OPINIÃO

A estratégia do orgulho patriótico- por A. J. Silva

A Coreia do Norte acaba de lançar, desta vez com êxito, o seu tão ambicionado satélite, conseguindo esse objectivo com um foguetão de longo alcance, que parece ter funcionado na perfeição. Muitos países, nomeadamente a Coreia do Sul, o Japão e os Estados Unidos, regiram mal a esta notícia, convencidos de que este êxito científico e militar constitui um passo importante para a afirmação e consolidação do regime estalinista que controla o país desde a chegada ao poder da dinastia dos Kim: Kim Il Sung, Kim Jung Il e Kim Jung Un. Mais ainda, temem que este êxito funcione como etapa decisiva no caminho do seu projecto nuclear.
A gigantesca praça de Pyongyang, a capital norte-coreana, encheu-se de uma multidão tão entusiasmada como disciplinada, para louvar os seus líderes por mais esta conquista. À frente desta imensa multidão lá estavam os militares, pilares do regime, garbosos e absolutamente irrepreensíveis, numa espécie de liturgia inúmeras vezes repetida, e cuja grandiosidade pretende demonstrar a felicidade do povo e garantir a sua fidelidade.
Apesar da conquista militar e científica que representa o lançamento de um satélite transportado por um foguetão próprio, a Coreia do Norte continua a ter um nível de vida extremamente baixo. É verdade que o período mais duro da fome que atingiu a sua população há alguns anos atrás, já foi ultrapassado, mercê das ajudas que chegaram de muitos países, entre os quais os Estados Unidos, mas a situação alimentar continua problemática.
Seja como for, a História ensina que, na maior parte dos casos, é possível controlar as reacções negativas de um povo, através da manipulação do seu espírito patriótico. O orgulho pelas “conquistas” de um país, sejam elas de que tipo forem, faz esquecer os problemas e as dificuldades por que passam os seus cidadãos, sobretudo quando estes vivem fechados ao mundo exterior, como é o caso da Coreia do Norte.
O facto é que o povo deste país continua a participar, aparentemente com grande entusiasmo, nas grandes manifestações de louvor aos seus líderes. Foi assim no tempo de Kim Il Sung e foi assim no tempo do seu filho Kim Jong Il, e o mesmo se passa com o neto, Kim Jong Un. Os três são heróis de uma dinastia que promete resistir à passagem dos anos, agora com a ajuda de um foguetão e de um satélite…

António José da Silva

 

Data de introdução: 2013-01-11



















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