Celebrando com a Cáritas

1. Por ser o terceiro domingo da Quaresma, 11 de Março é o Dia Nacional da Cáritas, instância oficial da Igreja para a promoção da sua acção social.
Criada logo após a II Guerra Mundial e, então, assumindo como primeira actividade o acolhimento de crianças refugiadas, na resposta aos problemas sociais de maior gravidade a Cáritas, logo aí, viu definida uma das suas principais vocações.
Como objectivos que a individualizam, a Cáritas tem a assistência em situações de emergência ou dependência, a promoção da autonomia e do desenvolvimento integral de cada ser humano e a transformação nos domínios sociais e ambientais de acordo com os valores da ética cristã.
Presentemente, a Cáritas Portuguesa é a federação nacional que congrega as 20 Cáritas Diocesanas distribuídas pelo território continental e regiões autónomas dos Açores e da Madeira, que, em conjunto, se regem pela doutrina social da Igreja e orientam a sua acção de acordo com os imperativos da solidariedade, dando resposta às situações mais graves de pobreza, exclusão social e situações de emergência em resultado de catástrofes naturais ou calamidade pública. A Cáritas intervém na implementação de programas de apoio materno-infantil, infanto-juvenil, terceira idade, mulheres vítimas de violência doméstica bem como na luta contra a exclusão social, em especial no apoio às minorias étnicas, comunidades de imigrantes e suas famílias, toxicodependentes, seropositivos e alcoólicos.
E, expressivamente, a Cáritas vem favorecendo a interiorização e a universalização do serviço à paz…


2. Ao longo dos tempos, a Igreja exerceu a sua função pastoral da caridade de muitas e diferentes maneiras.
Desde o seu primeiro desenvolvimento no mundo antigo, ela se ocupou dos pobres, que se amontoavam nas cidades. Nasceram, depois, as primeiras casas cristãs destinadas à caridade com os enfermos ou peregrinos. Já no séc. V apareceu a primeira organização caritativa paroquial. Apareceram, depois, as irmandades a ocupar-se do serviço caritativo. No séc. XIII dá-se uma revolução na caridade da Igreja e multiplicam-se as instituições assistenciais: colectas paroquiais ou refeições dos pobres, confrarias leigas mutualistas, hospitais e defesa do direito dos pobres. Já nos finais do séc. XV há um progresso claro na “laicização” da caridade e surgem em força as misericórdias. No séc. XVIII foi importante a fundação das Irmãs da Caridade por S. Vicente de Paulo.
No mundo actual, a caridade socializou-se: não são suficientes os esforços individuais. As ajudas realizam-se através de instituições permanentes, organizadas, com apoios diversos. Pretende-se o bem-estar do próximo com amor. No caso dos cristãos, com amor de Deus e do próximo, com caridade.
A um sem número de esforços individuais e de grupos espontâneos para dar visibilidade à caridade cristã, associam-se, em multiplicação crescente, instituições que a Igreja cria ou inspira, fazendo da expressão social uma inequívoca forma de afirmação e de contributo para uma sustentada concepção de vida e do sentido integral do homem.
Se a evangelização neste século passará pela presença na cultura, a Igreja de hoje está a intuir que celebra a Fé também quando dá expressão a uma opção preferencial pelos pobres e promove e sustenta respostas sociais que favoreçam a integralidade do homem. Nessas circunstâncias, a Igreja evangeliza, “cultualiza” a Fé e dá sinal de si e do homem que é seu espaço…


3. Há cerca de três décadas, desenvolveu-se em Portugal um movimento que viria a ser coroado na criação de uma União das instituições que se dedicavam à acção social.
Eram pessoas da Igreja os seus inspiradores e lideraram todo o processo. Com visão. E por isso, desde o início, conceberam um movimento amplo e abrangente.
Assim, ontem, “encontraram-se” na União das IPSS e, hoje, “encontram-se” na Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) instituições de iniciativa e constituição canónica (Igreja Católica), de iniciativa de outras igrejas e de iniciativa de cidadãos e Organizações Civis. São instituições com designações tão diversas como abrigos, amigos, assistências, associações, bancos, beneficências, cáritas, casas, centros, comissões, cooperativas, creches, cruzadas, fundações, grupos, infantários, institutos, irmandades, jardins, lares, ligas, misericórdias, missionários, obras, ordens, patrimónios, patronatos, refúgios e serviços…. De uma forma ampla, harmónica e abrangente.
A diversidade de origem, a multiplicidade de respostas e a distribuição por todo o território eram (e são) factores de afirmação e de credibilidade. A sensibilidade e o espírito de uns e a abertura inovadora de outros garante a interacção que torna possível o enfrentar novos desafios com a permanente aposta na qualidade e a assumida certeza de que é na gratuitidade que está o melhor serviço ao projecto do homem.
A Igreja apareceu como fermento, o mundo deu-lhe o espaço para levedar e o homem indica-lhe a rota…
E, presentemente, a maior organização representativa das instituições de solidariedade é espaço audível, credível e com sedutor potencial.
Separar agora o que então as circunstâncias uniram seria trair o esforço de muitos e as expectativas de todos para uns quantos se enclausurarem num apagado e triste cântico exequial…

* Presidente da CNIS

 

Data de introdução: 2007-03-07



















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