SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE ÍLHAVO

Hospital de Cuidados Continuados em 2007

Em Ílhavo, vai nascer um Hospital de Cuidados Continuados, por iniciativa da Santa Casa da Misericórdia, em parceria com a Câmara Municipal. Tudo aponta para que as obras se iniciem em meados do próximo ano, devendo o edifício ser inaugurado, já de portas abertas, em 2007. Quem o garantiu foi o professor Fernando Maria da Paz Duarte, provedor da Santa Casa desde 1998, em conversa com o SOLIDARIEDADE. A obra e o respectivo equipamento estão estimados em quatro milhões de euros.

A ideia da criação de um Hospital de Cuidados Continuados nasceu há meia dúzia de anos e ficou a dever-se aos desejos manifestados pelos Irmãos e pela população em geral, que gostariam de ver a Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo a retomar os serviços de Saúde que durante décadas ofereceu aos ilhavenses e povos vizinhos. 

Fundada em 1898 por um grupo encabeçado por Viriato Teles, desde logo conseguiu mobilizar as gentes da terra maruja para a construção de um edifício onde passou a funcionar um Hospital, sem quaisquer apoios oficiais. Com as nacionalizações impostas pela Revolução dos Cravos, o Hospital passou a ser administrado pelo Estado e em 1991, com o fecho dos serviços hospitalares, ali foi instalado o Centro de Saúde e o Centro de Atendimento Permanente. 

Sem o seu imóvel principal, a Santa Casa implementou outras valências, em espaços adjacentes ao Hospital, oferecendo ao povo ilhavense Creches, Creche Familiar (Amas) Jardins--de-Infância, ATL, Apoio Domiciliário a idosos e Apoio Domiciliário Integrado (para pessoas dependentes de cuidados médicos e de enfermagem), neste caso em parceria com o Centro de Saúde e com a Câmara Municipal. Possui ainda serviços de Fisioterapia e de Imagiologia. No total, conta com 100 funcionários que trabalham directa ou indirectamente com 400 crianças e 130 idosos. Os utentes da Fisioterapia e da Imagiologia chegam aos 60 por dia, em cada uma destas valências. 

O Hospital de Cuidados Continuados, que vai ser construído com aproveitamento das raízes do velho edifício, mantendo a fachada frontal, destina-se, essencialmente, a internamento de pessoas com necessidades de cuidados de Saúde durante períodos mais ou menos longos. É, no fundo, uma resposta à falta de vagas nos Hospitais Distritais ou Centrais, adiantou-nos o provedor Fernando Maria. E logo acrescentou que a grande aposta vai ser a recuperação rápida e a reintegração possível dos doentes no seio familiar. Daí o investimento muito grande que vai ser feito ao nível da Fisioterapia, frisou. 

Por outro lado, o Hospital vai ficar com características próprias que permitam o contacto diário dos internados com os seus familiares, pois se acredita que a família pode ser motor essencial da recuperação dos seus doentes. Quando os utentes puderem regressar a casa, o apoio vai permanecer, se for indispensável, agora com a ajuda dos familiares disponíveis, se os houver. 

Os doentes serão encaminhados para aquela Unidade de Saúde pelos Hospitais Distritais ou Centrais, mas também podem vir directamente das famílias, se tal se justificar e só depois de cada caso ser estudado. No entanto, haverá uma oferta muito importante: em caso de férias, de períodos de descanso ou de viagens inadiáveis das famílias, os seus idosos poderão ser recebidos no Hospital por períodos pré-determinados. 

Fernando Maria reconheceu que no concelho de Ílhavo a população idosa tem vindo a crescer, tendo subido, no último censo, dois pontos percentuais, graças à esperança de vida que é cada vez maior. Em sua opinião, esta realidade não pode ser ignorada e urge começar, quanto antes, a pensar no futuro. Foi o que a Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo fez, imediatamente apoiada pela autarquia local, com quem estabeleceu uma parceria de cooperação, que está programada para além da conclusão das obras. O primeiro passo foi dado com a elaboração do projecto, da responsabilidade do ilhavense arquitecto Paradela. 

O provedor da Santa Casa está optimista, quanto aos financiamentos. A candidatura ao programa "Saúde 21", de fundos comunitários, cuja decisão poderá ser conhecida neste mês de Novembro, garantirá um máximo de 500 mil euros. Depois, espera-se que o Estado assuma as suas responsabilidades pela nacionalização e ocupação, por arrendamento, do edifício do Hospital da Misericórdia, responsabilidades essas que em 1997 foram calculadas em mais de 138 mil contos. 

Hoje, essa dívida é muito maior, atendendo, obviamente, à inflação. Contudo, o Estado propôs, em 1999, uma indemnização de pouco mais de 41 mil contos, tendo a Santa Casa avançado com a contraproposta de 75 mil contos. A decisão estatal ainda não está tomada, mas deverá corresponder às aspirações da instituição, que quer contribuir, com esta iniciativa algo inédita, para uma melhor qualidade de vida dos idosos e doentes mais carenciados. 

Para além dessas verbas, Fernando Maria conta com a contribuição da população do concelho e dos concelhos limítrofes, porque todos serão beneficiados, mas também dos emigrantes, que muito amam a sua terra e que, tantas vezes, têm mostrado a sua generosidade. Se for preciso, a Misericórdia de Ílhavo está disposta a alienar património e a contrair empréstimos, somente em último recurso, sublinhou o provedor Fernando Maria. 

O Hospital de Cuidados Continuados vai ocupar três pisos e um aproveitamento superior, por onde se estendem os quartos individuais para 55 camas, sendo seis de duas camas. Não faltarão as mais diversas áreas, indispensáveis ao funcionamento de uma Unidade de Saúde como esta, com exigências muito próprias. Gabinetes médicos e de enfermagem, salas de estar e de convívio, cozinha, bar e refeitório, salas de pessoal e de formação, sanitários e enfermarias, rouparia e salas de tratamentos especiais, infra-estruturas de gás, água e aquecimento, zona administrativa e da provedoria, tudo vai ser equipado com o que houver de mais moderno e funcional. 

O destaque, porém, vai para a Fisioterapia, ampla e preparada para todas as suas valências, já que o grande objectivo deste projecto é contribuir, com a máxima rapidez possível, para a reintegração dos doentes, tanto dos internados como dos que vierem a recorrer a este serviço, vindos do exterior.

 

Data de introdução: 2004-11-13



















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