XIX FESTA DA SOLIDARIEDADE - AVEIRO 2026

Em nome da CNIS, Eleutério Alves completa em Aveiro a volta a Portugal Solidária

A última etapa da volta a Portugal da Solidariedade vai acontecer em Aveiro. A Festa da Solidariedade teve o ponto de partida a 29 de setembro de 2007, na Quinta da Bela Vista em Lisboa. Depois de 18 edições chega ao fim no dia 9 de outubro no Cais da Fonte Nova em Aveiro. Nos dias 7 e 8 decorre o VII Congresso da CNIS, no Centro de Congressos, e antes disso a Chama da Solidariedade vai percorrer o distrito de Leiria e desagua em Aveiro.
Apesar de sempre diluir a organização da Festa pela direção da CNIS e sobretudo sempre evidenciar o papel do presidente Lino Maia, Eleutério Alves, vice-presidente da CNIS, é, mais uma vez, o rosto mais visível da Festa da Solidariedade. E é com orgulho que pode dizer: valeu a pena. 

SOLIDARIEDADE - A Festa da Solidariedade chega a Aveiro em 09 de outubro com a Chama a fazer a passagem por Leiria. É a XIX edição desta iniciativa da CNIS. E também é a última, fechando o ciclo que teve início em Lisboa em 2007. Vai ser uma festa com sabor especial?
ELEUTÉRIO ALVES - Acho que não, apesar de nos 20 anos em que a CNIS promoveu esta Festa, muita coisa tenha mudado. Foi uma aposta numa iniciativa que desse visibilidade ao sector social solidário, que fosse descentralizada, cada ano em seu território e que envolvesse as IPSS e as comunidades que as apoiam e para as quais prestam serviços. Lembro que a primeira Chama da Solidariedade fez o percurso a pé, desde Lisboa até Barcelos com a participação de milhares de pessoas que foram envolvidas no evento. Hoje ao olhar para estes 20 anos sentimos que valeu a pena e é esse sabor de missão cumprida com que nos despedimos desta primeira volta solidária a Portugal, não só continental, mas também Açores e Madeira. Vai ser uma Festa e Chama da Solidariedade partilhadas entre Leiria e Aveiro. E será com certeza uma Festa que vai deixar boas memórias a todos quantos quer na CNIS, quer nas associadas intermédias e de base, se envolveram e contribuíram para que hoje essas memórias compensem o compromisso que houve da parte de todos.

Nos dias 7 e 8 decorre também o VII Congresso sobre Pobreza e Proteção Social. É o fim de um ciclo?
Nada, do que estas iniciativas promovidas desde a constituição da UIPSS e depois continuada pela CNIS, é um fim. Houve já vários congressos ao longo dos diferentes mandatos e acredito que assim vai continuar porque a missão da CNIS não está ultrapassada nem esgotada. Acredito mesmo que os tempos em que vivemos no passado próximo e no presente, obrigam a que a CNIS esteja ainda mais atenta e comprometida na promoção e na defesa dos interesses das suas associadas, contribuindo para comunidades mais inclusivas, mais sustentáveis, mais desenvolvidas e com cidadãos e famílias mais felizes. Os congressos da CNIS foram sempre grandes congressos, com temas da maior importância para o sector social e para as comunidades e cidadãos. A CNIS procurou sempre que estes encontros deixassem uma pegada de orientações que pudesse ser aproveitada por quem tem a responsabilidade de gerir os interesses das populações seja qual for a área em que atuam. O VII congresso vai abordar um tema da maior importância para o país, uma oportunidade para os responsáveis deste país poderem pensar e partilhar com todos, como podemos acabar com a Pobreza, garantindo mais Proteção Social.

A estrutura das iniciativas vai manter a coerência das edições anteriores?
Sim, é um formato que está sustentado e tem funcionado.

A Chama da Solidariedade vai fazer a ponte entre os dois distritos onde ainda faltava fazer a Festa. É intencional para não deixar nenhum distrito de fora desta iniciativa da CNIS?
É intencional. Não pudemos organizar a Festa em 2020 devido à COVID e daí ter que acumular em 2026 as duas Festas porque não quisemos que nenhum distrito ficasse sem este evento. Infelizmente todos sabemos a tragédia que uma depressão causou naquele território e entendemos, em consenso com a UDIPSS de Leiria, substituir o formato e promover iniciativas de menos dimensão em alguns concelhos de Leiria. E vamos utilizar estes pequenos eventos para manifestar o nosso reconhecimento a todas as IPSS do distrito, pelo apoio extraordinário que souberam dar às famílias afetadas.

Espera muita participação de IPSS?
Estamos nesta data a receber inscrições de IPSS que vão estar presentes e querem participar com iniciativas próprias neste dia. Contamos com um número significativo de associadas. É bom que assim seja, para podermos aproveitar a iniciativa e sair para a rua mostrar o que de bom e de bem as IPSS fazem. Será garantidamente um dia de Festa participada e animada.

