COVID-19 - TESTEMUNHO UDIPSS SETÚBAL

Luz ao fundo do túnel?

Com o intuito de traçar um retrato da situação das IPSS a nível nacional perante a pandemia do novo coronavírus, fica o testemunho dos responsáveis pelas diversas estruturas intermédias da CNIS.
Assim, aos dirigentes das Uniões Distritais e das federações da área da Deficiência que integram a CNIS foram colocadas duas questões sobre o momento atual.

FERNANDO SOUSA, UDIPSS Setúbal.

1 – Que balanço faz da pandemia nas IPSS do distrito?

"A pandemia da Covid-19 trouxe ao distrito de Setúbal o medo e a incerteza de uma forma generalizada e às IPSS uma dificuldade acrescida à já sua débil sustentabilidade. Com o encerramento de algumas respostas sociais, as famílias deixaram de contribuir com a comparticipação familiar, como está regulamentado, passando em muitos casos a não contribuir. No entanto, as IPSS, como instituições de solidariedade que são, não deixaram de prestar apoio aos mais necessitados e carenciados, encontrando elas próprias outras formas de apoio. Aqui, os dirigentes e colaboradores arregaçaram as mangas e foram à luta, sendo que em muitas situações sentiram que estavam sozinhos. O apoio do Estado tem pecado por tardio e insuficiente, pese embora tenha continuado a fazer chegar o valor da cooperação. No entanto, os custos de operacionalização das IPSS foram acrescidos por todas as necessidades de despiste e proteção de utentes e colaboradores e de muitas práticas que diariamente tem lugar na vida institucional, nomeadamente a distribuição alimentar que passou a ser fornecida em recipientes descartáveis. Não fora as Autarquias, empresas e cidadãos anónimos, que nos fizeram chegar vários apoios, tudo teria sido bem pior. Os números oficiais do efeito da pandemia no distrito são preocupantes, mas não alarmantes, pensando que, com os cuidados que fomos tendo, o resultado está aí. O distrito de Setúbal tem uma caraterística muito especial, pois está repartido em duas regiões, a Península de Setúbal e o Alentejo Litoral, onde de facto a infeção tem números bem diferentes".

2 – Como perspetiva o futuro próximo?

"Com o levantar do confinamento que se prevê e com a retoma da economia, que a nosso ver não vai voltar em crescimento como se estava a verificar, vai ser difícil para as famílias. Acreditamos que vai voltar a agravar-se a capacidade financeiras dos agregados familiares e as dificuldades que daí advêm. Temos a certeza que iremos voltar aos anos de crise e que teremos de nos preparar para voltar a dar resposta a quem nos procurar. Esperamos que, mais uma vez, não fiquemos sós, esperando que quem tem obrigação esteja também preocupado e disponível para podermos apoiar quem precisa. No entanto, nada ou quase nada vai ser igual e todos temos de ter procedimentos de cautela e proteção, por não sabermos até quando temos de conviver com este inimigo invisível que mata sem dar tréguas. Finalmente, e aproveitando a ocasião, quero deixar o agradecimento e reconhecimento ao espírito de missão que, diariamente, todos os que fazem parte da grande família que são as IPSS no nosso distrito, pois têm sabido pô-lo à frente dos seus receios e incertezas, levando o apoio a quem necessita e está à nossa responsabilidade. Continuamos a contar com todos, porque todos vamos continuar a ser necessários para este combate, que ainda está longe de terminar".

 

Data de introdução: 2020-05-07



















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