PRESIDENTE DA REPÚBLICA NA SESSÃO DE ABERTURA

Cavaco Silva tece duras críticas à nova lei do divórcio

As incongruências da nova lei do divórcio e as consequências sociais que daí advêm foram objecto de crítica por parte do Presidente da República na sessão de abertura do IV Congresso Nacional da CNIS. Cavaco Silva salientou o facto de muita da legislação produzida em Portugal não ter em conta “o país que somos”, críticas já expressas na abertura do ano judicial. O chefe de Estado diz que a nova lei do divórcio é um exemplo desse desajustamento e que já alertou os portugueses para as “consequências sociais” que isso traz: “A maioria dos casos de novos pobres está associada a situações de divórcio, casos que tendem a aumentar com a nova lei”.
Preocupado com a situação de crise económica que o país vive, o presidente salientou o papel dos laços familiares para “amortecer” alguns efeitos da mesma referindo, no entanto, que face à desestruturação da família, “esses laços já não existem ou revelam-se muito frágeis”. Os “novos pobres” fizeram também parte do discurso do governante que destacou os dramas e os nomes por detrás das estatísticas que, no seu entender são um alerta para a “dimensão social que a actual crise económica e financeira tem vindo a assumir”.
As debilidades da estrutura social portuguesa, com níveis de coesão muito baixos, desigualdades muito acentuadas na distribuição de rendimentos, uma taxa elevada de risco de pobreza, associada a baixos níveis de escolarização são, segundo o presidente da república, factores que agravam a actual situação do país. “Aqueles que tinham desafogo económico vêm-se de um momento para o outro caídos numa situação de desemprego, endividamento excessivo e, porque não dizer, de fome”. O presidente lembrou que os mais afectados pela conjuntura social são as crianças, em particular as de famílias monoparentais, os idosos, os doentes e os cidadãos portadores de deficiência.
Dirigindo-se às instituições de solidariedade, Cavaco Silva expressou o seu “reconhecimento” pelo trabalho desenvolvido e pela contribuição que têm dado para que a sociedade portuguesa seja mais “coesa, mais solidária, mais justa e mais desenvolvida”. A necessidade de assegurar os meios materiais indispensáveis à acção social e de definir bem as prioridades de actuação foram também referidas: “A solidariedade social não vive só de apoio e dádivas”.
Apesar do cenário ser pessimista, o chefe de Estado diz estar “optimista” e encarar o futuro com “confiança”, contando com a “dedicação, competência e capacidade de mobilização” das instituições de solidariedade.

30.01.2009

 

Data de introdução: 2009-01-31



















editorial

Plano interministerial e intersectorial para a Saúde e Longevidade da população (I)

O caminho da consciencialização pública e política sobre a necessidade de um Plano interministerial e intersectorial para a Saúde e Longevidade da população, cuidando do envelhecimento ao longo da vida, tem já um longo...

Não há inqueritos válidos.

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Por uma democracia melhor
Vivemos num regime democrático. Este modelo de governação não é novo. Remonta aos tempos da Grécia Antiga. Não sendo, ainda, um modelo perfeito, é...

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

PSU: um regresso à inserção ainda por confirmar
Volto ao tema da Prestação Social Única, que tratei no artigo anterior. A simplificação dos apoios sociais é, em si mesma, uma boa ideia. O problema estava —...