Com quem conta para a organização da Chama e da Festa em Leiria e Aveiro?
A organização da Festa é partilhada entre a CNIS e as UDIPSS onde decorre, tendo depois diversos apoios sempre importantes, sobretudo das autarquias no que se refere a apoio logístico e comunicacional com o tecido social, associativo, económico de cada concelho. Mas não só, as Associações Humanitárias de Bombeiros, PSP, GNR são também parceiros relevantes para que o dia corra com sucesso.

Tem sido o rosto da CNIS para a Festa e Chama desde setembro de 2007, em Lisboa, na Quinta da Bela Vista. Alguma vez pensou que ao cabo de 20 anos continuaria a organizar este evento?
Não é bem assim, o rosto da Festa e Chama da Solidariedade foi sempre e será este ano o do nosso Presidente P. Lino Maia. Eu sou apenas um dirigente que com a confiança da direção se disponibilizou a assumir a coordenação destas realizações, teve sempre responsabilidades partilhadas por outros membros da CNIS e a confiança do nosso Presidente. Houve uma equipa que muitas vezes de forma invisível, mas atuante, esteve sempre presente nas diversas tarefas que esta organização exigia. Permito-me apenas referir dois nomes incontornáveis nesta coordenação ao longo do tempo, o Sr. Eduardo Mourinha e a Srª Drª Goreti Teixeira, pela importância que sempre tiveram quer na promoção da Festa e Chama com reuniões por todo o país quer na angariação de apoios financeiros e logísticos, sempre importantes para que estes eventos não constituíssem custos para a CNIS. Por isso ao revisitar todas as Festas, lembro muitos colaboradores e a todos agradeço a disponibilidade e a competência que sempre manifestaram quando tinha de assumir responsabilidades. Nestes 20 anos que estamos a percorrer na história da CNIS, houve sempre gente de muito valor, solidária entre si e com as comunidades, o que me facilitou neste caso a missão de coordenar esta iniciativa.

Sente-se realizado por ter conseguido terminar a volta a Portugal da Solidariedade?
Sinto-me realizado pelo meu percurso de 30 anos nos Órgãos Sociais da CNIS. Dei à organização, tudo o que pude e fui capaz de dar. Criei grandes e boas amizades, conheci homens e mulheres de grande valor e competência que enriqueceram a minha personalidade. Tive dois bons amigos e mestres com quem aprendi muito do que hoje sei e me moldaram no que sou, o Padre José Maia e o Padre Lino Maia, dois cidadãos que a história da cidadania e da solidariedade terá obrigatoriamente que registar. Tive a felicidade de partilhar esta vida da solidariedade com figuras ilustres deste país, mas pude também conhecer e conviver, com pessoas que invisíveis e até insignificantes para muitos, me deram grandes lições de vida e me fizeram acreditar que quando as causas são justas, vale a pena comprometer-nos e lutar pelo seu sucesso. A volta a Portugal foi apenas um pequeno contributo no grande mundo que é a CNIS e o Sector Solidário.

Pensa que a Festa e a Chama continuam a contribuir para a notoriedade da CNIS?
A Festa e a Chama da Solidariedade foram alguns momentos visíveis da ação da CNIS, mas a CNIS é muito mais do que isso. A CNIS é atualmente a maior organização do sector solidário, com a missão de promoção e defesa dos interesses de todo o sector na sua envolvente social, cultural, económica e de cidadania. A CNIS representa hoje, pela sua história, a esperança de um país melhor, mais solidário, mais coeso, mais digno e mais justo.

Se pudesse começar de novo mudaria alguma coisa no figurino da Festa e da Chama?
Penso que não, talvez alguns ajustes mas o formato e os objetivos estão consolidados.
O objetivo foi desde o início, criar um tempo e um espaço onde todos os agentes do sector social se pudessem encontrar, partilhar conhecimentos, mostrar o que de bom se faz nestas instituições e agradecer às comunidades o apoio que sempre lhe dedicaram. Dar visibilidade às IPSS. E isso valeu há 20 anos e continua a valer hoje.

V. M. Pinto (texto) P.V.O. (fotos)

 

Data de introdução: 2026-09-16



















editorial

Plano interministerial e intersectorial para a Saúde e Longevidade da população (II)

Pelo Despacho n.º 2367/2025, “o XXIV Governo Constitucional, em consonância com os compromissos assumidos no seu programa de governação e no Compromisso de Cooperação para o Setor Social e Solidário para o biénio...

Não há inqueritos válidos.

opinião

PAULO PEDROSO, SOCIÓLOGO, EX-MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE

Em memória de Eugénio Fonseca
Perdemos em agosto Eugénio Fonseca, de quem fui, nestes últimos anos, companheiro de colunas de opinião aqui no Solidariedade. Partiu um homem bom. Esta homenagem nasce da amizade, do...

opinião

EUGÉNIO FONSECA (1957-2026)

Calou-se uma voz importante da solidariedade
Eugénio Fonseca, presidente da Confederação Portuguesa de Voluntariado, morreu a 12 de agosto de 2026, aos 69 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória.