PADRE JOSÉ MAIA

Imigração e Humanismo

Vai sendo tempo de Portugal saber ler, interpretar e lidar adequadamente com o fenómeno da imigração, reduzindo-o a uma questão de quotas ou de tolerância em relação a quem nos procura para aqui instalar a família e ganhar o seu pão.
É evidente que não podemos embarcar alegremente na ideia de que Portugal se deve sentir obrigado a dar abrigo e trabalho a todos quantos manifestarem vontade de adoptar Portugal como terra de acolhimento, sem antes nos interrogarmos se temos condições para lhes garantir trabalho, condições para reagrupamento familiar, escola para os filhos, esperando que eles mesmos, através do seu trabalho, possam vir a ter acesso a uma habitação. 

Foi assim que alguns milhões de portugueses, no decorrer dos séculos, procuraram também noutros países as condições que Portugal lhes negou para poderem beneficiar de melhores condições de vida para as suas famílias.
Ninguém ignora a complexidade dos fluxos migratórios e imigratórios e as suas consequências, sobretudo se não existirem políticas preventivas e de acompanhamento social de quem se desloca do interior para as grandes áreas metropolitanas e/ou de outros países para Portugal. 

Porém, no nosso país têm acontecido comportamentos e práticas burocráticas em relação a imigrantes que são uma falta de humanismo, que representam um verdadeiro atentado à nossa tradição de povo hospitaleiro e aberto ao mundo, qualidades que estão inscritas na nossa matriz civilizacional em consequência da nossa aventura de descoberta, encontro e convivência com outros países espalhados pelo mundo. 

É um escândalo a forma como se toleram filas intermináveis de pessoas que, para obter informações ou legalizar a sua situação, se vêm forçadas a madrugar, sem a garantia de serem atendidas. 

É um escândalo utilizar trabalhadores imigrantes enquanto são necessários para "grandes obras de regime" e depois tratá-los como "descartáveis", devolvendo-os à sua pátria de origem, sem lhes darem uma oportunidade de poderem encontrar novas oportunidades de renovação da sua autorização de residência, no caso de conseguirem propostas de trabalho por conta própria ou por conta de outrém. 

O actual Governo inscreveu no seu programa o compromisso por uma "política de imigração inclusiva", explicitando que será "uma política de abertura regulada à imigração, adoptando uma estratégia em torno de três eixos: regulação, fiscalização e integração".
Continua o programa de Governo a assumir o compromisso de adoptar uma política de imigração inclusiva ao afirmar: "...temos o dever de proporcionar aos imigrantes o acesso a condições mínimas de sustentação e integração". 

Esperemos que as políticas de imigração sejam norteadas por maior humanismo, na certeza de que o bom acolhimento que lhes prestarmos se repercutirá uma dia na convivência de cidadania que urge preparar, pois será em grande parte, através de imigrantes, que num futuro não muito distante, Portugal terá de repensar o seu futuro como país! 

* maia@paroquia-areosa.pt

 

Data de introdução: 2005-04-27



















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