Interior, predominantemente rurais e com uma população muito envelhecida (Idanha-a-Nova e Macedo de Cavaleiros) e dois da zona Litoral, um deles da Área Metropolitana de Lisboa e um outro onde a pesca é o sector económico mais relevante (Montijo e Peniche), pretendeu-se com o estudo que, em quatro etapas, se conseguisse: quantificar o impacto económico da atividade das IPSS, com recolha de informação em fontes primárias e secundárias (IPSS, Municípios, INE, Segurança Social, etc.); Medir o valor social da atividade das IPSS, com a análise de 186 metodologias, tendo a escolha recaído no SROI (Retorno Social do Investimento), que compara o valor gerado por uma intervenção (benefícios) com a despesa necessária (investimento) para a obter; Fazer a análise comparada do impacto económico e social nos quatro municípios, na ótica dos impactos económico e social e na ótica das respostas sociais; Propor uma estratégia e ações para maximização dos impactos (dirigida às IPSS e ao legislador).
E como principais conclusões, Carlos Medeiros destacou o facto de o retorno social ser sempre positivo, assumindo maior importância em Idanha-a-Nova, onde cada euro investido numa IPSS tem um retorno social de 5,27 euros. Dentre os quatro concelhos analisados, o retorno social mínimo e em média é de 2,46 euros.
Por outro lado, quanto à quantificação dos impactos económico e social das IPSS nos respetivos concelhos, Carlos Medeiros revelou: “Um aumento de 3% do total da Produção; um aumento de 9% do total do VAB; e um aumento de 6% do total do Emprego.
Por isso foi-lhe fácil concluir que “o custo suportado pela sociedade é mais do que compensado pelos benefícios sociais que proporcionam”.
O estudo não se ficou por analisar a realidade e dela retirar conclusões, pretendeu essencialmente apontar caminhos para que se possa maximizar os impactos das IPSS.
Assim, o estudo deixa um conjunto de propostas: Para as IPSS, que integrem a estratégia de desenvolvimento territorial e de inclusão social dos municípios onde estão inseridas; que desenvolvam a avaliação dos diferentes aspetos da sua sustentabilidade e adotem medidas para a sua melhoria; que identifiquem e avaliem boas práticas e casos inovadores e promovam a sua divulgação e implementação; para o Estado, que o poder autárquico e o poder central tenham em conta o impacto económico e social das IPSS ao definir as suas políticas.
A este propósito, Carlos Medeiros instou o padre Lino maia a “usar do seu grande poder de influência junto dos governantes para que haja um efetivo apoio ao empreendedorismo, às microempresas e ao emprego próprio”, que necessitam de uma “atenção diferenciada”.
A sessão de apresentação do estudo foi presidida pelo edil de Idanha-a-Nova, Armindo Moreira Jacinto, e contou ainda com a presença de Fernando Nogueira, presidente da Fundação Millennium BCP, que, em jeito de resumo, afirmou: “Tinha a certeza empírica de que o estudo iria dar estes resultados sobre a grande importância deste setor social”.
A sessão contou ainda com a participação de Américo Mendes, da Universidade Católica do Porto que contextualizou o estudo com uma alocução intitulada «O papel da Economia Social no Desenvolvimento Territorial».

PVO (texto e fotos)

 

Data de introdução: 2015-04-23



















editorial

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As quatro organizações representativas do Sector  (União das Mutualidades, União das Misericórdias, Confecoop e CNIS) coordenaram-se entre si. Viram, ouviram e respeitaram. 

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