SOLIDÃO - Expressão de desertificação interior

Há muitos anos que em Portugal se vem manifestando uma grande preocupação pela desertificação do interior do país, com deslocação gradual das populações para as grandes cidades.
A passagem de um país rural para um país cada vez mais convertido ao comércio, à construção civil, aos serviços ajuda a explicar muita da desertificação que tem vindo a acontecer!

Quem passa por regiões do interior do país, pode ver aldeias inteiras transformadas em autênticos “centros de dia para idosos”, com pessoas sentadas à porta de casas degradadas. As escolas lá estão... mas as crianças são apenas uma recordação. Estações de correios, postos de saúde, esquadras de polícia transformaram-se em “centros de memória para um dia recordar!”

Como dizia o Engenheiro Guterres, “ é a vida”. O Engenheiro Sócrates reconhece que “é a morte” dessas aldeias, em nome de um novo conceito de desenvolvimento!
Naturalmente que a crise demográfica, aliada a processos de empobrecimento que há longos anos vêm atingindo Portugal, servirão de explicação para estes fenómenos irreversíveis de busca no litoral de condições de vida que o interior não garante.

Há, porém, outras expressões de desertificação: a desertificação interior que se experimenta tanto no interior como no litoral, talvez mais na confusão das grandes cidades do que no despovoamento do interior onde, apesar de tudo, ainda se verificam redes informais de inter-ajuda e vizinhança.
Esta desertificação pode chamar-se SOLIDÃO, uma DOENÇA do nosso tempo que, pouco a pouco, vai matando por dentro muita gente a quem a assusta mais viver do que morrer.

Sei que esta crónica pode parecer demasiado pessimista. Porém, em vésperas de Natal, pessoas e instituições que fazem da sua vida uma CAUSA em prol da SOLIDARIEDADE, talvez esta “meditação solidária” sobre a SOLIDÃO seja uma forma de poder alertar consciências, certos de que, em fidelidade à mensagem do Natal, temos de trabalhar muito e depressa na HUMANIZAÇÃO DOS ESPAÇOS E DOS CORAÇÕES.
Entre os muitos sem-abrigo que se cruzam connosco nas grandes cidades, há aqueles que, tendo casa, se sentem SÓS por falta de lugar no coração de alguém a quem amem e por quem se sintam amados!

 

Data de introdução: 2007-12-08



















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