9º CONGRESSO NACIONAL DE DEFICIENTES

Congresso considera "pior momento" desde o 25 de Abril

Os cerca de 700 participantes no 9º Congresso Nacional de Deficientes (CNOD) concluíram que se está a viver o pior momento depois do 25 de Abril, acusando os "sucessivos governos" de silenciar e discriminar os deficientes. No congresso, que decorreu no dia 20 de Outubro, na Moita, foram delineadas várias reivindicaçöes que väo constituir as linhas orientadoras dos trabalhos a desenvolver por associaçöes e organizaçöes de deficientes.

"Definimos várias acçöes concretas e objectivas, sendo muitas as frentes de esclarecimento e trabalho, divididas ao longo de quatro capítulos. As intervençöes e análises permitiram chegar a algumas conclusöes num congresso que decorreu a muito bom ritmo", disse Calos Costa, presidente do CNOD.

Ao nível dos direitos humanos e igualdade de oportunidades, o CNOD pretende a criaçäo da Convençäo Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência e, consequentemente, a adaptaçäo de toda a legislaçäo aos princípios nela consagrados.

Na mesma área o CNOD considera também importante o fim da "política autoritária e repressiva", que exclui os deficientes, que "unicamente aspiram ao trabalho com direitos e a uma vida digna" e exige a participaçäo das organizaçöes representativas do Movimento Associativo nas decisöes políticas referentes à área da deficiência.

Em relaçäo à saúde, emprego e reabilitaçäo, o organismo pretende um serviço Nacional de Saúde geral, universal e gratuito, que tenha em conta as particulares dificuldades e necessidades dos cidadäos com deficiência.

"Os cidadäos com deficiência exigem do Estado a tomada de medidas adequadas à criaçäo de condiçöes de integraçäo profissional dos cidadäos com deficiência e a adaptaçäo dos postos de trabalho em razäo da deficiência do trabalhador considerado", referem nas conclusöes do congresso.

Quanto aos transportes e acessibilidades, o CNOD quer que sejam criadas condiçöes físicas e de aprendizagem em todas as escolas, além de um aumento no número dos transportes adaptados.

"Defendemos a implementaçäo do Plano Nacional de Acessibilidade de 17 de Fevereiro de 2004, a todos os Municípios Nacionais e a eliminaçäo de barreiras nos transportes públicos ou serviços da administraçäo pública", salienta o mesmo documento.

Na área da educaçäo e cultura, o CNOD, que considera a mulher deficiente mais discriminada, defende a reduçäo do número de alunos numa turma que tenha alunos deficiência e o apoio às Instituiçöes de Educaçäo Especial (Rede Solidária) que cumpram funçäo supletiva relativamente à Escola Pública.

O CNOD refere ainda que a cultura e o desporto devem áreas onde se deve ter em conta as necessidades dos deficientes, de modo a que lhes sejam dadas as mesmas oportunidades de participar nas actividades.

O presidente Carlos Costa estava muito satisfeito com o trabalho realizado em um dia de congresso, confessando que este "foi talvez o congresso mais produtivo dos últimos anos".

* Com Lusa

 

Data de introdução: 2007-10-21



















editorial

Voltar a casa

Sucede que a falta de motivação das IPSS para colocarem a sua rede de ERPI ao serviço do escoamento das situações de internamento hospitalar inapropriado, nas condições atualmente em vigor, se afigura amplamente justificada (...)

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

O risco de retrocesso nos apoios à vida independente
O Orçamento de Estado para 2026 foi justamente elogiado por se abster dos clássicos “cavaleiros orçamentais”, designação pela qual são conhecidas as...

opinião

EUGÉNIO FONSECA

Que espero do novo Presidente da República?
Está próxima a eleição do novo Alto Magistrado da Nação. Temos mais duas semanas para que os candidatos, de forma serena, com objetividade e no âmbito dos...